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Uma iniciativa do UOL para checagem e esclarecimento de fatos


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É falso que enfermeiros usem testes de covid em crianças para golpe em SP

Imagem de enfermeiros circulou nas redes sociais nos últimos dias - Arte/UOL
Imagem de enfermeiros circulou nas redes sociais nos últimos dias Imagem: Arte/UOL

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

09/09/2020 04h00

Circulou na última semana em grupos de WhatsApp um boato de que falsos enfermeiros estariam indo em residências de alunos de escolas de São Paulo para aplicar golpes. Os supostos profissionais de saúde teriam utilizado como pretexto a testagem para covid-19 nas crianças, que hoje é feita pela Prefeitura como parte de um inquérito sorológico a fim de saber mais detalhes sobre os alunos e o novo coronavírus. Nas mensagens, não foi explicado como o golpe funcionaria.

Uma imagem, aparentemente retirada de uma câmera de vigilância, circulou nas redes sociais apontando para os supostos golpistas. A informação, no entanto, é falsa. O UOL apurou que as pessoas que aparecem na imagem são funcionários da Secretaria Municipal de Saúde que trabalham no inquérito sorológico e queriam fazer a testagem de um aluno de uma escola de São Paulo.

Segundo a Prefeitura, as pessoas que aparecem na imagem que ilustra esta reportagem são uma enfermeira e uma estagiária que atuam na AMA/UBS (Assistência Médica Ambulatorial/ Unidade Básica de Saúde) Integrada Vila Sônia. As duas pessoas, que terão seus nomes preservados, atuam no trabalho de campo do inquérito sorológico com crianças e adolescentes da cidade.

"Por se tratar de uma pesquisa que necessita de testagem domiciliar, a SMS ressalta sua preocupação com a segurança dos munícipes e esclarece que os moradores sorteados poderão ser contatados por telefone pela unidade para serem orientados sobre a metodologia e a importância da pesquisa. Quando não é possível esse contato telefônico, por não haver cadastro do aluno na unidade ou por outro motivo, os profissionais de saúde poderão ir à residência ou outros locais", disse a Prefeitura ao UOL.

Casos semelhantes foram relatados em outros estados, como Minas Gerais e Goiás. A agência de checagens Lupa analisou em março estes boatos, e também os classificou como falsos.

Repercussão nas redes sociais

A partir da imagem divulgada erroneamente como uma suposta atuação de falsos enfermeiros como golpistas, publicações de mães de alunos em grupos de WhatsApp ganharam ampla repercussão e dominaram as redes sociais na quarta-feira passada (2). O boato tomou proporções ainda maiores quando uma "influencer" com quase 100 mil seguidores postou a foto dos profissionais.

"Já averiguei as informações e são verídicas. Assustador, eu diria. E já recebi um caso parecido. E já recebi outro caso parecido. (...) Então, avisem as mamães perto de vcs, as escolas, o condomínio e quem cuida da sua criança", escreveu a influenciadora em seu perfil no Instagram, em uma publicação que foi apagada horas depois.

Outra mensagem que circulou em grupos de WhatsApp dizia que os enfermeiros "interfonaram pedindo para uma mãe descer com a criança para fazer teste de covid. Disseram que a escola havia solicitado, inclusive tinham dados da família e da criança. A mãe desconfiou e não desceu. A equipe 'médica' ficou brava, entrou num furgão e fugiu. (...) Cuidado!!!! Avisem a todos que cuidam dos seus filhos!!!".

Esse mesmo texto fora publicado por outra influenciadora nos seus "stories", o que ajudou a impulsionar a notícia falsa.

Como funciona o inquérito sorológico

O inquérito realizado pela Prefeitura, citado nas mensagens que circularam na semana passada, tem como objetivo analisar a contaminação do novo coronavírus nas crianças que estudam nas escolas de São Paulo. São quatro fases diferentes da pesquisa, de acordo com as faixas etárias dos alunos. No momento, a Prefeitura está na terceira fase do inquérito, na qual analisa 6.000 alunos das redes públicas municipal, estadual e da rede privada de ensino.

A seleção dos alunos é feita de forma aleatória, com sorteio realizado pelos postos de saúde da região de cada aluno. "O material e as informações somente serão coletados após a assinatura dos termos de consentimento livre e esclarecido pelo responsável legal, e pelos termos de assentimento (para menores de 7 a 10 anos e de 11 a 14 anos). Somente diante do aceite do munícipe, é iniciada a testagem — que consiste na coleta de amostra sanguínea, realizada sem risco à saúde e por profissional capacitado", diz a Secretaria Municipal de Sáude. Os testes são gratuitos.

As amostras estão sendo enviadas a um laboratório associado à SMS, e os resultados são informados aos pais que autorizaram a pesquisa. No último dia 27, a Prefeitura divulgou os resultados da segunda fase do inquérito, que constatou que 18,3% dos alunos averiguados já tinham sido contaminados pela covid-19. A secretaria também concluiu que 69,5% das crianças que tiveram contato com o vírus permaneceram assintomáticas.

Nas redes sociais

Em resposta aos questionamentos do UOL sobre a publicação de mensagens falsas, o Instagram diz que desde maio de 2019 passou a trabalhar com verificadores independentes nos Estados Unidos, e que, quando estes conteúdos são identificados, sua distribuição é reduzida. A empresa afirma que tem uma série de procedimentos para lidar com essa questão.

O WhatsApp informou que "sempre incentiva todos os usuários a verificarem a veracidade das mensagens que recebem antes de compartilhá-las, e a se envolverem diretamente com fontes oficiais e confiáveis para obterem informações importantes".

A empresa afirma que recentemente firmou parcerias com grupos de checagem de fatos e incluiu uma "etiqueta especial de encaminhamento" (setas duplas) nas mensagens enviadas que não foram criadas originalmente por quem as compartilhou.

"Também foi desenvolvido um novo recurso que permite facilmente verificar na internet o conteúdo das mensagens encaminhadas com frequência. Basta tocar, ou clicar, no botão de lupa que será exibido ao lado da mensagem", diz o Whatsapp.

O UOL Confere é uma iniciativa do UOL para combater e esclarecer as notícias falsas na internet. Se você desconfia de uma notícia ou mensagem que recebeu, envie para uolconfere@uol.com.br.

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