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Mulheres engenheiras e geocientistas impulsionam a retomada econômica

Por Confea

03/03/2021 12h08

A presença das mulheres engenheiras, engenheiras agrônomas e geocientistas tem crescido nas universidades e no mercado de trabalho de todo o País. Os números do último Censo da Educação Superior do Ministério da Educação (2018) demonstram que, em algumas áreas da engenharia, as mulheres chegam até mesmo a ser maioria nas salas de aulas das universidades.


De acordo com o estudo, as mulheres já são maioria em seis cursos: Engenharia de Alimentos (62,9%), Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia (59,4%) e Engenharia Têxtil (53,6%), Engenharia Química (50,8%), Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente (50,4%) e Engenharia Ambiental e Sanitária (50,2%). Nas demais engenharias (Civil, Mecânica e Elétrica), os homens ainda são maioria, mas a participação feminina é maior a cada apuração.


Segundo balanço do próprio Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), entre 2016 e 2018, o número de registro anual de mulheres engenheiras no Sistema cresceu 42%, o que demonstra que essas profissionais estão mais presentes também nos mercados. Para o presidente do Confea, engenheiro civil Joel Krüger, "cada dia mais é possível verificar que as mulheres têm assumido posições de lideranças em organizações dos setores públicos e privados, inclusive em cargos estratégicos para o desenvolvimento do País".


Nos textos a seguir, vamos contar a história de 27 profissionais da engenharia e das geociências, uma de cada estado brasileiro. São mulheres dos diversos setores, com atuações profissionais e perfis pessoais variados. Os depoimentos dão conta da grande diversidade do setor, da competência e da garra dessas mulheres, cujas habilidades estão fazendo o diferencial e ajudando o País em áreas estratégicas para o desenvolvimento social e econômico.


Um dos fortes aliados dessas profissionais é o Programa Mulher do Sistema Confea/Crea, criado para "fomentar a elaboração de políticas atrativas para mulheres engenheiras, agrônomas e da área das geociências dentro das diversas entidades de classe e Conselhos Regionais, a fim de ampliar a participação feminina de forma protagonista em todas as esferas do sistema profissional".

Na Região Sudeste, as engenheiras ocupam cargos de liderança em vários setores

Dirlane Albino - São Paulo

Dirlane Albino, Engenheira Química, São Paulo - Divulgação/Votorantim Cimentos - Divulgação/Votorantim Cimentos
Dirlane Albino, Engenheira Química, São Paulo
Imagem: Divulgação/Votorantim Cimentos

"Ainda no cursinho preparatório, fui apresentada à profissão de forma clara e com visão de um vasto campo de atuação. Me apaixonei e fui em busca da concretização de um sonho que se tornou realidade". Com essa objetividade se apresenta a engenheira química, Dirlane Albino, especializada em Segurança do Trabalho e Meio Ambiente e em Higiene Ocupacional. Hoje, Dirlane é gerente de Segurança do Trabalho na Votorantim Cimentos, empresa com cerca de sete mil funcionários e mais de 30 fábricas em território nacional.

Para Dirlane, "cuidar de um tema tão relevante e tão desafiador, em uma grande empresa do ramo de construção civil, tem proporcionado o contato com muitos profissionais, além de trainees, estagiários e estudantes". A consciência do seu papel de liderança a faz sentir-se grata, porque muitos homens e mulheres se identificam com a sua história profissional e pessoal e passam a considerar a carreira na engenharia como uma possibilidade promissora.

Ao analisar a presença das engenheiras no mercado de trabalho, Dirlane acredita que a mulher tem se mostrado presente em todas as áreas e que na engenharia não é diferente. "As estatísticas demostram que o número de engenheiras cresceu consideravelmente nos últimos anos, mas ainda é pouco considerando o potencial de formação de profissionais na área", disse ela, ao acrescentar que estamos aprendendo e evoluindo em relação ao espaço da mulher no mercado de trabalho da engenharia.

Seu chamado é para que os homens em posição de liderança estejam engajados nesse processo de mudança, reconheçam e garantam o espaço para o crescimento proporcional das mulheres. Isso vale não só na engenharia, mas em todas as atividades em que quisermos atuar. Onde a mulher pode atuar? Literalmente, onde ela quiser.

A trajetória da engenheira Dirlane fala por si. Ela arregaçou as mangas e foi atrás do seu sonho. Os primeiros anos da carreira foram em Minas, onde nasceu e se formou pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Depois, trabalhou em um projeto ambiental na Austrália, Filipinas e Indonésia. Em 2014, entrou para os quadros da Votorantim Cimentos no estado de São Paulo.

Dirlane também observa que a superação faz parte da nossa história e cada um tem a sua. Ao reconhecer que o preconceito ainda impede que muitas mulheres, mesmo formadas, atuem e sejam remuneradas de forma igualitária, ela avalia que na maioria das vezes esse preconceito aparece de forma velada, nas entrelinhas, enraizado nas estruturas das organizações.

