PUBLICIDADE
Topo

Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Governo negociará valor do auxílio, entre R$ 162 e R$ 367

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

04/03/2021 12h46

Quem disse que o Congresso não faz mágica? Em vez de definir o valor do auxílio na Proposta de Emenda Constitucional, chamada de PEC Emergencial, foi votado um valor total a ser gasto. Ficou em R$ 44 bilhões.

Agora o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente Bolsonaro (sem partido) e os congressistas pegarão suas maquininhas de calcular e negociarão o valor do auxílio durante mais um período da pandemia, e quantas pessoas receberão.

São várias hipóteses. Variam desde R$ 162 para cada um, se forem os mesmos 67,8 milhões de beneficiados do ano passado, até R$ 367, se ficar só para 30 milhões de pessoas, como sugeriu o ministro da Economia.

Basta dividir os R$ 44 bilhões aprovados pelos parlamentares pelo número de pessoas a ser beneficiadas.

Se forem R$ 300 - como líderes da base governista e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, têm defendido - o auxílio emergencial chegará a quase 37 milhões de beneficiados. Se forem R$ 250, como já aceita a área econômica, o auxílio atingirá 44 milhões de pessoas.

Ou seja, chegou a hora de adaptar a matemática à política. No ano passado, a política deu as cartas: Guedes propôs R$ 200 de ajuda, mas o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, bateu pé e anunciou que seriam aprovados R$ 500. Aí Bolsonaro trucou: fechou o auxílio em R$ 600. Acabou ganhando popularidade com isso.

Depois dos primeiros meses, cortou para R$ 300, porque a matemática das contas não suportou o peso da política. E, desde dezembro, cortou geral.

Agora é diferente. Não deve haver queda de braço entre os manda-chuvas do Planalto e do Congresso. A tendência é que dividirão entre si os louros da definição do valor final. E Paulo Guedes vai adaptar tudo à fórmula mágica de R$ 44 bilhões definida pelo Congresso.

Por quatro meses apenas? Vai depender do andar da carruagem. Depois, o Congresso sempre poderá votar novamente uma outra solução, outro prazo, ou qualquer coisa assim.

O que interessa mesmo a Bolsonaro é tentar a reeleição em 2022. Para isso, ele agora torce pela vacina - apesar das firulas com sprays e outras bobagens. E que o auxílio emergencial ajude a manter vivos alguns dos seus eleitores. Pelo menos.