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Band vai à Justiça contra youtubers bolsonaristas por fake news

31.mai.2020 - Apoiador do presidente Jair Bolsonaro exibe faixa em que diz que notícia falsa não seria crime em manifestação em Brasília - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
31.mai.2020 - Apoiador do presidente Jair Bolsonaro exibe faixa em que diz que notícia falsa não seria crime em manifestação em Brasília Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

01/06/2020 14h00

Resumo da notícia

  • Acusados disseram que emissora tinha sido comprada pelo governo da China

A Rede Bandeirantes entrou na Justiça contra os youtubers bolsonaristas Bernardo Kuster e Alfredo Roberto Bessow acusando-os de publicar fake news contra a emissora.

Os youtubers disseram na mídia social, em março, que a Band foi comprada pelo governo chinês e que estaria atuando de forma tendenciosa com o objetivo de fazer propaganda do partido comunista da China.

"Percebe-se a total falta de compromisso com a verdade e, sobretudo, com a ética", diz o advogado André Marsiglia Santos, que representa a Band. A emissora pede direito de resposta e indenização (R$ 50 mil de cada um).

Diretor do jornal online "Brasil Sem Medo", ligado ao filósofo Olavo de Carvalho, Kuster foi um dos alvos, na semana passada, de operação da Polícia Federal determinada pelo Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes, que conduz um inquérito sobre fake news, ordenou a busca e apreensão dos celulares, tablets e computadores do youtuber.

Além de Kuster, são investigados também o empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, a ativista Sara Winter, que liderou na madrugada do último domingo protesto com tochas e máscaras na frente do Supremo Tribunal Federal, e o ex-deputado Roberto Jefferson, entre outros.

No dia seguinte à operação da Polícia Federal contra as fake news, o presidente Jair Bolsonaro criticou a ação: "Não teremos outro dia igual a ontem, chega", afirmou. "Querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor sob o argumento mentiroso de fake news."

No processo contra os youtubers, a Band afirma que não foi adquirida, nem está sob controle acionário ou diretivo de qualquer entidade ou órgão estrangeiro, ressaltando que tal situação é vedada pelo Código Brasileiro de Telecomunicações.

A Band diz ter um acordo operacional com a China Media Group, que reúne os veículos de comunicação estatais do país, apenas para o compartilhamento de conteúdo audiovisual, jornalístico e cultural. Declara não ter ocorrido transferência acionária e nega participação dos chineses no controle diretivo da emissora. Segundo a rede, as declarações dos youtubers foram feitas com "o propósito inegável de ofender e afetar a sua reputação e credibilidade". Acordo semelhante foi fechado em novembro de 2019 pelo governo Bolsonaro para troca de conteúdo entre a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e a China Media Group.

A Band processa também o website bolsonarista "Jornal da Cidade Online", de José Pinheiro Tolentino Filho, que reproduziu e referendou as acusações contra a emissora feitas pelo youtuber Alfredo Bessow, a quem se refere como "respeitado jornalista".

A coluna procurou os acusados, mas até o momento não obteve resposta.

Eles ainda não apresentaram defesa à Justiça.

Errata: o texto foi atualizado
EBC é a Empresa Brasil de Comunicação, e não Empresa Brasileira de Comunicação. A informação foi corrigida. A legenda da foto trazia uma informação incorreta sobre o local em que ela foi tirada. O dado também foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.