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Thaís Oyama


Alerta amarelo para Bolsonaro nas redes

O presidente Jair Bolsonaro: escolha do titular do MEC balança as redes - Getty Images
O presidente Jair Bolsonaro: escolha do titular do MEC balança as redes Imagem: Getty Images
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

05/07/2020 05h00

Até hoje, Jair Bolsonaro havia perdido seguidores nas redes sociais apenas uma vez - e isso aconteceu quando Sérgio Moro deixou o governo. Foram mais de 45 mil os desertores no dia 24 de abril, data em que o ex-ministro da Justiça anunciou sua separação litigiosa do presidente.

Analistas das redes são peremptórios: passar a seguir alguém não significa necessariamente apoiá-lo, ainda mais quando esse alguém é o presidente da República, cujas decisões têm o condão de afetar a vida de 210 milhões de brasileiros. Mas deixar de seguir uma pessoa é outra conversa. Trata-se de uma ação de protesto, feita para sinalizar desagrado e decepção.

Pois isso aconteceu pela segunda vez com Bolsonaro na semana passada, ainda que numa escala bem menor do que a registrada em abril. Entre os dias 30 de junho e 4 de julho, 7 426 pessoas tomaram a decisão de não mais acompanhar o presidente no Twitter, Facebook e Instagram. O levantamento é da agência Bites.

Para quem soma mais de 37 milhões de seguidores nessas plataformas, a deserção de pouco mais de 7 mil não faz nem cócegas. Mas, considerando que desde 2017, à exceção do hiato Sérgio Moro, o presidente só GANHA audiência dia após dia, o sinal negativo quer, sim, dizer alguma coisa.

O período de 30 a 4 de julho compreende a queda do ministro Carlos Decotelli — só não menos vexaminosa para o próprio do que para o governo que o nomeou— e a indicação do empresário Renato Feder para substituí-lo.

Decotelli já não levantava a arquibancada bolsolavista, mas o nome de Feder foi recebido a tomatadas. Isso porque, além de não estar no front da guerra ideológica, revelou-se que ele já teve relações amistosas com o governador de São Paulo, João Dória. As críticas começaram a partir daí, mas evoluíram rapidamente.
De "amigo de tucano", Feder passou a ser criticado nas redes bolsolavistas também por ser "globalista" e "favorável à liberação da maconha". O fato de ele ser secretário de Educação do governo de Ratinho Júnior, do PSD, suscitou especulações de que sua indicação teria o dedo do Centrão. No sábado, o nome de Feder já tinha subido no telhado,

A insatisfação da militância bolsonarista para com o presidente também apareceu no radar da AP Exata, consultoria de análise de dados digitais. Relatório da consultoria divulgado na última sexta-feira afirma que, na internet, apoiadores do presidente "se dizem enganados e têm adotado a narrativa de que Bolsonaro nunca foi "conservador"". Segundo a consultoria, alguns desses seguidores "ensaiam movimentos políticos independentes, afastados do bolsonarismo".

Até hoje, o humor das redes sociais foi o norte de Bolsonaro. Mas isso foi antes que as trombadas do presidente e de sua família com a Justiça o levassem a se lançar nos braços do Centrão.

A escolha do novo titular do MEC vai sinalizar para onde aponta agora a bússola do ex-capitão.

Thaís Oyama