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Tales Faria

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Decisão de Fachin lança o país em busca do tempo perdido pela Lava Jato

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

08/03/2021 17h44

O passado agora nos aguarda.

O mais curioso dessa decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anulando todas as condenações de Lula pela equipe de Sérgio Moro, é que voltamos muitos anos na história do Brasil.

Pelo menos até as eleições de 2014, quando Lula já estava acossado pela Operação Lava Jato e, para não correr risco de uma derrota devido ao desgaste que sofria, acabou não concorrendo ao Planalto e permitiu que Dilma Rousseff fosse candidata à reeleição.

Dilma resistiria, como de fato resistiu e se candidatou. Mas Lula não bateu pé porque ele e o PT já estavam inseguros quanto a seu desempenho em meio às denúncias.

Dilma venceu Aécio Neves num clima de guerra. A polarização levou ao seu impeachment. O resultado, como disse Jair Bolsonaro, é que, se não fosse Sérgio Moro, o atual presidente não teria sido eleito.

Agora, com os processos anulados, Lula tornou-se novamente elegível. Será, muito provavelmente, o candidato do PT às eleições presidenciais de 2022, como poderia ter sido em 2014 ou 2018.

Dá para concluir que o país jamais estaria como ficou, agora, comandado pelo radicalismo bolsonarista. Foi um desastre.

Mas vale lembrar aquele provérbio, segundo o qual não devemos tentar voltar ao passado, porque, se isto ocorrer, não nos reconheceremos nele.

O Lula candidato em 2022 não terá pela frente Aécio, José Serra ou Marina Silva, como nos anos anteriores. Terá Bolsonaro.

O país tornou-se outro, mais polarizado, mais odiento. Pergunto: Como será agora o duelo entre esses dois polos?

Não dá para saber. Mas dá para concluir que foram cometidos muitos erros nesse período e nos vemos agora obrigados a voltar atrás.

Como se tivéssemos perdido todos esses anos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL