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Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Manifestações de 7 de setembro dividem a oposição

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

02/09/2021 10h25Atualizada em 02/09/2021 15h36

É melhor bater de frente com os bolsonaristas e enfrentá-los nas ruas ou é mas prudente ficar em casa? Isso é uma dúvida que assalta boa parte dos militantes de esquerda no momento. As lideranças partidárias, no entanto, são unânimes em afirmar que o embate não vale a pena. Mas os partidos de oposição se dividem quando se trata de ir ou não às ruas.

O PSB soltou nota com o seguinte argumento: "O bolsonarismo deseja o confronto, se move por ele e almeja a ocorrência de incidentes nas manifestações de 07 de setembro - pelo simples fato de que a virulência fascista depende da rotulação de inimigos para se propagar."

Baseada nisso, a direção do partido orienta sua militância a não participar das manifestações de rua do dia 7 de setembro.

Líder da oposição na Câmara, o deputado Alessandro Molon, do PSB do Rio de Janeiro, foi ontem à tribuna reclamar do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que até o momento não se declarou contrário ao protesto bolsonarista marcado para o Dia da Independência com ataques ao Congresso e aos ministros do Supremo Tribuna Federal (STF).

Molon também explicitou a divergência dentro dos partidos de esquerda quanto à programação de atos da oposição para o mesmo dia, embora não tenha citado explicitamente o Grito dos Excluídos.

Argumentou que o presidente Jair Bolsonaro prepara "uma armadilha contra a democracia" com confronto entre manifestantes "para invocar as Forças Armadas" e defendeu que a oposição promova atos em outro dia.

A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, do Paraná, também foi à tribuna. Mas usou uma argumentação oposta. Lembrou que o Grito dos excluídos ocorre há 21 anos no dia 7 de setembro e anunciou (aspas): "Nós do Partido dos Trabalhadores estaremos juntos com o Grito dos Excluídos, neste 7 de setembro, lutando pelas reais necessidades do povo". Gleisi sublinhou que os militantes estarão nas ruas, mas "não é para brigar".

De fato faz parte da estratégia dos aliados de Bolsonaro tentar se apropriar de marcos e marcas que não eram deles, como a bandeira do Brasil, o verde-amarelo e, agora, o 7 de setembro. Muitas vezes, usando a violência.

Essa análise da estratégia bolsonarista é que leva o PT e parte dos partidos de esquerda a defender uma resistência ativa, indo para as ruas.

Mas, por outro lado, também está correta a análise do PSB, de que um confronto nas ruas com os bolsonaristas pode servir de argumento para as teses intervencionistas do presidente da República. Seria uma saída para Bolsonaro, num momento em que está acuado pela situação de descontrole econômico, político e sanitário a que levou o país.

Pessoalmente, tendo a concordar com este argumento.