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Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

"A conversa foi feita para divulgação", diz senador citado por Kajuru

Jorge Kajuru - Jorge William / Agência O Globo
Jorge Kajuru Imagem: Jorge William / Agência O Globo
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

12/04/2021 10h10

O blog procurou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) para falar a respeito da conversa entre seu colega de Senado Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e o presidente Jair Bolsonaro divulgada nesse final de semana.

Kajuru postou nas redes sociais a gravação supostamente realizada no domingo. Nela, o presidente cobra que a CPI da Covid investigue também governadores e prefeitos. Bolsonaro insiste ainda na abertura de processo de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

"A linguagem foi irreverente, como é compreensível, embora não recomendável, em conversas privadas. Mas a conversa foi feita para divulgação. Daí o tom é equivocado", disse Alessandro Vieira ao blog.

Perguntado se ele acha que Kajuru e Bolsonaro combinaram a gravação para divulgar, Alessandro Vieira responde, enigmático:

"Não tenho como afirmar, os dois são imprevisíveis."

O blog perguntou a Alessandro Vieira se ele também quer ampliar o escopo da CPI para investigar governadores e prefeitos, conforme disse Kajuru na conversa com o presidente.

O senador enviou, então, um tuíte que havia postado no sábado, um dia antes da conversa:

O blog perguntou ainda se Alessandro Vieira sabia da gravação.

"Não sabia de nada disso. Só fui ver o vídeo dele no final da tarde de ontem, depois de receber de outros senadores. Acho que a conversa mostra um desconhecimento jurídico profundo, ao confundir CPI e impeachment, institutos totalmente diferentes, e um descuido com o respeito institucional que os respectivos cargos exigem. Se é uma conversa reservada, até cabe uma linguagem mais irreverente, mas não se é uma conversa formal, com objetivo de divulgação", disse.

Na verdade a desconfiança generalizada no Congresso é de que Kajuru e Bolsonaro teriam combinado a gravação.

Assim o presidente fortalece e dá mais divulgação ao pedido de impeachment feito pero senador contra o ministro Alexandre de Moares, do STF, sem dizer que defendeu publicamente o impeachment, mas numa conversa reservada sem que soubesse de sua gravação.

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