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Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

É impossível Bolsonaro ganhar sem diminuir a sua rejeição entre as mulheres

Jair Bolsonaro ao lado de Pedro Guimarães, ou "Pedro Maluco", como é conhecido o agora ex-presidente da Caixa - Antonio Cruz/Agência Brasil
Jair Bolsonaro ao lado de Pedro Guimarães, ou "Pedro Maluco", como é conhecido o agora ex-presidente da Caixa Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

30/06/2022 11h20

O caso Pedro Guimarães deve ter efeito reduzido ou nenhum na intenção de votos do presidente Jair Bolsonaro entre as mulheres. Mas a afirmação — do presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, coordenador do estudo "Mulheres e Eleições"— não deve ser motivo de otimismo para o ex-capitão. Muito antes pelo contrário.

Segundo Meirelles, o impacto eleitoral da revelação das acusações de assédio sexual contra um dos mais próximos colaboradores do presidente deverá ser limitado por dois motivos.

O primeiro é que o episódio tende a indignar com mais intensidade um público que já rejeita Bolsonaro: o das mulheres jovens. "Essas mulheres, mais identificadas com as causas feministas e identitárias, nunca declararam voto no presidente. Portanto, não há como ele "perder" pontos onde nunca teve", afirma Meirelles.

O segundo motivo é que, entre as eleitoras que estão com o Bolsonaro, a propensão é de dar pouca importância a temas como o do assédio. "Elas não estão atentas a essa temática e, além disso, sua determinação de voto, que já passou por outros testes, está muito consolidada".

No entanto, o fato de o escândalo fazer com que Bolsonaro "apenas" reafirme a sua rejeição junto ao eleitorado feminino jovem e não perca votos no segmento que já é dele não deveria tranquilizar o presidente.

Bolsonaro, concordam pesquisadores, precisa desesperadamente ampliar sua popularidade junto ao eleitorado feminino, majoritariamente ao lado de seu adversário, o ex-presidente Lula (PT).

Hoje, o ex-capitão encontra-se 19 milhões de votos atrás de Lula. Desse total, praticamente 17 milhões de votos são de mulheres, diz Meirelles.

"É matematicamente impossível o presidente ganhar a eleição sem diminuir de forma significativa a rejeição que ele tem hoje entre o público feminino", afirma o pesquisador.

Bolsonaro está num atoleiro. E o caso Pedro Guimarães tornará muito mais difícil o desafio de sair dele.