"Como engenheiras atuantes, nosso papel é de provocar o sistema e ajudar na promoção de processos e regras mais transparentes e representativas. Como mulher, negra, engenheira e líder, minha responsabilidade só aumenta. Somos parte importante de uma grande engrenagem que precisa girar mais e mais, transformando as empresas em locais cada vez mais diversos e representativos", conclui.

Carolina Cotta - Rio de Janeiro

Carolina Cotta, Engenheira Mecânica, Rio de Janeiro - Divulgação/COPPE/UFRJ - Divulgação/COPPE/UFRJ
Carolina Cotta, Engenheira Mecânica, Rio de Janeiro
Imagem: Divulgação/COPPE/UFRJ

Com a disposição de mostrar aos seus alunos que a engenharia pode mudar um país e que ciência e a tecnologia são ferramentas que podem alavancar uma nação, a engenheira mecânica e professora Carolina Naveira Cotta ministra suas aulas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) sem fazer distinção entre "meninas e meninos" e procura motivá-los a serem melhores engenheiras e engenheiros.

A própria Carolina é um exemplo de engenheira respeitada, cuja trajetória acumula reconhecimento e prêmios, que são resultados dos projetos aos quais se dedicou e de sua intensa produção acadêmica no Brasil e no exterior. Com dois Pós-doutorados, além da sala de aula e da orientação nos cursos de mestrado e doutorado da Coppe/UFRJ, ela coordena e participa de projetos estratégicos para o país. No ano passado, Carolina fez parte da equipe que desenvolveu um modelo matemático que permite traçar previsões para o número de casos da Covid-19, reportados e não reportados, bem como o pico da pandemia em cenários com diferentes medidas de saúde pública. Entre os projetos liderados por ela também estão estudos que poderão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do País, com inovações como o aproveitamento da energia solar na dessalinização da água e na produção de biodiesel, entre outros.

Ao tratar do tema da mulher na engenharia, a professora da Coppe considerou que "tivemos importantes avanços nos últimos anos na direção de um maior equilíbrio na participação de homens e mulheres, tanto nos cursos de engenharia quanto no mercado de trabalho nesta área". Ela comemora os resultados do último Censo da Educação Superior (2017) que revelou uma maior presença das mulheres em seis cursos de engenharia e lembrou que, em média, ainda é maior o percentual de homens nas áreas de Exatas e Tecnológicas como um todo, como nas engenharias Civil, Mecânica, Elétrica e outras.

A percepção de Carolina é que a solução passa pela necessidade de estimular a paixão de mais meninas desde sua formação escolar básica (ciclos fundamental e médio) por disciplinas das ciências exatas. "Sem dúvida, esse aumento do espaço da mulher nas engenharias tem sido influenciado pelas discussões de igualdade de gênero introduzidas desde o ensino fundamental, mas ainda carecemos de um programa mais estruturado para estímulo às engenharias, em geral, desde o ensino fundamental", analisa a professora.

"As discussões de igualdade de gênero também influenciam positivamente os meninos, que crescem percebendo com naturalidade a participação feminina em atividades antes atribuídas como mais apropriadas para a participação masculina", disse a professora, ao ponderar que "o preconceito à atuação da mulher na engenharia ainda existe, mas é cada vez mais setorizado".

Marita Tavares - Minas Gerais

Marita Tavares, Engenheira Elétrica, Minas Gerais  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Maria Tavares, Engenheira Eletricista, Minas Gerais
Imagem: Acervo pessoal

A história da Engenharia Elétrica em Minas Gerais se confunde um pouco com a carreira profissional de Marita Arêas Tavares. Ela foi a quarta aluna do antigo Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá (IEM), hoje Universidade Federal de Itajubá (Unifei), e a única mulher da turma até se formar nessa área em 1962. A dedicação e a disciplina a levaram a cursar também duas outras engenharias: a Mecânica e a Civil.

O pioneirismo de Marita Tavares e sua competência marcaram sua presença por onde passou, seja nas empresas do setor privado, seja em órgãos públicos. Sempre abrindo caminhos, foi por cinco anos a única mulher engenheira da Usina Siderúrgica Paulista. Ainda no estado de São Paulo, trabalhou por mais dez anos como autônoma em projetos e construção de obras na Baixada Santista, onde foi Certificante da Receita Federal no Porto de Santos, sendo também a única engenheira nessa função. Na Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), Marita foi um diferencial como chefe do Departamento de Projeto da empresa em Cubatão. Após trabalhar no mercado paulista, decidiu voltar pra sua terra, mas antes ainda se mudou para Brasília e ficou por cinco anos como gerente regional da empresa Main Engenharia.

De volta a Minas em 1981, foi por dez anos superintendente na EPC Engenharia Projeto e Consultoria, em Belo Horizonte. Deixou a empresa para abrir com o marido escritório de consultoria e representações.

Em Minas, Marita Tavares se dedicou de corpo e alma à organização da sua classe. Foi vice-presidente e conselheira do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea/MG), além de coordenar a Câmara Especializada da Engenharia Elétrica do órgão. Incansável e determinada, Marita foi fundamental na criação da Associação de Engenheiros Eletricistas de Minas Gerais (Abee-MG), tendo sido a sua primeira presidente. Atualmente, é vice-presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), onde também tem uma atuação histórica e respeitada.

A bagagem de quase seis décadas de formação, certamente, dão à Marita todo o conhecimento para dizer que a mulher na engenharia ou em qualquer outra profissão traz excelentes resultados no desenvolvimento de qualquer trabalho ou liderança. Como profissional que quebrou paradigmas, ela avalia que "o homem se pauta pela ambição, competitividade e se conduz pela razão. Já a mulher valoriza a partilha, a solidariedade e se guia pela sensibilidade e emoção. Sob diferentes olhares, eles formam uma parceria perfeita em um ambiente de trabalho", diz ela, do alto da sua experiência como engenheira elétrica.

Quanto ao preconceito, ela disse não ver discriminação quando se trata de uma profissional de nível superior que se impõe pela sua qualificação e desempenho. Sua preocupação maior é com a crise que representa problemas sérios a serem superados por profissionais e empresários. "Acredito até que mulheres têm maior resiliência, persistência e criatividade para vencer obstáculos como este", finaliza.

Margareth Saraiva - Espírito Santo

Margareth Saraiva, Engenheira de Alimentos, Espírito Santo  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Margareth Saraiva, Engenheira de Alimentos, Espírito Santo
Imagem: Acervo pessoal

A engenheira de alimentos Margareth Saraiva tem uma história profissional respeitada no Espírito Santo, onde tem uma carreira consolidada e dedicada, principalmente, ao setor público. É uma engenheira que se entrega de corpo e alma aos projetos profissionais. Certamente, esse é um dos seus diferenciais diante dos diversos cargos e funções que recebeu desde que chegou ao estado capixaba, após deixar Minas Gerais, onde se formou pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) em 1982.

Basta uma rápida visita à sua trajetória profissional para perceber sua coerência e empenho diante de causas coletivas. Especialista em Gestão Municipal de Políticas Públicas, ela acredita que "a função social da engenharia é estar a serviço de um processo de transformação do Brasil, que preconize um desenvolvimento em novas bases, que respeite o ser humano e o desenvolvimento sustentável". Atualmente, Margareth trabalha na Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo e responde pela Secretaria-Executiva do Comitê de Recuperação do Desastre de Mariana.

A defesa da classe acompanhou Margareth desde o início. Na universidade, tinha um tempinho para o movimento estudantil. Já formada, logo se aproximou das entidades ligadas aos profissionais da engenharia, que naquela época enfrentava uma grave crise de desemprego. "Tudo isso contribuiu muito para a minha formação pessoal e profissional", disse.

A preocupação com a agenda social e econômica sempre foi um tema que chamou sua atenção. Mas foi a leitura do clássico "A Geografia da Fome", de Josué de Castro, que mudou o olhar da jovem estudante ainda durante o curso de Engenharia de Alimentos na UFV. A partir daí, ela começou a se preparar para atuar como profissional de nutrição social, o que lhe abriu muitos caminhos por correlacionar os fenômenos da mortalidade infantil, do desemprego, da fome e da desnutrição no País.

O primeiro grande desafio de Margareth foi coordenar um programa estadual de nutrição e saúde no âmbito de um programa materno-infantil, junto à área da saúde. Na sequência, foi trabalhar com assentamentos de trabalhadores rurais sem terra. Ela era responsável pelo programa de abastecimento para esse assentamento e pôde testemunhar a evolução da saúde nutricional das crianças com apenas seis meses de acompanhamento. Margareth, hoje, avalia que a sua "grande contribuição foi trabalhar para a redução do índice de mortalidade infantil e com políticas públicas enquanto um direito do cidadão".

O reconhecimento ao desempenho nesses cargos veio tempos depois quando ela assumiu a Presidência da Empresa Capixaba de Pesquisa Agropecuária, órgão do qual é funcionária de carreira. Margareth foi a primeira mulher a dirigir a empresa. Cumprida a missão, ela foi para a Prefeitura de Vitória trabalhar na Subsecretaria de Gestão Urbana.

Para Margareth, a luta das mulheres no País ganhou um novo impulso desde o final da década de 1970, quando uma Conferência das Nações Unidas sobre o tema amplificou a agenda das lutas das mulheres no mundo todo e com grande repercussão no Brasil. Questões como o papel da mulher na sociedade, a conquista de espaços e os movimentos pela emancipação entraram na pauta das organizações e impactaram fortemente as relações sociais. O entendimento é que ali começava um longo processo de transformação social. "No caso dos ambientes da engenharia, não enfrentei episódios de preconceito ou discriminação, mas os ruídos davam conta de que em outras áreas isso acontecia", afirmou.

