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Rogério Gentile

SBT paga indenização a telespectadora impedida de falar 'goiabada' no ar

SBT - Reprodução / Internet
SBT Imagem: Reprodução / Internet
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

11/11/2021 11h15

O SBT foi obrigado pela Justiça a pagar uma indenização de R$ 21,6 mil a uma telespectadora que foi impedida de disputar um prêmio em um programa de perguntas e respostas chamado "Quizz SBT".

Exibido pela afiliada de Santos em janeiro de 2012, o programa prometia pagar R$ 8 mil para quem acertasse a palavra cujas letras estavam embaralhadas na tela. O telespectador que soubesse a resposta precisava telefonar para um número indicado pela emissora.

A.B.A.S. logo percebeu que a palavra embaralhada era "goiabada" e correu para fazer a ligação. Ela foi informada por uma gravação que teria a oportunidade de responder à pergunta ao vivo e ficou aguardando.

A telespectadora permaneceu cerca de dez minutos na ligação, mas não foi chamada. Enquanto esperava, ouvia o apresentador dizer que as linhas estavam abertas, mas ninguém era chamado para participar do teste. "O apresentador encerrou o programa sem chamar ninguém", disse à Justiça.

O juiz Frederico dos Santos Messias, na sentença de condenação da emissora, afirmou que, na verdade, "o que ocorreu foi reprovável prática cada vez mais comum nos programas de televisão dessa natureza: prender a atenção do telespectador até o final da transmissão mediante falsas promessas de prêmios, quando é sabido que ninguém poderá ganhar a premiação anunciada".

A defesa do SBT argumentou que o programa era de responsabilidade de uma afiliada e que não tinha controle sobre o seu conteúdo.

Declarou também que o prêmio não era algo certo, que dependia de a telespectadora ser escolhida para entrar ao vivo no programa, concorrendo com todos os demais interessados, e que ela precisava ainda acertar a resposta da charada.

A emissora recorreu, mas perdeu nas instâncias superiores e o processo já transitou em julgado.

Na terça (10) o juiz Santos Messias determinou que o valor da condenação, que estava depositado em juízo, seja transferido para a conta bancária indicada pela telespectadora.