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Mensagem exibe lista falsa de livros raros incendiados no Museu Nacional

Arte/UOL
"A Bíblia de Mogúncia" está a salvo no acervo da Biblioteca Nacional Imagem: Arte/UOL

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/09/2018 12h35

Uma mensagem que tem circulado nas redes sociais desde a última segunda-feira (3) lamenta a perda do acervo de escrituras do Museu Nacional do Rio de Janeiro, durante o incêndio ocorrido no último domingo (2).

Ainda não se sabe exatamente tudo o que foi perdido entre os milhões de itens em diferentes áreas. Os bombeiros afirmam ter conseguido salvar uma pequena parte do acervo.

Entre o que foi perdido, o texto lista uma série de escritos históricos, como a primeira edição de "Os Lusíadas", de Luís de Camões, datada de 1572; a primeira edição de "Arte da Gramática da Língua Portuguesa", do Padre José de Anchieta, de 1595; e o primeiro jornal impresso do mundo, de 1601.

Também teriam sido queimados "A Crônica de Nuremberg", de 1493, considerado o livro mais ilustrado do século 15, com mapas xilogravados tidos como os mais antigos em livro impresso, e "A Bíblia de Mogúncia" (1462), primeira obra impressa a conter informações como data, lugar de impressão e os nomes dos impressores -- os alemães Johann  Fust e Peter Schoffer, ex-sócios de Johannes  Gutenberg, criador da primeira prensa.

FALSO: livros raros citados em lista não pertenciam ao museu

A informação é falsa. Os escritos relatados pela corrente não estão entre os milhões de artigos preciosos perdidos no incêndio.

A lista descrita está no Brasil, mas pertence à Biblioteca Nacional, também no Rio de Janeiro. Ao UOL, a área de Obras Raras da instituição, onde os escritos ficam guardados, confirmou que não foram emprestados ao museu e estão a salvo.

A corrente copia de forma idêntica a lista de obras raras do site da instituição. Aos interessados, também é possível fazer uma pesquisa online para ter acesso ao catálogo do acervo.

O que foi perdido

Como os escombros do incêndio ainda estão sendo retirados, não se sabe ao certo tudo o que foi perdido, embora já haja uma noção de que a maior parte do acervo foi atingida. Estima-se que as áreas de arqueologia, paleontologia, antropologia e invertebrados foram total ou quase totalmente destruídas.

São milhões de itens valiosos, como afrescos de Pompeia, do século 1º, trazidos pelo cunhado de dom Pedro 2º; o sarcófago da dama Sha-Amun-Em-Su, que viveu no Egito entre os séculos 9º a.C. e 8º a.C.; o crânio de Luzia, esqueleto humano mais antigo do Brasil, com 12 mil anos de idade; uma múmia do Atacama, no Chile, com 4 mil anos; e dezenas de esqueletos completos de dinossauros que habitavam o Brasil há milhões de anos.

Já as coleções de vertebrados e botânica, além da biblioteca, ficaram a salvo por terem sido transferidas para um prédio novo, relativamente distante do antigo palácio imperial.

A esperança de pesquisadores de áreas como arqueologia e paleontologia repousa, por enquanto, nos chamados armários compactadores, adquiridos recentemente, onde muitos itens estavam depositados e não foram destruídos pelo fogo.

Dos artigos mais importantes do museu, o meteorito do Bendegó, exposto na sua entrada, não foi destruído no incêndio. Com 5,36 toneladas, é o maior meteorito encontrado no Brasil, em 1784.

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