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Em live, Bolsonaro omite que mortes por covid após 2ª dose são raras

12.ago.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em live nas redes sociais - Arte sobre Reprodução/YouTube Jair Bolsonaro
12.ago.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em live nas redes sociais Imagem: Arte sobre Reprodução/YouTube Jair Bolsonaro

Juliana Arreguy e Beatriz Montesanti

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

12/08/2021 21h01Atualizada em 13/08/2021 11h12

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou hoje em sua live semanal que "muitas pessoas têm perdido a vida por covid mesmo após a segunda dose", omitindo que tais óbitos são minoritários entre pessoas já vacinadas contra a doença.

Bolsonaro voltou a defender o suposto "tratamento precoce" contra a covid-19 e repetiu alegações falsas sobre o processo eleitoral brasileiro. Veja o que o UOL Confere checou:

Muitas pessoas têm perdido a vida por covid mesmo após a segunda dose."
Presidente Jair Bolsonaro em live semanal

A informação sobre as mortes que ocorrem mesmo após as pessoas tomarem duas doses da vacina foi DISTORCIDA pelo presidente.

Os óbitos após a imunização completa são considerados raros e, proporcionalmente, são poucos. Um levantamento da USP e da Unesp aponta que pessoas completamente imunizadas representam 3,68% das mortes pelo coronavírus no Brasil após o início da vacinação.

Mortes após a segunda dose não têm relação com a marca do imunizante que a pessoa recebeu e não significam que as vacinas não funcionam. Idade, comorbidades e condições médicas específicas podem agravar os quadros da doença mesmo após a imunização.

O UOL Confere já desmentiu, em checagem publicada hoje, postagens associando de forma enganosa a morte do ator Tarcísio Meira por covid-19 e uma suposta baixa eficácia das vacinas — Tarcísio recebeu duas doses. O principal alvo da desinformação foi a CoronaVac, frequentemente atacada por Bolsonaro.

Acabou as eleições e você vê quantos votaram na seção para presidente, governador. Por que esses dados não entram online? Por que na noite de domingo não posso acessar minha seção no Rio e ver lá quantos votos eu tive para presidente, quantos tiveram o governador, senador? Por que não apresentam online, só 15 dias depois?
Presidente Jair Bolsonaro em live semanal

É FALSO que o resultado das eleições só é disponibilizado online 15 dias depois do pleito. Qualquer cidadão com acesso a internet pode conferir no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o avanço da apuração em tempo real nas eleições para presidente, governadores, prefeitos e para os cargos legislativos.

Os resultados começam a ser divulgados assim que as informações são coletadas, geralmente a partir das 17h para eleições locais, e depois das 19h para as nacionais.

A plataforma do tribunal não apenas mostra o número absoluto de votos obtidos por cada candidato, mas também a distribuição proporcional e a região em que os votos foram dados. Ou seja, é possível acompanhar o desempenho de determinado político em uma seção eleitoral, em uma cidade ou em um estado.

Nas últimas eleições, o TSE ainda disponibilizou um aplicativo chamado Resultados, que permite o acompanhamento da apuração por um smartphone.

Usando dados do TSE, o UOL e outros sites de notícias também mostram o avanço da apuração em tempo real, como pode ser visto aqui no exemplo das eleições municipais de 2020.

O próprio Conselho Federal de Medicina não fala se o médico tem ou não que fazer tratamento preliminar, tem arbítrio de aplicar o medicamento. Que pessoas em estado grave têm segurado com isso aí que não vou falar o nome para crimininalizarem."
Presidente Jair Bolsonaro em live semanal

É VERDADEIRO que o CFM (Conselho Federal de Medicina) entende que o médico tem a prerrogativa de recomendar -- ou não -- medicações para tentar combater a covid-19. No entanto, o próprio conselho não recomenda e não aprova o chamado "tratamento precoce" contra o coronavírus.

É FALSO que exista "tratamento precoce" ou "preliminar" contra o vírus da covid-19, como Bolsonaro costuma repetir em suas lives. Há medicamentos que controlam sintomas, como febre. Algumas substâncias vêm sendo usadas em casos de pacientes hospitalizados, como o rendesivir e a dexametasona.

Vamos ter eleições, eleições limpas, democráticas, tem que ter com contagem pública de votos. Não podemos contar em uma salinha secreta.
Presidente Jair Bolsonaro em live semanal

É FALSO que a contagem de votos hoje aconteça em uma "salinha secreta". A contagem dos votos começa na própria urna eletrônica, de forma automática. Depois, os votos são somados por um supercomputador do TSE na etapa chamada de totalização.

Ao fim da votação, um pen drive (ou mídia de resultado, como é conhecido oficialmente) é retirado da urna com as informações embaralhadas e criptografadas. Esses dados são enviados ao TSE por meio de uma rede privada do próprio tribunal. Este processo é feito no próprio local de votação, em um cartório eleitoral ou em TREs (Tribunal Regional Eleitoral).

O resultado da votação pode ser conferido de diversas formas. Com a votação encerrada, a própria urna imprime o boletim de urna, que mostra o resultado da eleição naquele equipamento. Os boletins de urna podem ser conferidos por qualquer cidadão. Além disso, os partidos podem fazer, de forma independente, a soma dos votos a partir do Registro Digital de Voto (RDV) de cada urna e comparar com o resultado final apresentado pelo TSE.

O RDV é um arquivo digital similar a uma tabela. Ele grava os votos de cada eleitor e os posiciona de forma aleatória no arquivo, como se a ordem fosse embaralhada, para preservar o sigilo da escolha de cada pessoa. O boletim de urna é gerado a partir das informações do RDV.

O UOL Confere é uma iniciativa do UOL para combater e esclarecer as notícias falsas na internet. Se você desconfia de uma notícia ou mensagem que recebeu, envie para uolconfere@uol.com.br.

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