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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pesquisa que dá Simone Tebet empacada é balde de água fria na Faria Lima

Senadora Simone Tebet, anunciada na semana passada a candidata da coligação da terceira  via: tarde demais?  - Divulgação
Senadora Simone Tebet, anunciada na semana passada a candidata da coligação da terceira via: tarde demais? Imagem: Divulgação
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

13/06/2022 11h56

Um balde de água fria caiu nesta segunda-feira gelada sobre a Faria Lima, a avenida paulistana conhecida por concentrar escritórios dos mais prósperos empresários e investidores do país.

Simone Tebet — ungida "a melhor via para o Brasil" em manifesto divulgado na sexta-feira por um grupo de 300 empresários e economistas— apareceu empacada em 2% de intenção de votos na pesquisa BTG/FSB publicada hoje.

Mas a pior notícia para a senadora e seus apoiadores é outra: segundo o levantamento, não apenas o número de intenção de votos de Tebet estacionou.

Tampouco se mexeu a porcentagem que indica a possibilidade de crescimento futuro de seu nome. A taxa de "potencial de votos" da senadora era de 13% há três meses e continua sendo de 13% agora.

Simone Tebet, diziam há pouco especialistas em pesquisa, tem características capazes de fazer dela uma candidata mais competitiva do que Ciro Gomes (PDT).

Ao contrário do que ocorre com o ex-governador do Ceará, em sua quarta disputa presidencial neste ano, o nome de Tebet não soaria "vencido" para o eleitorado.

Mais: o fato de ter um perfil conservador, ter baixa rejeição, pertencer a um partido estruturado e com capilaridade nacional e ser mulher fariam dela uma estrela em ascensão em segmentos importantes.

A profecia teria tido mais chances de se realizar caso o eleitorado soubesse antes que Simone Tebet existia e poderia ser uma opção de voto.

A hipótese de fazer da senadora a cabeça de chapa de uma coligação entre o MDB, o PSDB, o Cidadania e o União Brasil foi colocada na mesa há quase sete meses.

Desde então, o que se viu foi uma sucessão de rabos de arraia entre os ex-governadores João Doria e Eduardo Leite para definir o pré-candidato tucano, seguida por um cabo-de-guerra entre caciques emedebistas, em alguns casos norteado por interesses bem mais individuais que partidários, e pela saída tumultuada do grupo do União Brasil, que na última hora decidiu abandonar o barco da terceira via e candidatar seu próprio presidente, Luciano Bivar.

A coleção de episódios pouco dignos de serem lembrados teve seu apogeu na reunião da Executiva do PSDB, quinta-feira passada, em que o presidente do PSDB, Bruno Araújo, e seu correligionário Aécio Neves trocaram insultos impublicáveis e por pouco não foram às vias de fato.

Desde que o nome de Tebet passou a frequentar as pesquisas, sua alta taxa de desconhecimento, aliada à baixa rejeição, era vista como um ativo. Hoje, a quatro meses da eleição, o fato de a senadora continuar desconhecida por 58% do eleitorado virou para ela um quase impeditivo.

No Nordeste, o segundo maior colégio eleitoral do país, a "melhor via para o Brasil", nas palavras dos donos do PIB, perde em intenção de votos até para André Janones. O antes obscuro deputado do Avantes crava 2% de intenção de votos na região. Tebet tem 0%.

Dizia-se que a terceira via não decolava porque era uma "ideia sem cara".

Sete meses depois, definida a cara, a ideia já não parece interessar a muita gente.