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Pautas bomba de Rodrigo Maia prometem acirrar ânimos com o Planalto

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

13/04/2020 10h23

A animosidade entre o governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) deve aumentar nesta semana. A começar nesta segunda-feira, se ocorrer, como prevista, a votação do polêmico projeto de ajuda aos estados (PLP 149/19), com medidas emergenciais.

O texto está sendo chamado de Plano Mansueto Light, em alusão ao secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, idealizador do projeto original enviado pelo governo ao Congresso O Plano Mansueto previa, como contrapartida, ajustes mais profundos nas finanças estaduais. Os estados teriam que fazer um forte ajuste fiscal, com o corte de despesas de pessoal e a privatização de estatais locais.

A área econômica do governo classifica o Plano Mansueto Light como "uma verdadeira pauta bomba". Uma referências as pautas elaboradas pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) para detonar as contas do governo Dilma Russeff e proporcionar a sua derrocada.

O governo Bolsonaro vai tentar derrotar o substitutivo ao PLano Mansueto, ou seja, sua versão Light relatada pelo deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), que assumiu a função numa articulação pessoal de Rodrigo Maia. Mas dificilmente conseguirá. No máximo, algum tipo de acordo.

E o plenário da Câmara pode analisar, ainda nesta semana, outra pauta que o governo considera uma bomba contra as contas da área econômica: a ampliação da lista de trabalhadores informais beneficiados com a renda emergencial de R$ 600 paga pelo governo federal.

O texto já foi aprovado no Senado. Se passar pela Câmara, a responsabilidade pelo veto ou sanção cai sobre os ombros do presidente Jair Bolsonaro.

O projeto, de número 873/20, estende o benefício da renda emergencial também a categorias como pescadores artesanais e aquicultores, agricultores familiares, marisqueiros, taxistas, mototaxistas, motoristas de aplicativos e de transporte escolar, garçons, além de entregadores de aplicativos, caminhoneiros, catadores de materiais recicláveis, diaristas, trabalhadores da arte e da cultura, mineiros e garimpeiros, ministros de culto, missionários e teólogos, barraqueiros de praia, ambulantes, feirantes, camelôs, baianas de acarajé, manicures, pedicures e sócios de empresas inativas.

Por outro lado, a Câmara está criando dificuldades para aprovar uma medida provisória que está em pauta. O texto cria o Contrato Verde e Amarelo, programa de incentivo ao emprego de jovens.

O governo ainda não conseguiu acordo com o Centrão, de Rodrigo Maia, para aprovar o projeto. E a oposição trabalha pela obstrução. A MP perde a validade na próxima segunda-feira, 20 de abril, se não for votada.

Em outras palavras: o terreno está minado na Câmara, nesta semana, para o governo.
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