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"Bolsonaro quer desviar o foco do coronavírus com nova pauta", diz ACM Neto

ACM Neto - Foto Pedro Ladeira Folhapress -
ACM Neto - Foto Pedro Ladeira Folhapress
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

17/04/2020 10h21

Presidente nacional do partido Democratas e prefeito de Salvador, ACM Neto disse ao blog nesta manhã que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), faz bem em não aceitar polemizar com o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Em entrevista à CNN nesta quinta-feira, 16, Bolsonaro disse que Maia tem "péssima atuação" à frente da Câmara com o objetivo de atacá-lo. "Parece que a intenção é me tirar do governo", afirmou.

Procurado pela CNN, Rodrigo Maia respondeu que o momento é de tentar reduzir os danos causados pelo coronavírus à vida dos brasileiros e que preferia não comentar os ataques. "O presidente joga pedras e o parlamento joga flores", ironizou.

Ao blog, ACM Neto responeu: "Visivelmente, o objetivo do presidente foi desviar o foco da demissão do ministro [Luiz Henrique] Mandetta. Falou do Rodrigo para introduzir uma nova pauta, criando mais uma polêmica, e desviando do que é essencial: a preocupação das pessoas com o coronavírus".

O UOL perguntou ao presidente do DEM se essa estratégia de Bolsonaro vai dar certo. ACM afirmou:

"Penso que a expectativa dos brasileiros é que cada político faça a sua parte, assuma as suas responsabilidades e que haja união pelo Brasil. A estratégia da briga e da divisão não agrega nada e só contribui para aumentar as incertezas das pessoas no momento em que o que mais se busca é segurança e clareza na condução da crise."

ACM Neto não quis comentar a demissão do ministro Mandetta que é filiado ao DEM, nem responder se achava que Bolsonaro irá interferir na gestão do novo ministro, Nelson Teich.

Ontem, ele distribuiu nota em que disse esperar que "o novo ministro possa pautar as suas decisões em critérios técnicos e científicos". Na nota, o presidente do DEM elogiou o trabalho de Mandetta e completou: "Não temos dúvidas de que o ex-ministro ainda contribuirá muito para a vida pública nacional."