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REPORTAGEM

O vice dos sonhos de Bolsonaro, agora "inquilino" do PL, é o "anti-Temer"

Valdemar e Bolsonaro: o dono da casa e o inquilino Imagem: DIVULGAÇÃO/PL NACIONAL
Thaís Oyama

Colunista do UOL

29/11/2021 12h13

Se não mudar de ideia outra vez, Jair Bolsonaro encerra amanhã a sua errática caminhada na busca de uma sigla para concorrer à reeleição.

Filia-se ao PL, o maior partido do bloco do Centrão.

Lá, entrará como inquilino, já que o dono do imóvel se chama Valdemar Costa Neto.

E não obstante as promessas derramadas — entre elas, a de que "o Valdemar fará o que Bolsonaro quiser"— ninguém tem dúvidas de que, ao final, o cacique plenipotenciário do PL arrumará a casa do jeito que melhor lhe aprouver.

E o que quer Valdemar é usar o potencial de puxador de votos de Bolsonaro para multiplicar sua bancada na Câmara de modo a: 1) vitaminar o fundo eleitoral do PL nas próximas eleições; 2) tornar inevitável que o próximo governo, qualquer que seja ele, tenha de "conversar" com o seu partido para fazer maioria na Casa.

"Conversar", como se sabe, é a especialidade das legendas do Centrão, irmanadas pelos métodos e pelos interesses comuns, como lembrou Valdemar em áudio recentemente enviado a assessores.

Na mensagem, o presidente do PL defendeu o seguinte rachuncho: seu partido fica com a filiação de Bolsonaro e o PP com mais dois anos de presidência na Câmara. Ao final desse período, começa o rodízio: Arthur Lira (PP) deixa o cargo e é sucedido por alguém do PL, que depois libera a vaga para alguém do Republicanos. "Todos têm que crescer", proclamou o líder do Centrão no áudio divulgado pelo site Metrópoles.

Não por acaso, os planos anunciados por Valdemar excluem a indicação do vice de Bolsonaro por parte de qualquer sigla integrante do bloco em que todos têm de crescer.

Os motivos são simples: vice não ajuda a fazer deputados e ainda por cima amarra o partido ao nome do presidente — o que, para o Centrão, não é nada conveniente diante da hipótese de o presidente ser outro em 2023.

Assim, ninguém do bloco manifestou resistência frente a uma das condições colocadas por Bolsonaro para se filiar ao partido de Valdemar: a de que caberá a ele, Bolsonaro, e ninguém mais, a prerrogativa de escolher seu vice.

E qual o perfil desse vice? O presidente tende a um nome que agrade aos evangélicos, em especial aos da vertente neopentecostal — majoritariamente simpática a ele, mas cada vez mais cobiçada pelo ex-presidente Lula, hoje favorito nas pesquisas. O ex-senador Magno Malta foi a primeira opção do ex-capitão em 2018 e pode voltar a sê-lo.

Antes de tudo, porém, Bolsonaro sabe o tipo de vice que NÃO quer: alguém que tenha suficiente trânsito entre políticos de modo a, em caso de vitória da chapa, poder trabalhar para derrubá-lo mais tarde.

O critério exclui, de cara, nomes já aventados para o posto como o dos ministros Fabio Faria (Comunicações) e Teresa Cristina (Agricultura).

Bolsonaro, conhecido paranoico atormentado por fantasias de perseguição, afirma um colaborador do Palácio do Planalto, quer sobretudo "alguém em quem a política não confia", um anti-Michel Temer. Um vice, em suma, terrivelmente "impresidenciável".

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