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O trânsito e o transporte em São Paulo viram mesmo um caos em dezembro?

Leonardo Martins e Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

13/12/2017 11h00Atualizada em 26/12/2017 10h12

Pessoas andando com sacolas por todo lado, filas de carros nas proximidades de áreas de comércio, festas para confraternização quase diárias. A cena, típica de fim de ano, faz com que se pense que o número de pessoas em deslocamento pela cidade de São Paulo no último mês do ano seja maior do que a média no resto do ano.

Mas será que São Paulo fica realmente um caos em dezembro? Dados levantados pela reportagem do UOL mostram que a cidade tem um trânsito melhor, mas com focos de congestionamento em áreas comerciais. Já no transporte público, a lotação é tão intensa quanto em outros meses do ano, despencando após a celebração natalina.

Confira os dados sobre o trânsito e o transporte público em São Paulo:

As ruas de São Paulo estão mais engarrafadas em dezembro, né?

PELO CONTRÁRIO

De acordo com monitoramento da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), responsável por organizar o trânsito na capital paulista, há uma redução na lentidão em relação a congestionamentos nas vias da cidade na comparação com os meses do segundo semestre.

“Mesmo com a movimentação intensa nessa época do ano em áreas específicas, como as regiões de comércio popular e imediações de shoppings, a CET estima uma redução de 20% no número total de viagens realizadas nos principais corredores de tráfego”, diz a companhia por meio de nota.

Já segundo a Maplink, empresa de tecnologia de logística que monitora o trânsito em mais vias do que a CET, a média de congestionamento da cidade em dezembro do ano passado foi ligeiramente menor do que o registrado nos quatro meses anteriores.

“Apesar de o mês de dezembro apresentar um número maior de pessoas nas ruas por conta das compras de Natal, há uma diminuição geral do trânsito na cidade por conta do período de férias escolares e corporativas”, avalia a CET.

Segundo a última pesquisa “Origem e Destino”, do Metrô de São Paulo, com dados de 2012, oito em cada dez deslocamentos da cidade, independentemente do meio de transporte utilizado, são por motivo de trabalho ou de estudo. “Na hora que você ‘tira’ a escola da rotina, por exemplo, você está tirando a metade do potencial de viagens, isso é muita coisa”, avalia Sergio Ejzenberg, engenheiro civil e mestre em Engenharia de Transportes pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo).

Os ônibus e os trens do metrô estão mais lotados em dezembro?

CONTROVERSO

Se for considerado os dias antes do Natal, ou seja, até 23 de dezembro, é possível dizer que o ônibus e o metrô estão tão ou mais lotados do que na comparação com outros meses do ano.

Entre 1º e 23 de dezembro do ano passado, por exemplo, a média de passageiros transportados por dia nos ônibus paulistanos foi de 8,46 milhões, de acordo com levantamento do UOL na base de dados da SPTrans, que gerencia o transporte coletivo na capital paulista. Esse número é o maior do ano, ganhando por 10 mil passageiros de agosto, o "mês cheio" mais movimentado com 8,45 milhões.

Já na semana entre o Natal e o Ano-Novo, ou seja, de 24 a 31 de dezembro, a média de passageiros transportados pelos ônibus despenca e fica em 5,5 milhões, um número bem menor que o dos meses mais tranquilos: janeiro, fevereiro e julho.

No Metrô, a demanda de usuários sofre uma ligeira queda nos períodos de férias escolares. “Não há qualquer aumento no fluxo de passageiros no mês de dezembro por conta das compras de Natal”, segundo a estatal, que opera todas as linhas da capital paulista, com exceção da 4-amarela, que é operada iniciativa privada.

No último mês do ano passado, por exemplo, a média diária de usuários do Metrô foi de 3,5 milhões de passageiros. De agosto a novembro, ela ficou em torno de 3,8 milhões, assim como no período entre março e junho.

Um movimento parecido é verificado na linha 4, operada pela ViaQuatro. Na média de 2016, em dezembro, foram transportadas 618 mil pessoas por dia, sendo esse o segundo mês menos movimentado, ficando na frente apenas de janeiro, com 613 mil.

Porém, nas três primeiras semanas do último mês do ano, até o dia 23 de dezembro do ano passado, a média ficou em 677 mil por dia, número próximo ao dos outros meses do ano, que variam entre 710 mil (março) e 683 mil (junho), deixando de lado julho, mês de férias escolares, com 644 mil.

Mas tem mais gente indo para os shoppings?

VERDADE

Dados do aplicativo Waze, que auxilia motoristas no trânsito, apontam que, no último mês do ano, há um aumento de 22% no número de viagens que envolvem algum tipo de shopping em relação aos outros meses.

O aplicativo, que tem mais da metade dos seus usuários no país baseada em São Paulo, diz que esse movimento rumo a lojas se intensifica entre 19 de dezembro e a manhã da véspera de Natal. “Há um aumento considerável [nas rotas rumo] aos shoppings, pois, nesses lugares, há uma concentração de serviços e lojas”, pontua Andre Loureiro, diretor-geral do Waze no Brasil.

Se não há uma intensificação no congestionamento, como mostrou a CET, as pessoas deslocam-se mais em carros, segundo dados do Waze. No último mês do ano passado, por exemplo, o aplicativo de trânsito registrou uma média de 194 quilômetros rodados por motorista, a maior entre os doze meses, tendo julho sido o que ficou mais perto, com 187 quilômetros.

“Há um aumento considerável [nas viagens] nos dias que antecedem o Natal. Afinal, é o momento de deixar tudo pronto para a data”, avalia Loureiro. “Depois do Natal, como costume do brasileiro, é hora de tirar o pé do acelerador e descansar um pouco”.

Sobre as regiões de comércio, aliás, a CET diz que, desde novembro, ela reforça seu efetivo operacional para monitorar o trânsito nos locais considerados de grande movimentação de veículos e pedestres, como as regiões de comércio popular (Brás, Santa Ifigênia, Mercado Municipal, rua 25 de Março) e shoppings.

“De férias, os pais e as crianças vão ao shopping, ao cinema. O fluxo fica maior nesses locais. Existe uma transferência dos pontos de congestionamento de áreas de escola pra áreas comerciais”, pontua Horácio Figueira, também mestre em Engenharia de Transportes pela USP.

Para fugir do formigueiro perto de centros comerciais, Ejzenberg sugere um melhor planejamento para as pessoas. “A melhor maneira é se programar e fazer com antecedência. Ir na mesma hora em que todo mundo vai fazer a mesma coisa, você vai encontrar tudo lotado”.

Seu colega, Figueira, também lembra que momento em que se paga o salário também influi nos deslocamentos pela cidade. “Para quem recebe salário no quinto dia útil, mais se tem recursos para comprar tudo o que se precisa para as festas, a avenida trava, tem pedestre na rua. Agora, quanto mais para o final do mês, menor é o movimento nas ruas”.

E a culpa dessa sensação de “sufoco” na cidade também é culpa da mídia, diz Ejzenberg. “A mídia foca no shopping congestionado, aquelas imagens da rua 25 de março entupida de gente. E é claro que isso dá uma sensação de ‘sufoco’, parece que tem milhões de pessoas. Mas isso é visto apenas nesses locais específicos, não na cidade como um todo”.

Com base nos dados de mobilidade, Ejzenberg ainda ressalta que quem precisa trabalhar ou estudar acaba congestionando as vias. “E essas pessoas não estão carregando nada a não ser uma bolsa ou uma sacola. Logo, elas não precisam de carro. Elas têm um destino certo, um horário certo. Essas pessoas deveriam usar transporte de massa, ônibus, metrô”.

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