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Novo diretor da PF troca chefe da perícia e referência da Lava Jato

Fabio Salvador, perito criminal federal da Polícia Federal - Imagem cedida ao UOL
Fabio Salvador, perito criminal federal da Polícia Federal Imagem: Imagem cedida ao UOL
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

06/05/2020 16h24

O novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Souza, decidiu exonerar uma das referências da Operação Lava Jato, o perito criminal federal Fábio Salvador, atual diretor técnico-científico. Salvador foi transferido para Brasília em janeiro de 2019 no começo da gestão do então diretor-geral, Maurício Valeixo, com quem ele trabalhou em Curitiba (PR).

A exoneração, ainda não oficializada, surpreende porque outra referência da Lava Jato, o delegado Igor Romário, e outro diretor de uma área técnica, William Murad, permaneceram nos seus cargos. Salvador ocupava uma das sete diretorias vinculadas à direção-geral.

Às vezes identificado como "chefe da perícia da Lava Jato", Salvador comandou por quase cinco anos anos o Setec (Setor Técnico-Científico) da PF na Superintendência da PF no Paraná. O setor abrigava os 34 peritos criminais federais de áreas diversas que foram mobilizados para as perícias relativas aos inquéritos e ações penais derivadas da Lava Jato. Ele assumiu os trabalhos na Lava Jato desde o terceiro mês da operação, em 2014.

O cálculo da perícia técnica da Lava Jato é que tenham sido emitidos mais de 2 mil laudos periciais somente na PF em Curitiba durante a gestão de Salvador. Nesse período foram feitas algumas das mais importantes perícias da Lava Jato, como a que analisou os arquivos virtuais da empreiteira Odebrecht e as que identificaram o "clube das empreiteiras".

Em Brasília, Salvador passou a dirigir o setor que compreende 1,2 mil peritos criminais federais do órgão em todo o país. Em um ano e quatro meses, ele colocou em andamento 52 projetos nas áreas de informática forense, local de crime, química, meio ambiente, balística, contabilidade e economia, veterinária e documentoscopia, entre outras.

Geólogo de formação e na Polícia Federal desde 2003, Salvador tem doutorado em engenharia mineral pela USP (Universidade de São Paulo). Por dez anos atuou como perito criminal do Instituto de Criminalística da secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

O sucessor de Salvador será o perito criminal federal Alan de Oliveira Lopes.

Em nota, a APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais) afirmou que Salvador, durante os 17 meses em que ocupou o cargo de diretor, "atuou firmemente para a valorização da ciência como arma contra a criminalidade e a busca de inovações para a atividade policial".

A nota menciona "os esforços para implantação da Rede Nacional de Isótopos Forenses e a apresentação de importantes projetos de monitoramento da região Amazônica", além da "atuação importante de Salvador para a preservação da atuação eficiente da criminalística que culminou com a edição da instrução normativa nº 163, além de consolidar a competência da Ditec para coordenar nacionalmente as solicitações de exames periciais".

A entidade manifestou apoio ao novo diretor, Alan Lopes, afirmando que ele "reúne as qualidades necessárias para bem exercer o cargo e garantir a atuação da perícia com autonomia técnica, científica e funcional, necessária à produção imparcial da prova pericial e a integridade da cadeia de custódia".

Formado em engenharia civil pela UnB (Universidade de Brasília), Alan Lopes é desde agosto passado assessor especial do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Ele trabalhou por 17 anos no INC (Instituto Nacional de Criminalística) da PF em Brasília. Atuou em várias operações da PF, como a Panatenaico, Caixa de Pandora, Janus e Cartão Vermelho, além de ter atuado na investigação sobre o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG).

Rubens Valente