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Rogério Gentile

Bruxas brigam na Justiça de São Paulo por plágio em curso de magia

Capa do livro "Bruxaria Hekatina", que a Justiça disse ter sido plagiado - Divulgação
Capa do livro "Bruxaria Hekatina", que a Justiça disse ter sido plagiado Imagem: Divulgação
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

22/06/2022 11h18

A Justiça de São Paulo condenou Daniela Petrucci da Silva, que se apresenta como bruxa, a pagar uma indenização de cerca de R$ 13.500 a uma escritora, também autointitulada bruxa, por plágio.

Daniela, que disse à Justiça ter nascido em uma família de bruxas, é proprietária de uma escola chamada "Magia de Bruxa", que oferece aulas de taro, runas e bruxaria.

O processo, que tem 1.471 páginas, foi aberto em outubro do ano passado por Márcia Cristina da Silva, autora do livro "Bruxaria Hekatina: o Caminho da Bruxa com a Deusa Hekate", lançado em julho de 2020.

De acordo com a acusação, Daniela passou a comercializar um curso baseado quase que totalmente no livro. A apostila oferecida pela escola, segundo Márcia, "reproduziu ipsis litteris" 113 das 246 páginas da obra sem dar qualquer tipo de crédito.

"A ré (Daniela) apropriou-se das vivências de Márcia, relatadas em seu livro, como se fossem suas, em total desrespeito à autora [do livro] e aos seus próprios alunos", afirmou no processo a advogada Priscila Soares, que representa a escritora.

No livro, Márcia conta que se iniciou na bruxaria em 2005, fala sobre a história da Deusa Hekate e ensina como fazer feitiços e poções mágicas (para "saúde e cura", "amor próprio", "proteção do lar" e "abertura de caminhos", entre outros). A obra informa não ser adequada para pessoas com menos de 18 anos.

A proprietária da escola afirmou na defesa apresentada à Justiça que adquiriu seus conhecimentos de bruxaria com a família, e disse "que atua no ramo há mais de 33 anos".

Daniela declarou no processo que não cometeu plágio e relatou que uma pessoa que a auxiliava "cometeu um erro não intencional" ao anexar trechos do livro de Márcia na plataforma online do seu curso.

"Para ministrar seu curso, além de sua vasta experiencia na área, assim como qualquer profissional, a ré [Danela] estuda, lendo apostilas, artigos e livros sobre o tema a ser apresentado", afirmou a sua defesa à Justiça.

Os trechos do livro, segundo a defesa, estavam no computador de Daniela e foram anexados por equívoco. "Mas não se trata do conteúdo produzido para o curso 'Magia de Hécate'".

A juíza Melissa Bertolucci não aceitou a argumentação e condenou a proprietária do curso a pagar R$ 13.448 à colega por danos materiais e morais, valor que será acrescido de juros e correção monetária.

Daniele, que ainda pode recorrer da decisão, foi condenada também a informar os alunos do curso que a apostila foi retirada da plataforma por ordem judicial em razão da violação dos direitos autorais.