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Tales Faria


Olavistas temem sofrer traição com noivado entre Bolsonaro e Regina Duarte

Bolsonaro e Regina Duarte noivaram em meio aos temores sobre casamento  - Reprodução/Twitter
Bolsonaro e Regina Duarte noivaram em meio aos temores sobre casamento Imagem: Reprodução/Twitter
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

23/01/2020 10h50

O provável casamento entre a namoradinha do Brasil e o presidente da República na área de Cultura ainda não está definido. Mas já deflagrou uma disputa tormentosa por baixo dos lençóis do governo.

A atriz Regina Duarte foi convidada por Bolsonaro para ocupar, digamos, uma das suítes master dos olavistas no governo: a secretaria de Cultura. Há outras três: os ministérios da Educação, o do Meio Ambiente e o das Relações Exteriores.

É nesses endereços da Esplanada dos Ministérios que o guru do grupo, Olavo de Carvalho, tem defendido que seja centrada a guerra cultural contra aquilo que ele chama de comunismo impregnado nas instituições.

No governo Bolsonaro, o grupo vinha ganhando as batalhas, inclusive contra outra turma que era considerada imbatível no início do governo: os militares.

Os olavistas expulsaram generais e coronéis da Secretaria de Cultura e do Ministério da Educação para entregar o comando, respectivamente, a Roberto Alvim e Abraham Weintraub.

E mantiveram a ferro e fogo os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), com suas políticas pró-Donald Trump e antiambiental. Ou seja, contra o resto do mundo, praticamente.

Mas a queda de Alvim e os desastres causados em suas áreas por Weintraub e Salles enfraqueceram a posição dos olavistas no governo.

Bolsonaro viu-se obrigado a convidar a namoradinha do Brasil Regina Duarte para melhorar sua imagem num setor carimbado como "nazista" devido ao discurso de Alvim parafraseando Joseph Goebbels, o guru de Adolf Hitler.

Alvim atribuiu sua saída a uma "ação satânica". E Olavo tem postado nas redes sociais que foi coisa de assessores comunistas infiltrados da Secretaria de Cultura.

Para tentar desfazer a encrenca, Bolsonaro já teve que afastar dois dos principais assessores do ex-secretário -a chefe de gabinete e o secretário-adjunto- e oferecer à convidada o direito de nomear os substitutos de outros cargos que queira ocupar.

Na área ambiental, devolveu poder aos militares, sobretudo em relação à Amazônia, entregando ao vice-presidente, general Hamilton Mourão, o comando de uma força-tarefa para sanar os problemas na floresta causados na gestão de Ricardo Salles.

Agora a ordem unida entre os olavistas, que se consideram o núcleo duro do bolsonarismo, é manter as posições que ainda detêm para depois tentar reconquistar os espaços perdidos.

Na área da Educação todo esforço será feito para manter Abraham Weintraub no cargo. Seu principal defensor é o filho Zero-3 do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (sem partido-SP), discípulo de Olavo e grande amigo do ministro.

São raros os dias em que Eduardo não retuíte ou publique ele próprio nas redes sociais um elogio à gestão de Weintraub.

Na área de Cultura, toda a torcida dos olavistas é para que o ator Carlos Vereza aceite integrar a equipe de Regina Duarte. Vereza é um seguidor de Olavo de Carvalho, inclusive nas questões esotéricas.

Vereza se juntaria à atual secretária de Diversidade Cultural, Jane Silva, já indicada como nova secretária-adjunta do órgão para garantir espaços dos olavistas no órgão.

O ator até pode servir de regra três no caso de um rompimento futuro da namoradinha do Brasil com o governo.

O temor é de que esse rompimento não só deixe de ocorrer como Regina Duarte acabe promovendo uma reaproximação entre Bolsonaro e o grupo Globo, de quem nunca a namoradinha do Brasil se separou, desde que começou a trabalhar em novelas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL