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OPINIÃO

Auto-intitulado "foda", Arthur Lira não está nem aí para Bolsonaro

Propaganda política de Arthur Lira nas TVs de Alagoas Imagem: Reprodução de vídeo
Thaís Oyama

Colunista do UOL

22/06/2022 11h35

"Arthur Lira é foda", diz o jingle do presidente da Câmara levado ao ar ontem pelas emissoras de TV de Alagoas. Os criadores da peça, revelada pelo colunista do UOL Chico Alves, mal se preocuparam em inventar uma rima para justificar o palavrão ("aê, aê, aê, Arthur Lira é foda, eu vou dizer por quê", diz a letra inicial da música, que em seguida lista as supostas realizações do deputado, candidato à reeleição pelo PP).

Arthur Lira ocupou o noticiário ontem ao defender a edição de uma medida provisória que permita mudanças na Lei de Responsabilidades das Estatais de forma a facilitar as trocas no comando da Petrobras —e a pretexto de, assim, ajudar o governo Bolsonaro a conter a alta nos preços dos combustíveis.

Lira quer, sim, enquadrar a Petrobras, mas isso pouco tem a ver com as prioridades do governo Bolsonaro (que, a essa altura, muitos de seus aliados já consideram ter ido para o vinagre).

A Lei das Estatais foi uma tentativa de evitar novos propinodutos que viessem a sangrar os cofres de empresas como a Petrobras — como ocorreu no caso do petrolão, que, na primeira lista de investigados divulgada pelo falecido ministro do STF Teori Zavaski atingiu mais de 40 políticos de cinco partidos, incluindo, evidentemente, o PP de Arthur Lira e o próprio.

Entre outras medidas, a Lei das Estatais passou a prever: travas para indicações político-partidárias para os quadros de comando das companhias, exigência de comprovação da capacitação dos candidatos a dirigi-las, e punição, inclusive com sequestro de bens, para funcionários acusados de malversação de recursos.

Agora, a pretexto de salvar o governo Bolsonaro dos estragos que estão lhe causando o preço dos combustíveis, Arthur Lira e seus aliados pretendem arrancar do Executivo uma medida provisória que, entre outras coisas, restabeleceria as indicações e o controle político sobre os quadros de comando das estatais, de forma que, não importa sob que governo, fique tudo como antes no quartel de Abrantes — ao menos entre a classe política e a Petrobras.

A primeira sempre tratou a estatal com "benevolência", como escreveu o presidente da Câmara no artigo publicado domingo na Folha, intitulado "Cai a máscara da Petrobras". Seus dirigentes, inclusive, afirmou, sempre foram tratados de "forma diferenciada", da mesma maneira que seus pleitos. Em suma, escreveu o "capo" do centrão, não sem uma dose de debochada ironia, a Petrobras é parte da "família".

Vale mesmo a pena, Petrobras, estragar tão boa relação?

Os governos passam. O centrão e suas regras ficam — eis o recado de Lira.

Aê, aê, aê.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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