A percepção de Margareth é de que no mundo do trabalho as coisas acontecem de forma mais velada na disputa pelas oportunidades. As relações sociais entre os homens, sobretudo as que se dão fora do ambiente de trabalho, ajudam em muito a ascensão masculina nas empresas. Segundo ela, basta ver as composições dos níveis estratégicos das empresas e do setor público, como os Poderes Legislativo e Executivo. Para ela, a dupla jornada deixa a mulher em desvantagem, embora acredite que "alguma mudança tem ocorrido em relação ao compartilhamento de responsabilidade pelos filhos".

Temas estratégicos para o desenvolvimento do país pautam engenheiras da Região Norte

Nésia Moreno - Acre

Nésia Moreno, Engenheira Florestal, Acre  - Arquivo/IMC  - Arquivo/IMC
Nésia Moreno, Engenheira Florestal, Acre
Imagem: Arquivo/IMC

A engenheira florestal, Nésia Maria da Costa Moreno, tem uma história de amor com o seu trabalho e com o estado onde mora: o Acre. Logo que se formou, aos 23 anos de idade, deixou a família em Cuiabá (MT) e foi morar em Rio Branco. São mais de 30 anos de dedicação à agenda ambiental e sempre do lado certo da história, ao defender a floresta como um bem social.

Hoje, ela é coordenadora do Programa do ISA Carbono, no âmbito do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), órgão ligado ao governo acreano e onde está desde 2015. Para se ter uma ideia, o Programa ISA Carbono é um dos principais instrumentos de políticas públicas da Amazônia, voltado para a conservação da floresta, por meio da remuneração de serviços ambientais e para a redução das emissões de CO2, por meio da diminuição do desmatamento. Sua execução é em parceria com o Governo da Alemanha, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KFW).

Antes de ir para o IMC, Nésia foi por 11 anos assessora técnica da Promotoria de Meio Ambiente no Ministério Público do Estado do Acre onde se dedicou às áreas de fiscalização e licenciamento ambiental de vários empreendimentos, manejo, matadouros, entre outros. Para o MPF-AC, a engenheira florestal levou toda a sua experiência da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), seu primeiro emprego como profissional, aos 23 anos. Lá, ela trabalhou por anos em projetos de Manejo Florestal Madeireiro e foi a coordenadora do Projeto Antimary, uma floresta estadual sob Manejo de Uso Múltiplo, financiado pela Organização Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO), sediada em Tóquio no Japão.

Determinada em ir adiante, a engenheira que nasceu no Rio de Janeiro, cresceu em Cuiabá e fez a sua carreira no Acre, ainda conseguiu tempo para fazer o Mestrado em Economia Florestal na Universidade Federal do Paraná (UFPR). O título lhe rendeu a oportunidade de também ensinar tudo que aprendeu no curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre (Ufac) e em vários cursos da Uninorte, em disciplinas de economia, planejamento, responsabilidade social e ambiental.

Para Nésia Moreno, que há anos convive em um meio majoritariamente masculino na floresta amazônica, "nós ainda não atingimos o ideal em termos da participação da mulher na engenharia e, no meu caso, fui quebrando vários paradigmas. Mas nós ainda precisamos de um protagonismo maior em projetos estratégicos para o País", disse ela.

Nadiele Pacheco - Amazonas

Nadiele Pacheco, Engenheira Florestal, Amazonas  - Acervo pessoal  - Acervo pessoal
Nadiele Pacheco, Engenheira Florestal, Amazonas
Imagem: Acervo pessoal

As oportunidades e as responsabilidades chegaram rapidamente para a jovem engenheira florestal e de segurança do trabalho, Nadiele Pacheco. Assim que terminou o estágio no Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e se formou pela Universidade Federal do Amazonas, ela foi contratada como profissional com 22 anos de idade. Trabalhou duro para tirar o conhecimento do papel e mostrar para os colegas que a pouca idade não seria um obstáculo para o seu desempenho técnico e a sua conduta profissional.

Ao final do primeiro ano, a jovem engenheira, que reside em Manaus (AM), foi convidada para assumir a função de gerente do Setor de Florestas do Idam. Mais três anos se passaram e ela se tornou a chefe do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Florestal do órgão, onde está há quase quatro anos.

Na sua função, Nadiele responde pelos programas de assistência técnica do Idam junto a milhares de agricultores familiares em todo o estado do Amazonas. Não são raras as vezes em que ela se junta às suas equipes e vai para dentro da floresta levar conhecimento e experiência aos agricultores, por meio de capacitação, equipamentos e recursos, entre vários outros serviços voltados à qualidade da produção e à geração de emprego e renda para os agricultores familiares do Amazonas.

