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OPINIÃO

Moro empaca, Bolsonaro piora, mas é cedo para Lula crer em primeiro turno

Terceira via não decola e cenário Lula x Bolsonaro é hoje o mais provável Imagem: RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA E CAROLINA ANTUNES/PR
Thaís Oyama

Colunista do UOL

17/12/2021 11h44

Tudo indicava que não seria fácil para Sergio Moro: já se sabia que o ex-magistrado era rejeitado por lulistas e bolsonaristas, que era conhecido pela única faceta de "juiz da Lava Jato" e, portanto, tinha como plataforma de lançamento um tema de pouco apelo se comparado ao bem mais latejante problema da economia.

Agora, levantamento do Datafolha indica que as piores perspectivas vão se confirmando para o ex-juiz, que não chegou aos dois dígitos na pesquisa estimulada de intenção de votos (9%) e pontuou modestos 2% na pergunta espontânea.

Entre as vulnerabilidades de Moro, afirmam pesquisadores, estão as suspeitas do eleitor de que ele não está preparado para tirar o Brasil da crise econômica e de que tem pouca identificação com os mais pobres.

Estes continuam em peso com Lula.

Entre a população de renda mais baixa, o ex-presidente tem 40 pontos de vantagem sobre Jair Bolsonaro, que oscilou negativamente na intenção de votos e ganhou um ponto a mais no quesito rejeição.

Lula pontua para cima em quase todas as frentes e, segundo o Datafolha, se a eleição presidencial fosse hoje, ele teria chances de ganhar no primeiro turno.

Ocorre que a eleição não é hoje e a hipótese de vitória do petista já na primeira rodada esbarra em três elementos contundentes.

O primeiro é a sua taxa de rejeição, que caiu quatro pontos percentuais, mas continua alta (34%) e é historicamente responsável pelo fato de o PT nunca ter vencido uma eleição presidencial no primeiro turno.

O segundo elemento são os números retratados na pergunta espontânea de intenção de votos — a que mais conta, segundo especialistas, por retratar uma escolha que tende a estar consolidada.

Nessa modalidade, Lula, embora em curva ascendente, aparece com 32% — número que, ao contrário do que indicam os 48% que ele tem na pesquisa estimulada, distanciam o petista da perspectiva de vitória no primeiro turno.

Por último, é gritante o número de eleitores que, também na pesquisa espontânea, dizem ainda estar indecisos.

A dez meses das eleições, 36% dos entrevistados afirmam não saber em quem irão votar — e, por enquanto, é esse o público que decidirá quem, e quando, será eleito o futuro presidente do Brasil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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