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Governo Lula não doou R$ 24 milhões ao Hamas

Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Anita Grando Martins

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

27/04/2019 04h00Atualizada em 29/04/2019 14h16

Uma mensagem que está sendo compartilhada nas redes sociais afirma que o governo brasileiro, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) era o presidente, teria doado R$ 24 milhões ao movimento radical islâmico Hamas, que é considerado terrorista por Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Japão. A postagem é ilustrada com uma foto de Lula ao lado de uma pessoa identificada como "líder do Hamas".

FALSO: É mentira que governo Lula tenha doado R$ 24 milhões ao Hamas

A corrente ainda traz links para diversos textos que abordam o tema. No YouTube, também é possível encontrar vídeos com o mesmo conteúdo.

A informação de que Lula doou R$ 24 milhões ao Hamas faz parte de outra notícia falsa. Em 2010, o Governo Brasileiro destinou R$ 25 milhões à Autoridade Nacional Palestina (ANP), organização criada para ser o governo provisório dos palestinos até o estabelecimento de um Estado independente. Desde 2005, o presidente da ANP é Mahmoud Abbas, integrante do Fatah, partido de oposição ao Hamas. A comunidade internacional não classifica o Fatah como um grupo terrorista.

A doação brasileira foi feita com autorização da Lei 12.292 para ajudar na reconstrução da Faixa de Gaza, devastada durante uma ofensiva militar israelense de 22 dias em 2009. Na época, a Organização das Nações Unidas (ONU) estimou a morte de pelo menos 1.300 pessoas, além da destruição de 14 mil casas, 219 fábricas e 240 escolas.

Entre os outros países que destinaram recursos à ANP naquele momento estavam a Arábia Saudita (US$ 1 bilhão) e os Estados Unidos (US$ 900 milhões). Ao todo, foram arrecadados US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 17,8 bilhões).

A pessoa que aparece na foto com Lula foi identificada pela Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBM-RJ) como o xeique Khaled Rezk El Sayed Taky El-Din, "conhecido líder religioso da comunidade muçulmana brasileira, natural do Egito e residente em São Paulo".

A SBM-RJ ainda informou desconhecer qualquer vinculação dele "com organizações internacionais, muito menos extremistas". El-Din já ocupou o cargo de secretário-geral da Diretoria Executiva do Conselho Superior dos Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil.

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