Nadiele fala com muita consciência e sentimento de gratidão pelas oportunidades de assumir funções de liderança e reconhece que, desde o início, "as coisas nunca foram fáceis". Segundo ela, foi preciso provar sua competência para o cargo, tanto para os colegas de trabalho quanto para o agricultor familiar, que é o beneficiário dos programas. "Ao chegar a um imóvel rural para prestar a assistência técnica, a gente tem que conquistar aquele agricultor, garantir a confiança dele e mostrar que o fato de ser mulher não impede nem física e nem tecnicamente de exercer aquela função", explica.

Ao mesmo tempo, a jovem engenheira faz do seu espaço de trabalho uma oportunidade para contribuir para a equidade de gênero dentro do próprio órgão. "Eu sou uma das pessoas que batalham por isso. Então, mesmo em questões pontuais, sempre que posso eu tento trazer essa questão para a instituição", argumenta.

Nadiele está entre as profissionais que acreditam que a presença da mulher na engenharia teve muitos avanços nos últimos anos, mas o número de engenheiras "ainda é reduzido quando comparado ao dos homens e os salários são diferentes mesmo quando os cargos são os mesmos".

Ana Valéria - Pará

Ana Valéria, Engenheira Civil, Pará  - Márcio Ferreira/Ascom SeMOB - Márcio Ferreira/Ascom SeMOB
Ana Valéria, Engenheira Civil, Pará
Imagem: Márcio Ferreira/Ascom SeMOB

A engenheira civil e mestre em Engenharia de Transportes, Ana Valéria Ribeiro Borges, é, desde o início deste ano, a nova diretora da Superintendência-Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (SeMOB), capital do Pará. Com uma trajetória profissional respeitada como técnica e servidora pública do estado desde 2004, a engenheira Ana Valéria tem um histórico de serviços prestados em áreas estratégicas para as políticas públicas e para a qualidade de vida da população paraense.

Para que se tenha uma ideia da relevância do cargo, a SeMOB é o órgão responsável pela gestão do sistema municipal de transporte e trânsito na cidade de Belém. Além de competência técnica e experiência profissional publicamente reconhecidas, de acordo com Ana Valéria, sua indicação foi pautada também pelo equilíbrio de gênero nas nomeações de titulares de órgãos que compõem a Prefeitura de Belém.

O interesse pela área de transporte e trânsito vem desde a época da graduação na Universidade Federal do Pará (UFPA). Tão logo se formou, ela foi selecionada para o Mestrado em Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já com o título de Mestre, Ana Valéria voltou ao seu estado para trabalhar no quadro técnico da então Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBEL), onde foi responsável por ações ligadas ao planejamento e operação do sistema municipal de transporte e trânsito.

Antes de assumir a SeMOB, Ana Valéria estava no seu órgão de origem, a Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Estado do Pará (Arcon-PA),onde ingressou por meio de concurso como técnica em Regulação de Transportes. Entre as suas principais atividades estavam as ações vinculadas à regulação dos serviços de transporte rodoviário intermunicipal de passageiros e de serviços de saneamento básico do estado. Nessa tarefa, ela atuou por 11 anos como gerente do Grupo Técnico de Saneamento da Arcon-PA e participou da Câmara Técnica de Saneamento Básico, Recursos Hídricos e Saúde da Associação Brasileira de Agências de Regulação (Abar).

Batalhadora e determinada, a engenheira Ana Valéria ainda conseguia tempo para lecionar em disciplinas ligadas ao transporte, ao trânsito e à logística na Escola Superior da Amazônia em Belém.

Para Ana Valéria, o fato de ser mulher, negra e de família não abastada lhe permite "falar sobre representatividade, sobre protagonismo, sobre a atuação profissional na engenharia e sobre como isso tudo me tornou a mulher, a engenheira que sou". Nesse sentido, Ana Valéria reconhece o aumento da participação feminina em importantes instâncias de decisão e alerta que "as denúncias de assédio e o feminicídio são também o reflexo dessas tensões que ecoam nas estruturas patriarcais, machistas, misóginas e racistas, que ainda se apresentam na sociedade brasileira". Ela também acredita que ainda persiste o preconceito e até o seu agravamento, e acrescenta ser "necessário que todos nós repensemos imagens preconcebidas e equivocadas e que associam determinadas profissões a determinados gêneros e etnias".

Elisângela Lacerda - Roraima

Elisângela Lacerda, Geógrafa, Roraima  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Elisângela Lacerda, Geógrafa, Roraima
Imagem: Acervo pessoal

Em 2013, a geógrafa Elisângela Gonçalves Lacerda estava cursando seu doutorado na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC - MG) quando conseguiu uma bolsa para passar um tempo de estudos na Espanha. E foi de lá que a mineira de Belo Horizonte resolveu se inscrever para uma vaga de docente no Instituto de Geociências da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Em 2015, ela assumiu o cargo, ainda durante o doutorado, e se mudou para Roraima. Atualmente, Elisângela é chefe do Departamento de Geografia e professora nos cursos de graduação e mestrado em Geografia, além de atuar na Associação Brasileira de Mulheres nas Geociências (ABMGeo) em Roraima.

