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REPORTAGEM

S.C. conta o  outro lado da vida de um 'trisal' (parte 2)

Os atores Lara Flynn Boyle, Josh Charles e Stephen Baldwin em cena do filme Threesome (1994) Imagem: Divulgação
Thaís Oyama

Colunista do UOL

19/04/2022 04h00

Esta é parte da versão online da edição de segunda-feira (18) da newsletter de Thaís Oyama.

O pedagogo S.C. é casado com Mara, e os dois se apaixonaram por Lili, com quem vivem sob o mesmo teto. Na newsletter distribuída a assinantes, ele fala dos problemas práticos e familiares que enfrenta por ser parte de um "trisal", incluindo as dúvidas da filha de 11 anos. Para assinar o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

"Quando eu brigo com a Lili ou a Mara, as duas se juntam contra mim"

"Estou bem longe de ser o cara mais sortudo do mundo, como muita gente pensa.

Em casa tem duas TPMs, dois ciclos menstruais. Elas agora estão tentando alinhar o ciclo, já estão menstruando com uma semana de diferença só. Mas, por enquanto, são duas as semanas do mês que ninguém transa em casa.

E tem as brigas também (...)

O difícil é isso: quando eu brigo com a Lili ou com a Mara, eu brigo com as duas. Elas se juntam contra mim. E quando elas brigam entre elas, acaba o clima da casa.

Agora, a principal desvantagem de viver assim é perder as famílias. Nenhuma família aceita. Nenhuma das três. Já ouvimos que o que a gente faz é nojento.

Eu não posso mais viajar para o Rio Grande do Sul porque tenho medo que as minhas companheiras sejam ofendidas pela minha família. Faz dois anos que não falo com os meus irmãos.

A Lili não pode nos levar na casa dela porque a mãe não aceita. A Mara é a mesma coisa.

Minha sogra chegou a dizer que meu sogro adoeceu por culpa nossa — "por causa da putaria que vocês estão fazendo". Só que não é putaria. Nós nos amamos. E as pessoas não aceitam isso (...)

"Minha filha de 11 anos tem muitas dúvidas: "A Lili é minha mãe ou minha 'paia'?"

Eu faço questão que meus três filhos saibam que estamos num trisal porque existe amor. É uma relação afetiva, não é bagunça.

A mais velha está começando a questionar a situação. Ela tem 11 anos. Estuda numa escola construtivista, mas que na verdade não tem mais uma postura construtivista. Tanto assim que ensinaram pra ela que mãe e pai é que são família. E ela começou a questionar:

-Mas, como assim, mãe e pai? Aqui, a gente tem a mãe, tem o pai e tem a Lili.

A Mara falou:

- Nossa família é assim. Tem famílias de vários jeitos.

Aí ela continuou:

-Mas, mãe, o que a Lili é minha? Ela é minha mãe ou minha 'paia'?

Foi um momento difícil. Tentamos explicar pra ela que existem homens que gostam de mulheres, existem homens que gostam de homens. E também existem homens que gostam de homens e de mulheres. E mulheres que conseguem amar uma mulher e um homem (...)

A minha preocupação é: será que eu estou sendo prudente em ensinar essas coisas para a minha filha? Será que eu tenho as ferramentas corretas? Será que eu não vou bagunçar a cabeça dela? Eu temo isso, a Lili e a Mara também. Tanto que em casa todo mundo faz terapia há um ano — em conjunto e separadamente (...)

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