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Thiago Herdy

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Maioria vê a vida melhor na democracia do que na ditadura, diz pesquisa

Thiago Herdy

Colunista do UOL em São Paulo, foi repórter de O Globo, Época, Estado de Minas e Diário da Tarde. Integrou a equipe do FinCEN Files, investigação finalista do Pulitzer 2021. Vencedor dos prêmios Esso 2008 e 2010 e de menções especiais no Prêmio IPYS/Transparência Internacional, 2009 e 2011. Foi presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) no biênio 2016/2017. É formado em jornalismo pela PUC Minas.

Colunista do UOL

23/05/2022 04h00

Os ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao sistema de votação no Brasil e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vêm sendo interpretados por especialistas e parte considerável do mundo político como comportamento golpista que deve ser levado a sério.

O caldo engrossa quando vem à tona o apreço do presidente pelo período em que as Forças Armadas estavam à frente das decisões do país (1964-1985) e críticos eram silenciados para sempre.

O gosto pelo regime militar, no entanto, é algo ainda restrito a uma fatia de apoiadores do presidente, segundo os resultados da última pesquisa mensal do instituto Quaest, patrocinada pela Genial Investimentos, obtidos com exclusividade pela coluna.

De acordo com o levantamento, 6 entre 10 eleitores brasileiros afirmam que a vida é melhor no atual período democrático do que durante o período de regime militar.

O percentual dos que acreditam que a vida era melhor sob o regime militar é de apenas 17%.

Outros 21% não souberam ou não quiseram responder à pergunta dos pesquisadores, que foram a campo entre 5 e 8 de maio. Para esta pesquisa, 2.000 pessoas foram entrevistadas pessoalmente.

Saudade da ditadura

O levantamento também mostra que a maioria dos jovens brasileiros rejeita a propaganda bolsonarista sobre o passado verde-oliva. Um entre dez eleitores entre 16 e 24 anos diz acreditar que a vida deve ter sido melhor no regime militar.

Entre os maiores de 60 anos, no entanto, este número triplica. Nesta faixa etária, 30% dos entrevistados declararam-se saudosos da ditadura, contra 50% que se declararam democratas.

Os homens também mostram mais apreço pela farda.

Do total de eleitores entrevistados, 20% das pessoas de sexo masculino afirmam que a vida era melhor na ditadura, 14% das mulheres expressam a mesma opinião.

Eleições 2022

O levantamento mostra que eleitores que declaram voto em Lula e em Ciro Gomes têm olhar menos generoso para o período militar.

Entre os lulistas, 67% expressaram o apreço pela democracia; 76% dos ciristas também.

Metade dos apoiadores declarados de Bolsonaro disseram preferir democracia. Um terço dos eleitores prefere uma vida sob regime militar.