Mas a paixão pela Região Norte do País vem de muito antes, quando decidiu, há 10 anos, que o tema da sua pesquisa de mestrado seria na área de Geografia Agrária, em um assentamento rural na Amazônia. Hoje, Elisângela conta que "passar quase um mês em um assentamento rural de Roraima foi uma grande experiência profissional. É uma área que poucas mulheres escolhem, justamente porque implica muitas atividades de campo", diz ela.

A realidade conflituosa dos assentamentos nos quais atuam vários agentes, como madeireiras, garimpeiros e indígenas, mobiliza a atenção de Elisângela como pesquisadora ou docente e, por isso, ela busca dar visibilidade aos problemas enfrentados pelos assentados e compreender a dinâmica territorial das áreas rurais.

Ao considerar Roraima um território muito profícuo para as suas pesquisas, ela busca e espera contribuir para o próprio poder público por meio do direcionamento de suas ações. "É um estado ainda muito novo e desconhecido por parte da população brasileira", disse ela ao destacar que Roraima "tem um grande potencial de desenvolvimento, e as mulheres podem contribuir muito para a sua efetivação".

Na avaliação de Elisângela, as mulheres têm ocupado cada vez mais espaço nas Geociências. "Se observarmos o perfil de gênero dos formandos em cursos da área de Geociências há 30 anos, por exemplo, verificaremos que o número de mulheres era assustadoramente pequeno. Hoje ainda somos minoria, mas a desigualdade vem sendo reduzida aos poucos", afirma.

De acordo com Elisângela, o preconceito ainda existe para as mulheres das Geociências, desde a formação até o mercado de trabalho, e isso é um reflexo da própria sociedade. "Ainda temos que avançar muito para tornar as condições de trabalho equânimes entre homens e mulheres nas Geociências", alerta, ao ponderar que também tem coisas boas acontecendo: "a criação do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência e da Associação Brasileira de Mulheres nas Geociências (ABMGeo) são avanços e conquistas que precisamos comemorar", disse ela.

Eliza Henz - Rondônia

Eliza Heinz, Engenheira Civil, Rondônia  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Eliza Heinz, Engenheira Civil, Rondônia
Imagem: Acervo pessoal

Determinação e vontade de superar desafios não faltam à jovem engenheira civil Eliza Elis Henz, que cresceu em Rondônia e para lá voltou assim que concluiu sua graduação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), estado onde nasceu. Atualmente, é assessora técnica do diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem e Transportes do Estado de Rondônia (DER/RO).

A novidade é que a engenheira Eliza tem apenas 27 anos. A pouca idade e o ambiente de trabalho majoritariamente masculino não representam obstáculos para essa jovem engenheira lotada na Coordenadoria de Operações e Fiscalização, e cuja atribuição principal é o planejamento, monitoramento e gerenciamento da manutenção e conservação de todas as rodovias do estado.

Com clareza sobre os caminhos que planejava trilhar na engenharia, ela correu atrás dos sonhos, arregaçou as mangas e, sem temer o que viria pela frente, foi em busca da sua primeira oportunidade profissional. Em pouco tempo estava trabalhando no seu primeiro emprego como engenheira civil na Prefeitura de Rolim Moura, no interior do estado. Depois veio a segunda oportunidade na 7ª Residência Regional do DER/RO, onde começou como assessora técnica em Alvorada d'Oeste, a 500 km da capital.

Com apenas quatro meses na função e muitos resultados no trabalho, ela recebeu sua primeira promoção no órgão ao assumir a chefia de campo daquela Residência e foi a primeira mulher na história desse cargo. Apenas sete meses se passaram, mas foi o tempo suficiente para Eliza ser convidada e assumir suas novas funções de gerente regional no DER/RO de Porto Velho.

Para Eliza, ainda existem algumas barreiras para a mulher conciliar a sua vida pessoal e profissional, sobretudo diante da dupla jornada de trabalho. No entanto, ela acredita que "a mulher vem ganhando seu espaço no mercado de trabalho, principalmente por suas habilidades técnicas, ao demonstrar cada vez mais ser capaz de prestar serviço de excelência".

Fernanda Smith - Amapá

Fernanda Smith, Engenheira Elétrica, Amapá  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Fernanda Smith, Engenheira Elétrica, Amapá
Imagem: Acervo pessoal

Fernanda Regina Smith Neves Corrêa é engenheira elétrica, formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutora em Telecomunicações pela mesma universidade. Sua área de pesquisa integra uma das agendas mais estratégicas para o País e para o mundo: o desenvolvimento do padrão 5G de comunicação. Trata-se da próxima geração de rede de internet móvel, que promete entregar a usuários do mundo inteiro conexões mais rápidas e mais estáveis, além de uma cobertura mais ampla, com capacidade de conectar objetos, como carros, equipamentos domésticos e câmeras de segurança, entre vários outros dispositivos eletrônicos.

