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Wálter Maierovitch

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Putin concorda com 'corredor dos grãos', mas minas marítimas são ameaça

O presidente russo, Vladimir Putin  - GETTY IMAGES
O presidente russo, Vladimir Putin Imagem: GETTY IMAGES
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Wálter Maierovitch

Wálter Fanganiello Maierovitch é magistrado de carreira. Aposentou-se como desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. Como juiz, especializou-se na área constitucional-processual e nos direitos penal e penitenciário. Tem inúmeros artigos publicados e no campo do direito penal dedicou-se ao tema da criminalidade organizada transnacional. Pela colaboração com a Itália no tema criminalidade mafiosa recebeu do presidente da República Oscar Luigi Scalfaro e do premier Romano Prodi a comenda de Cavaliere della Repubblica. Na Magistratura foi juiz eleitoral e juiz do Tribunal Regional Eleitoral com sede em São Paulo. Foi o primeiro secretario nacional para o fenômeno das drogas ilícitas junto ao gabinete da Presidência da República: governo Fernando Henrique Cardoso. Como perito e observador atuou em Assembléia Especial das Nações Unidas para as convenções sobre drogas proibidas. Atuou e auxiliou, também, nos trabalhos da Convenção da Organização das Nações Unidas de contraste à Criminalidade Transnacional (Convenção de Palermo). Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo, turma de 1971. É professor emérito de direito penal e de direito processual penal. Foi do Conselho Diretor da Escola Paulista da Magistratura e como convidado ministra aulas na Escola Superior do Ministério Público de São Paulo. Por dez anos dedicou-se, como professor, a cursos de preparação para ingressos à Magistratura e ao Ministério Público. Tem três livros publicados. A sua última obra acabou de ser lançada (maio de 2021) pela Editora Unesp. Título: Máfia, Poder e Antimáfia ?um olhar pessoal sobre uma longa e sangrenta história. Já foi articulista semanal da revista Carta Capital, de 2001 a 2017. É comentarista do quadro Justiça e Cidadania da Rádio CBN desde 2002. Foi representante do Brasil junto a OEA-CICAD, ONU-UNDCP e União Européia com relação aos temas drogas ilícitas e criminalidade: governo FHC.

Colunista do UOL

29/05/2022 13h58Atualizada em 29/05/2022 17h36

A bandeira da Ucrânia é azul e amarela. Representa o azul do céu a pairar acima dos campos de cereais, de grãos.

A Ucrânia é o celeiro agrícola da Europa. Também o grande fornecedor de trigo para as Nações Unidas atenderem ao permanente e desumano problema da fome na África.

O capital internacional investe pesadamente nos produtos agrícolas ucranianos: trigo, cevada, centeio, milho.

Como se sabe e, em face da invasão da Ucrânia, EUA e União Europeia baixaram várias sanções econômica à Rússia. Bancos russos, por exemplo, não operam no sistema telemático compensatório da prestadora de serviços Swift. O rublo foi afetado e bloqueios de bens de oligarcas realizados.

Por outro lado e ainda no campo dos bloqueios, as embarcações russas de guerra impedem a entrada e a saída de navios pelo porto ucraniano de Odessa. Em Odessa, e antes da guerra, escoavam as safras agrícolas ucranianos. Ou seja, a economia ucraniana, —no seu setor primário—, está sendo "sufocada".

O risco da fome virou preocupação mundial.

Para que os navios de guerra russos não se aproximassem de Odessa, as forças ucranianas encheram o mar Negro de potentes minas. Se os russos tomarem o porto de Odessa, a Ucrânia, numa projeção geoestratégica, perde definitivamente a guerra.

Imagens mostram a saída de grãos desviados, roubados, por soldados russos. São levados à Crimeia e embarcados, segundo os serviços de inteligência europeia e norte-americana, para território russo.

Diante do risco alimentar aos africanos, a ONU acionou o sinal de alarme e a diplomacia entrou em ação.

O presidente francês Macron e o chanceler alemão Scholtz ligaram ao presidente russo Putin.

A princípio, tudo acertado. A Rússia promete não atacar as embarcações comerciais, formado um corredor marítimo. "Corredor dos Grãos", como está sendo chamado entre diplomatas envolvidos em ações humanitárias.

O problema são as potentes minas explosivas colocadas pelos ucranianos. Elas impedem a chegada dos soldados russos pelo Mar Negro, mas impossibilitam, também, as entradas de navios vazios e as saídas de carregados do porto de Odessa.

Amanhã, 30 de maio, a diplomacia europeia se reúne em Bruxelas para viabilizar o chamado "corredor dos grãos". Ainda mais: para acertar os ponteiros com o presidente turco Erdogan, pois a Turquia controla o estreito de ingresso no mar Negro.

O ministro da Defesa italiano, Lorenzo Guerini, está pronto a oferecer especialistas e uma frota especializada em retirar ou desmontar minas do mar.

Negócios à parte, os russos continuam a bombardear a região de Donbass e a guerra, pelo que se percebe, está longe do fim.