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Blogueiro de esquerda é condenado a indenizar Doria por fake news

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) - MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) Imagem: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

22/06/2020 10h31

O blogueiro Eduardo Guimarães foi condenado pela Justiça a indenizar o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Guimarães é responsável pelo "Blog da Cidadania", criado em 2005, que diz ser um dos primeiros sites políticos de esquerda do país.

Em janeiro, o blog publicou um texto dizendo que um funcionário de Doria, diretor financeiro da Agência de Fomento do Estado, havia, em 2013, gastado dinheiro público (R$ 459) em um estabelecimento de Brasília conhecido por ser um ponto de prostituição.

O diretor, no entanto, nunca integrou a equipe de Doria e foi destituído do cargo em 2015, ou seja, quatro anos antes do início do mandato do tucano (2019). O episódio ocorreu na gestão Geraldo Alckmin (PSDB).

"As informações tiveram o claro intuito de causar dano à imagem do governador", afirmou, em sua decisão, o juiz Gustavo Henrique Bretas Marzagão, da 35ª Vara Cível de São Paulo. "É fake news, o que não encontra guarida na garantia constitucional da liberdade de expressão e imprensa."

Guimarães defendeu-se no processo dizendo houve um equívoco, sem intenção de ofender. Afirmou também que corrigiu o texto assim que soube do erro, bem como publicou uma retratação.

O blogueiro disse ainda que o governador distorce os fatos ao afirmar que houve má-fé na publicação e que o seu objetivo seria cercear a liberdade de imprensa.

O juiz não aceitou a argumentação. Disse que houve "má-fé" e que ele não conseguiu demonstrar que retirou a reportagem do site de forma espontânea, mas apenas após uma liminar judicial, em abril.

Ressaltou também que o site publicou a nota fiscal emitida pela estabelecimento e que "o simples cotejo entre a data do gasto, em 2013, e o início do mandato do governador, em janeiro de 2019, era fato mais do que evidente de que o diretor não era funcionário de Doria".

O blogueiro foi condenado a pagar R$ 20 mil a Doria. Cabe recurso.