Hoje, Fernanda é professora e vice-coordenadora do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Amapá (Unifap), onde se debruça para avançar nas pesquisas sobre Codificação de Canal e Processamento Digital de Sinais, isto é, ela estuda soluções para tratar os erros quando se transmite informações de um ponto a outro, o que será fundamental para garantir a qualidade da comunicação na nova geração de telefonia móvel. Na Unifap, ela foi uma das batalhadoras pela criação do curso de Engenharia Elétrica, que também já coordenou e trabalha firme para a sua consolidação no estado.

Fernanda também trouxe para si a tarefa de apoiar as mulheres dentro do curso de Engenharia Elétrica. Para tanto, criou recentemente o "Woman in Engineering - WiE" (Mulheres na Engenharia), que é um grupo de afinidades do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (I3E), onde ela participa como professora conselheira.

"O WiE busca promover as engenheiras e inspirar meninas ao redor do mundo a seguir seus interesses acadêmicos em uma carreira na engenharia, além de facilitar o recrutamento e a retenção das mulheres na atividade, ou seja, o projeto tem um papel bem importante dentro do curso de Engenharia Elétrica nesse momento na Unifap", garante.

Ao analisar que as engenharias ainda são um universo predominantemente masculino e com salários mais baixos em relação aos dos homens, ela defende que as mulheres ocupem mais cargos de lideranças: "essa falta de mulheres ocupando cargos importantes e sendo protagonistas em projetos a gente sabe que é em decorrência, basicamente, do machismo que a gente tem na sociedade".

Talita Ferreira - Tocantins

Talita Ferreira, Engenheira de Bioprocessos e Biotecnologia, Tocantins  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Talita Ferreira, Engenheira de Bioprocessos e Biotecnologia, Tocantins
Imagem: Acervo pessoal

A engenheira de bioprocessos e biotecnologia, Talita Pereira de Souza Ferreira, vive em Gurupi, cidade do interior do estado do Tocantins, onde é coordenadora do curso de graduação no qual se formou pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) em 2014. Como ela mesma diz, começou a faculdade já "beirando os 30 anos e com um pouco mais de maturidade". Ao contrário do que muita gente acredita, ela avalia que foi mais fácil fazer o doutorado.

Talita decidiu ser engenheira de bioprocessos e de biotecnologia já com dois filhos pequenos para criar, o que a faz sentir-se uma batalhadora, e, como costuma dizer, "tirou toda a preguiça do corpo e, com sangue nos olhos, terminou o curso".

Nos primeiros dois anos, ela ia de bicicleta para a universidade. Eram 20 km todos os dias somando todos os trajetos, sem contar os que enfrentava para deixar e buscar os filhos na escola. "Sempre quis vencer e sabia que a única opção para mim era estudar. Então busquei fazer tudo com muita força, garra, honestidade, rapidez e sem preguiça. Esse foi, com certeza, o diferencial", relata hoje orgulhosa das suas próprias conquistas.

As pesquisas acadêmicas da engenheira Talita são voltadas para as atividades fungistáticas, extratos vegetais, plantas medicinais, bioprospecção de novos produtos, controle alternativo de pragas, produção de biodiesel, entre outras. Mas o que faz brilhar os seus olhos mesmo são os projetos que despertam os interesses dos seus alunos, em especial "os que tenham relevância e utilidade para a nossa comunidade", comenta. A preocupação de Talita como cientista é que a população se beneficie das tecnologias descobertas de forma mais barata e acessível possível.

Para Talita, "o diferencial em ser mulher na engenharia é atuar com sensibilidade e empatia, diante da necessidade de ajudar a resolver os problemas comunitários. A sensibilidade é da mulher, mas a empatia é do ser humano", assegura, ao acrescentar que busca a empatia sempre: "me colocar no lugar do outro, entender a dor do outro, para depois pensar e trabalhar em algo que será usado para o bem daquele local ou região".

Embora considere que o número de mulheres na engenharia ainda é muito pequeno, Talita observa "que as engenheiras têm qualidades próprias do gênero, o que as fazem ser e estar onde quiserem".

No Centro-Oeste, engenheiras lideram projetos em saúde e desenvolvimento regional

Suélia Rodrigues - Distrito Federal

Suélia Rodrigues, Engenheira Eletrônica, Distrito Federal  - Thaís Mallon - Thaís Mallon
Suélia Rodrigues, Engenheira Eletrônica, Distrito Federal
Imagem: Thaís Mallon

Desde março do ano passado, a professora e pesquisadora Suélia de Siqueira Rodrigues Fleury Rosa trabalha firme no desenvolvimento de um respirador que é capaz de inativar o novo coronavírus, por meio de uma substância chamada quitosana. Suélia é engenheira eletrônica, formada pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), fez Mestrado em Engenharia Eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e Doutorado em Engenharia Biomédica na Universidade de Brasília, onde é professora e se fixou depois de fazer seu Pós-doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

A pesquisa sobre o respirador, batizada de Projeto Vesta, avançou bastante neste período e agora o próximo passo será o experimento no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) em Brasília. Como já foi aprovado pelo Comitê de Ética, o produto já está pronto para ser testado em humanos, segundo explicou a pesquisadora. Depois de testado, o passo seguinte será o licenciamento do produto para uma empresa brasileira. Uma das principais vantagens desse respirador é a utilização apenas de componentes nacionais. A equipe da pesquisa conta com profissionais de várias áreas e diversas universidades estão envolvidas.

