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Thaís Oyama


Renato Feder desagrada aos bolsolavistas, mas agrada a alguém

O secretário Renato Feder: sob a metralhadora olavista -                                 REPRODUçãO
O secretário Renato Feder: sob a metralhadora olavista Imagem: REPRODUçãO
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

03/07/2020 18h50

A metralhadora olavista já se voltou contra Renato Feder - e ele nem foi confirmado ainda no cargo de ministro da Educação.

A ala ideológica do governo considera que o MEC é deles -os pioneiros Ricardo Vélez e Abraham Weintraub, afinal, eram da turma.

Já para o bolsonarismo das redes sociais, a cadeira da Educação é estratégica demais para ser ocupada por um "não iniciado". Quem quiser sentar-se nela terá de provar que sabe manejar as armas da guerra cultural - o que, aos olhos dos bolsolavistas, não é o caso do empresário Renato Feder.

Além de não ter passado pelo madraçal do professor de filosofia online Olavo de Carvalho, Feder, atual secretário de Educação do Paraná, cometeu a heresia suprema de ter apoiado no passado o hoje governador de São Paulo e arquiinimigo do bolsonarismo, o tucano João Dória.

Feder desagrada aos bolsolavistas, mas agrada a quem?

Os militares, desta vez, não deram pitaco na indicação.

O Centrão nega ser o pai do candidato. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, que nega até mesmo que seu partido pertença ao Centrão, afirma que, ao contrário do que vem sendo dito, O PSD nada tem a ver com o nome de Feder. "Não o conheço e ele não é filiado ao partido", disse.

Sob o guarda-chuva do MEC está, entre outras joias da coroa, o FNDE. O órgão é responsável pela compra de livros, material didático, equipamentos e merenda escolar para a rede pública. No ano passado, seu orçamento foi de 55 bilhões de reais. Desde o mês passado, o FNDE está sob a esfera do PP, o partido do senador Ciro Nogueira.

Quando, e se Feder for anunciado como o quarto ministro da Educação do governo Bolsonaro, certamente também o nome de seus padrinhos virá à tona. Como se sabe, o fracasso é órfão, mas o sucesso tem muitos pais.

Thaís Oyama