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OPINIÃO

Governo quer decretar calamidade para aumentar em R$ 200 o Auxílio Brasil

O ex-ministro Milton Ribeiro: soterrando o discurso anti-corrupção de Bolsonaro Imagem: Reprodução/YouTube
Thaís Oyama

Colunista do UOL

23/06/2022 10h41

A prisão do ex-ministro da educação Milton Ribeiro reacendeu a briga entre integrantes do núcleo político do governo e o ministro da economia Paulo Guedes em torno da decretação do estado de calamidade pública.

Depois de uma manhã tempestuosa no Palácio do Planalto, com marqueteiros se reunindo às pressas com o presidente para orientá-lo a se distanciar de Ribeiro e jogá-lo logo ao mar, nomes como Ciro Nogueira, chefe da Casa Civil, e Valdemar Costa Neto (PL), um dos coordenadores da campanha presidencial, voltaram a defender a decretação do estado de calamidade, agora em caráter urgente e com o objetivo de contornar as restrições da lei eleitoral para aumentar o valor do Auxílio Brasil em R$ 200 (o valor atual é de R$ 400).

"É isso ou deixar o Lula jogando parado e ganhar a eleição no primeiro turno", disse um integrante do núcleo da campanha presidencial.

Até ontem, os planos da campanha eram de, a partir desta semana, tirar Bolsonaro da "agenda negativa" provocada pelo novo aumento do preço dos combustíveis e pela saída do terceiro presidente da Petrobras e colocar o presidente para viajar e divulgar realizações de governo.

O núcleo de campanha já havia agendado uma reunião no fim da tarde de ontem com Bolsonaro para apresentar ao presidente propostas de roteiro das próximas viagens, um mapeamento das pesquisas eleitorais no país e a linha de discurso a ser adotada daqui em diante.

Por essa proposta, o ex-capitão abandonaria os ataques ao sistema de urnas eletrônicas e se concentraria, por exemplo, no discurso da "preservação do emprego" em meio à crise e no de que as ações do governo na economia "evitaram que a situação estivesse muito pior", além de divulgar ações positivas da sua administração, com destaque para as realizadas pelo ministério da Mulher e da Família, da ex-ministra Damares Alves.

A reunião acabou atropelada pela prisão, por acusação de corrupção passiva, do ex-ministro por quem o presidente Bolsonaro disse que botaria a cara no fogo, e pela avaliação das suas consequências.

Da parte do núcleo político, a pergunta que se fazia era menos se o escândalo atingiria Bolsonaro e mais se — ou quando— chegaria ao FNDE, o bilionário fundo do Ministério da Educação controlado pelo PP, partido de Ciro Nogueira e Lira.

A prodigalidade do fundo e a forma como ele tem sido direcionado para beneficiar sobretudo políticos do PP já vinha despertando a ira e a cobiça de integrantes de partidos como o Republicanos, que se consideram excluídos na divisão do pote de ouro — e agora torcem secretamente para que o episódio Ribeiro possa mudar o destino dos seus donos.

Da parte dos coordenadores da campanha, passada a fase de desespero, o que se diz é: uma vez perdido o discurso do combate à corrupção, mais do que nunca é preciso voltar os esforços do governo para outro lugar: o bolso do eleitor.

Nesse sentido, todas as baterias estão voltadas para um mesmo alvo. Como diz um integrante do núcleo da campanha: "Paulo Guedes vai ter de entender que ele pode ser o âncora da macroeconomia, mas a três meses da eleição, o que importa é dar ao eleitor dinheiro na conta e comida no prato".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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