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Uma iniciativa do UOL para checagem e esclarecimento de fatos

Símbolo de facção criminosa apareceu em vídeo de Alckmin

Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Do UOL, em São Paulo

04/09/2018 12h42

Um clipe da campanha de Geraldo Alckmin, candidato à presidência pelo PSDB, foi divulgado pela sua assessoria com duas referências à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e substituído por uma nova versão. Perfis em redes sociais difundiram a informação e o projeto Comprova verificou que, de fato, há duas edições diferentes.

Na manhã do dia 28 de agosto de 2018, a assessoria do tucano divulgou um jingle do candidato em um grupo de WhatsApp destinado a jornalistas que cobrem a campanha de Alckmin. Logo nos primeiros segundos do vídeo, uma jovem percorre as vielas de uma favela e numa bandeira do Brasil aparece a inscrição “15 3 3” no lugar de "Ordem e Progresso". A combinação dos algarismos é uma referência à posição em que as letras PCC aparecem no alfabeto (“P” é a décima quinta e “C” é a terceira). O PCC teve origem em São Paulo. 

Embora a própria campanha de Geraldo Alckmin tenha divulgado o vídeo, o site do presidenciável publicou um “desmentido” em que acusa “mentirosos de plantão” de usarem uma “versão não oficial do clipe, que vazou na internet” e a editarem “para inserir imagens em alusão ao crime organizado”.

A equipe de Alckmin acabou distribuindo uma nova versão do jingle, produzida pela Farol Filmes, da qual um dos sócios é Lula Guimarães, marqueteiro-chefe da campanha do tucano. O "Estadão Conteúdo" noticiou a mudança no vídeo.

O portal “Poder360” manteve os dois vídeos em seu canal no YouTube para que as cenas possam ser comparadas.

Na primeira versão do videoclipe, o “15 3 3” é mostrado aos 8 segundos, dentro de uma bandeira do Brasil (no lugar da inscrição “Ordem e Progresso”). A inscrição volta a aparecer quando o vídeo chega a 1 minuto.

Na segunda versão, a jovem ganhou mais destaque, ficando ao centro da imagem e a bandeira foi desfocada manualmente. Ao ser questionada sobre o motivo da mudança, a equipe de marketing de Alckmin alegou questões “técnicas”.

No dia 30 de agosto de 2018, uma postagem do perfil no Twitter chamado "Corote" divulgou trecho do vídeo de Alckmin. A publicação dá link para o “Poder360”, mas usa um vídeo montado com parte de um texto publicado no site “Tribuna do Paraná”. Este tweet foi visto 72,5 mil vezes e teve 1,3 mil compartilhamentos.

A presença do PCC em São Paulo é um dos temas mais explorados pelos adversários de Alckmin. Ele governou o estado por duas ocasiões (2001-2006 e 2011-2018) e é constantemente questionado sobre o crescente aumento da facção nesse período.

Os vídeos foram verificados pelo “Poder360”, pela revista “Veja” e pela rádio “BandNewsFM”, além do "SBT", do UOL e dos jornais "O Povo" e "Gazeta do Povo", todos integrantes do projeto Comprova.

O Comprova é um projeto integrado por 24 empresas brasileiras de mídia que investiga e explica rumores, conteúdo forjado e táticas de manipulação associadas às eleições presidenciais do Brasil. Envie sua pergunta ou denúncia de boato falso pelo WhatsApp 11 97795-0022.

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