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Rogério Gentile

SBT é condenado a indenizar a viúva do Papai Papudo

O ator Gilberto Fernandes, no personagem Papai Papudo - Divulgação
O ator Gilberto Fernandes, no personagem Papai Papudo Imagem: Divulgação
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

07/07/2021 10h47

A Justiça de São Paulo condenou o SBT a indenizar Laudi Aparecida Fernandes, viúva do comediante Gilberto Fernandes, o Gibe, que ficou famoso na década de 80 por interpretar o personagem Papai Papudo no programa infantil "Bozo".

Gibe, que também foi redator e ator do quadro "Câmera Escondida" do "Topa Tudo por Dinheiro", apresentado por Silvio Santos, deixou a emissora em 2002. O ator, que no papel de Papai Papudo repetia o bordão "5 e 60" quando Bozo lhe perguntava as horas, morreu em 2010, aos 75 anos.

O processo foi aberto pois, a partir de 2011, segundo a viúva afirmou à Justiça, o SBT passou a reprisar suas cenas na televisão e nas redes sociais, sem autorização da família e sem a devida remuneração. Segundo disse à Justiça, pelo menos 130 obras artísticas de Gibe foram publicadas na internet, alcançando quase 350 milhões de visualizações.

"Houve uma exploração econômica e reiterada violação ao direito de imagem do comediante", afirmou à Justiça o advogado Marcos de Araújo Cavalcati, que representa a viúva.

O SBT se defendeu no processo negando o uso "contumaz" das "supostas interpretações do artista". As alegações de que disponibilizou 130 obras do artista, diz a emissora, são "especulativas e carentes de comprovação ou verossimilhança".

O juiz Carlos Eduardo Salvatori afirmou na sentença "que a reprise dos programas, seja por qual meio fosse (televisão, site, canal do YouTube, Facebook, Instagram etc.), a partir de 2011, demandaria autorização dos herdeiros". "É incontroverso que não havia autorização vigente para exploração da imagem e voz, bem como é patente que houve a violação do direito."

Além de proibir novas exibições sem autorização, o juiz determinou que o SBT pague indenização por danos morais e materiais à viúva e aos filhos do comediante.

Uma perícia será realizada para determinar quantas vezes, de fato, a imagem foi exibida ao longo dos anos e, a partir de então, calcular o valor a ser pago pela emissora.

O SBT ainda pode recorrer da decisão