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Eleição de Bolsonaro não colocou Brasil em lista de ditaduras da ONU

Arte UOL/Marcio Komesu/UOL
Imagem: Arte UOL/Marcio Komesu/UOL

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL

05/02/2019 04h04

Um texto que tem circulado nas redes sociais afirma que o Brasil teria entrado para uma polêmica lista da ONU (Organização das Nações Unidas) depois da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para presidente. De acordo com este texto, o país passou a ser classificado como "ditadura".

Com Bolsonaro no poder, Brasil entra na lista da ONU como um país de ditadura e preocupa

A publicação cita o relatório anual da ONG HRW (Human Rights Watch), teoricamente publicada em conjunto com as Nações Unidas. Segundo o texto, Bolsonaro estaria ao lado de Nicolas Maduro, da Venezuela, e Recep Erdogan, da Turquia, "considerados ditadores".

FALSO: ONU não colocou Brasil em lista de ditaduras

A ONU não tem uma lista de países de ditaduras e a HRW, instituição citada na mensagem falsa, não pertence à organização.

A publicação mistura duas organizações: a ONU e a HRW, principal ONG de luta pelos direitos humanos no mundo. A segunda é responsável pelo Relatório Anual de Revisão dos Direitos Humanos no mundo -- e não as Nações Unidas.

A assessoria de comunicação da ONU no Brasil classificou a publicação como "falsa". Segundo a organização, o texto "nada tem a ver com as Nações Unidas". Não há nenhuma lista de ditaduras publicada pela instituição e o UOL não encontrou qualquer publicação da ONU que relacionasse Bolsonaro a um regime ditatorial.

O mesmo engano é feito com a lista da HRW. Bolsonaro é, de fato, citado pelo diretor executivo da organização, Kenneth Roth, em um artigo que faz introdução ao relatório de 2019. Não há, no entanto, o uso de "ditadura" ou "regime ditatorial", mas de "autocracia".

O Brasil elegeu como presidente Jair Bolsonaro - um homem que, com grande risco à segurança pública, encoraja abertamente o uso de força letal por policiais e membros das forças armadas em um país já devastado por uma alta taxa de homicídios causadas por forças policiais e mais de 60.000 homicídios por ano
Kenneth Roth, diretor executivo da HRW

Na publicação, o presidente brasileiro é relacionado a Recep Erdogan, da Turquia, Abdel Fattah al-Sisi, do Egito, e Rodrigo Duterte, das Filipinas, como exemplos de figuras autocráticas. Mas não há uma lista de "países de ditadura".

Além disso, o Brasil não foi um dos destacados entre os países que mais preocupam em relação ao desrespeito aos direitos humanos - antes ou depois da eleição de Bolsonaro. São eles: China, Egito, Estados Unidos, Filipinas, Hungria, Iêmen, Myanmar, República Democrática do Congo, Síria, Rússia, Turquia e Venezuela.

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