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Rogério Gentile

Justiça condena Augusto Nunes a indenizar Boulos pela 2ª vez

30. set. 2020 - Guilherme Boulos (PSOL) visita o Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo - Fábio Vieira/Fotorua/Estadão Conteúdo
30. set. 2020 - Guilherme Boulos (PSOL) visita o Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo Imagem: Fábio Vieira/Fotorua/Estadão Conteúdo
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

27/10/2020 09h33

O jornalista Augusto Nunes, comentarista da rádio Jovem Pan, foi condenado pela Justiça paulista a pagar R$ 12 mil de indenização a Guilherme Boulos, candidato a prefeito de São Paulo pelo PSOL.

É a segunda condenação que o comentarista sofre pelo mesmo motivo. A primeira foi de R$ 19 mil.

No dia 16 de agosto de 2019, Nunes chamou Boulos de "gigolô de sem teto", expressão que já havia lhe rendido uma decisão contraria em primeira instância no ano anterior, confirmada pelo Tribunal de Justiça.

"É verdade que fui condenado em 2ª instância porque, como vive dizendo o Boulos, a Justiça pode errar também", afirmou Nunes no programa 'Morning Show'.

"Ele ficou bravo porque eu o chamei de gigolô de sem-teto. Volto a chamá-lo de gigolô de sem-teto para ver se ele me processa agora. Quero ver se o próximo juiz do caso vai repetir a sentença."

A juíza Luciana Pagano negou o pedido de Boulos para censurar a gravação do comentário na página da rádio na internet, mas determinou a indenização por considerar ofensiva e inadequada a expressão utilizada pelo jornalista.

"[Nunes] poderia ter criticado e manifestado opinião absolutamente contrária [a Boulos], ainda que de forma áspera e contundente, mas sem necessidade de utilizar termo ofensivo", afirmou, em sua sentença.

O jornalista já recorreu da decisão. Alega que estava se defendendo de ataques feitos a ele por Boulos. Diz que a expressão é uma metáfora e que a condenação é um atentado à liberdade de expressão.

"Boulos, que busca punição pela utilização de uma linguagem jornalística, classifica seus opositores como simpatizantes do execrável regime fascista", disse sua defesa, no processo. "Pede punição por ser chamado de arregimentador de sem-teto", mas lança mão de qualificações muito mais graves como a de classificar alguém de fascista".

Boulos diz no processo que a reiteração do comentário foi um desafio ao Judiciário. "Não há nada de jornalístico no vociferado por Nunes", afirmou. "É uma destilação de ódio."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.