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Após sair da recuperação judicial, OAS enfrenta novo pedido de falência

David Mercado/Reuters/VEJA
Imagem: David Mercado/Reuters/VEJA
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

15/10/2020 10h40

Resumo da notícia

  • Empreiteira, alvo da operação Lava Jato, passou por recuperação judicial há 7 meses
  • Endividada com fornecedores, OAS é objeto de pedido de falência e bloqueio de bens
  • Executivo afirma que dívidas serão renegociadas e que o grupo "não vai falir"

Sete meses após sair do processo de recuperação judicial, o grupo OAS volta a sofrer ações de cobrança por dívidas e já enfrenta até mesmo um pedido de falência.

A coluna teve acesso a 10 processos recentes por meio dos quais a empresa, que chegou a ser considerada a terceira maior empreiteira do país, é cobrada por dívidas que ultrapassam os R$ 37 milhões.

Todos estes processos são posteriores a março, mês em que foi decretada o fim da sua recuperação judicial, mecanismo por meio do qual uma companhia que não consegue pagar suas dívidas obtém um fôlego financeiro no Judiciário. As ações de execução são suspensas por 180 dias, prazo no qual a empresa tem de apresentar um plano de pagamento aos credores, que precisa ser aprovado por eles em uma assembleia.

O pedido de falência da OAS foi feito pela FTI Consultoria, que prestou serviços de consultoria financeira para a empreiteira durante a recuperação judicial. A FTI afirma que a OAS lhe deve R$ 1,6 milhão e pede que, caso não seja feito o pagamento, a Justiça decrete a quebra da companhia.

Um outro processo é movido pelo Banco Santander, que solicitou à Justiça o bloqueio de bens e valores em nome da OAS na hipótese de a empreiteira não pagar uma dívida de R$ 7 milhões. Há ainda cobranças feitas por empresas de locação de equipamentos e de consultoria ambiental, entre outros fornecedores.

Fundada em 1976, a OAS começou a entrar em crise em novembro de 2014, quando Léo Pinheiro, seu então presidente, foi preso pela Polícia Federal numa fase da Operação Lava Jato batizada de "Juízo Final". O grupo, que naquele ano declarara uma receita bruta de R$ 7,7 bilhões, perdeu contratos e viu sua receita despencar.

"OAS não vai falir"

A nova direção da empresa afirmou à coluna que a OAS enfrenta dificuldades, mas que está conseguindo se reestabelecer, após uma grande reestruturação interna. Diz ter cortado custos administrativos e obtido novos contratos de obras.

"A OAS não vai falir", afirma José Manuel Parada, vice-presidente corporativo. "Desde 2018, ganhamos obras de R$ 2 bilhões, não saímos da recuperação judicial para quebrar."

Parada afirma que ainda há pendências, "normais para uma empresa que foi destruída, mas que está se recuperando", e que tem negociado com credores a fim de alongar os pagamentos. "Já conseguimos reduzir em 70% o passivo [dívidas] que não entrou na recuperação judicial."

Segundo o vice-presidente corporativo, ainda hoje haverá uma reunião com a FTI Consultoria, que pediu a falência da OAS, para negociar a dívida.

"Nós vamos mostrar que dá para fazer de modo diferente no Brasil, que o país pode ter uma grande empreiteira pautada pela transparência e as melhores práticas de compliance", afirma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.