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Alexandre de Moraes faz a ponte entre o Centrão e o tucanato na Justiça

set-2016 - José Serra, Moreira Franco e Alexandre de Moraes assistem a discurso de Temer na ONU - reprodução NBR
set-2016 - José Serra, Moreira Franco e Alexandre de Moraes assistem a discurso de Temer na ONU Imagem: reprodução NBR
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

30/04/2020 14h25

O promotor de Justiça e professor de Direito Constitucional Alexandre de Moraes estreou na vida pública em 2002 graças PSDB. Mais precisamente, graças ao então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que o designou como secretário de Justiça e Defesa da Cidadania.

Mas ampliou seus horizontes políticos a partir de 2005, quando percorreu os corredores do Congresso Nacional em busca de apoio para ser designado membro do Conselho Nacional de Justiça.

Em pleno governo petista de Luiz Inácio Lula da Silva, conquistou a indicação da Câmara na vaga destinada aos "cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada". Apesar de tucano, chegou lá devido ao apoio do Centrão, que integrava o governo petista.

A aproximação com o Centrão lhe permitiu avançar no meio político. Se tornou um dos principais assessores entre 2007 e 2010 do então ex-deputado do DEM Gilberto Kassab, hoje presidente nacional do PSD, quando este foi prefeito de São Paulo.

Como secretário municipal de Transportes e, depois, acumulando a Secretaria de Serviços, transitou com desenvoltura política ao lado do prefeito e presidente nacional do PSD por todas as legendas do Centrão, em São Paulo e no país.

Em 2010, abriu seu escritório de advocacia, especializado em direito público. O trânsito pelo Centrão rendeu-lhe a defesa do então futuro presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB), em uma ação sobre uso de documento falso.

Hoje condenado e em prisão domiciliar, Cunha tornou-se durante algum tempo o grande chefe do Centrão. Aliás, também o ex-prefeito Kassab foi e continua sendo uma das principais lideranças do Centrão no país.

O PDD de Kassab, assim como outras legenadas da Câmara, como o DEM, o MDB e o Republicanos costumam negar que pertençam ao Centrão, ou até mesmo que exista esse grupo. Mas, nas votações, se articulam com os lideres de centro, como PP e vez por outra assumem publicamente que estão juntos.

Tudo isso junto e misturado, mais a fidelidade ao tucano Geraldo Alckmin —para cujo segundo governo Alexandre de Moraes retornou como secretário estadual de Segurança Pública— valeram-lhe a indicação a ministro da Justiça do governo do Centrão. Digo, do governo Michel Temer (MDB).

E foi daí que ele se tornou ministro do Supremo Tribunal Federal. Um ministro com supremo trânsito no Centrão. Curiosamente o mesmo grupamento político que o presidente Bolsonaro tenta atrair para seu governo.

Será que os dois continuarão se desentendendo?