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Delegada quer ouvir os ministros militares no Planalto na terça-feira

Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), durante reunia?o com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno. - Marcos Corrêa/PR
Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), durante reunia?o com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno. Imagem: Marcos Corrêa/PR
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

08/05/2020 18h34

A Polícia Federal definiu um cronograma para ouvir as autoridades citadas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro (Justiça) no inquérito que apura as acusações de suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro no comando da PF.

A delegada encarregada do caso na PF, Christiane Correa Machado, pretende ouvir todas as dez testemunhas citadas no depoimento de Moro no último dia 2, em Curitiba (PR), até a próxima quinta-feira (14).

Segundo o planejamento apresentado à PGR (Procuradoria Geral da República) nesta sexta-feira (8), os três ministros militares citados na investigação serão ouvidos no Palácio do Planalto no mesmo dia, na próxima terça-feira (12), a partir das 15h00. São os generais da reserva Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Walter Braga Netto (Casa Civil).

Em seu depoimento, Moro citou os três generais como testemunhas das pressões de Bolsonaro para que ele substituísse o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. No caso de Augusto Heleno, Moro disse que o general sabia desde janeiro da retomada das pressões de Bolsonaro, que haviam começado em agosto de 2019 mas arrefecido até então.

A decisão de ouvir os ministros na sede da Presidência foi uma deferência da delegada que conduz o caso. O plano da PF é que a deputada federal Carla Zambelli (PSL), por exemplo, não seja ouvida na Câmara dos Deputados, mas sim na sede da PF, em Brasília, onde tradicionalmente já são ouvidos os parlamentares relacionados a diferentes inquéritos e operações já desencadeadas pela PF. Pelo cronograma, a parlamentar seria ouvida às 15h00 do dia 13, quarta-feira.

De acordo com o cronograma, os ministros militares e Zambelli só serão ouvidos depois da oitiva de três delegados da PF relevantes na história denunciada por Moro: Maurício Valeixo, que deverá ser ouvido em Curitiba (PR), em local não informado, às 10h00 da segunda-feira (11), Ricardo Andrade Saadi, ex-superintendente da PF no Rio de Janeiro, a ser ouvido às 15h00 no edifício-sede da PF, em Brasília, na mesma segunda-feira, e Alexandre Ramagem, diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que deverá ser ouvido na mesma data, local e horário de Saadi.

Outros dois delegados citados por Moro, Carlos Henrique de Oliveira Sousa, ex-superintendente da PF no Rio e agora guindado a número dois da instituição, e Alexandre da Silva Saraiva, ex-superintendente da PF no Amazonas, deverão ser ouvidos na quarta-feira (13) , às 15h00, na sede da PF, em Brasília.

O terceiro superintendente citado nos depoimentos, Rodrigo de Melo Teixeira, que foi substituído em abril de 2019 da superintendência de Minas Gerais, deve ser ouvido no dia 14, mas o local ainda não foi definido.

Rubens Valente