Ao falar da sua trajetória, ela explica que hoje trabalha bastante com foco em transferência de tecnologia social: "toda vez que começo um projeto, a minha maior preocupação é como eu faço para encurtar o tempo para que essa tecnologia possa estar disponível para a sociedade". Nesse sentido, ela conta que trabalha com softwares e ferramentas de simulação que permitem minimizar os estudos clínicos e maximizar os estudos não clínicos, o que possibilita uma redução de custos e de investimento.

Suélia é uma engenheira e pesquisadora que faz da sua profissão uma missão de vida. Na UnB, além de professora e da coordenação de cursos em várias ocasiões, ela é fundadora do Laboratório de Engenharia e Inovação (LEI) e do Laboratório de Engenharia e Biomaterial (BioEngLab). Suas pesquisas focadas na Engenheira de Biomédicas já foram transformadas em produtos e licenciamentos de dispositivos médicos. Sua experiência e competência fazem dela uma consultora Ad-Hoc de órgãos como a Capes, CNPq, Ministério da Saúde e de várias revistas/publicações científicas nacionais e internacionais.

Já em relação à presença da mulher na engenharia, ela ainda considera limitada e chama atenção para a necessidade de se criar condições para a mulher entrar no curso, se manter e construir sua carreira. Suélia acredita que é preciso mostrar que o preconceito contra a mulher é uma questão estrutural: "não é só uma questão de conceito, de sensibilização. Precisamos incorporar esse processo de correção estrutural. Assim como temos o racismo estrutural, temos esse preconceito estrutural com relação à inclusão da mulher", avalia.

Flávia Barbosa - Goiás

Flávia Barbosa, Engenheira Agrônoma, Goiás  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Flávia Barbosa, Engenheira Agrônoma, Goiás
Imagem: Acervo pessoal

Flávia Rabelo Barbosa cresceu acompanhando o pai nas idas à fazenda da família no Ceará. Logo cedo, o interesse pelo campo chamou a atenção da menina Flávia, que adorava insetos e tinha por eles todas as curiosidades. Quando chegou a hora de escolher a profissão, foi a paixão por esses bichinhos minúsculos que a levou à Universidade Federal do Ceará, onde se formou como engenheira agrônoma.

Em busca de um mercado de trabalho mais promissor, Flávia mudou-se para o estado de Goiás, onde a agricultura era mais desenvolvida e logo entrou para a antiga Empresa Goiana de Pesquisa Agropecuária (Emgopa), onde ficou por 19 anos e trabalhou com o Manejo Integrado de Pragas (MIP) nas culturas da soja e algodão, entre outras atividades de pesquisa.

Com a carreira de pesquisadora consolidada, o próximo passo foi entrar para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O conhecimento e o domínio da técnica do Manejo de Pragas levaram Flávia para a Embrapa Semi-Árido em Petrolina (PE) para desenvolver uma técnica de Manejo e Controle de Pragas, dessa vez aplicada à fruticultura, especialmente de manga, goiaba e uva. Vencida essa etapa, Flávia se dedicou à produção integrada, na qual o foco é a cultura como um todo, desde a escolha do solo até a comercialização.

Hoje, as informações da Associação dos Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport) dão conta de que as cidades do Vale do São Francisco ? Petrolina (PE), Juazeiro e Casa Nova (BA) ? produzem anualmente 43,8 milhões de toneladas de frutas. Somente as culturas de manga e uva são responsáveis, respectivamente, por 96% e 99,9% das exportações do País.

Com certeza, toda a capacidade de produção de frutas no Vale do São Francisco deve muito à dedicação e ao conhecimento de Flávia Barbosa e dos profissionais que, como ela, não mediram esforços para transformar aquela região do semiárido em um grande produtor de frutas tropicais, gerando renda e emprego para milhares de brasileiros.

Após cumprir sua missão em Petrolina, Flávia voltou para Goiás para trabalhar na Embrapa Arroz e Feijão, onde coordenou a Produção Integrada do feijão comum e Projetos de MIP de arroz e feijão nas principais culturas do cerrado. Além disso, atuou em projetos de formação de jovens engenheiras e engenheiros agrônomos, especialmente no ensino das técnicas de Manejo de Pragas.

Quanto ao espaço de trabalho da engenheira agrônoma, Flávia acredita que o foco, a dedicação e o gosto pela profissão são formas de garantir oportunidades e "abrir caminhos". Ela ressaltou que se o produtor inicialmente estranha a presença da engenheira agrônoma no campo, ele não demora a se acostumar, principalmente diante de uma abordagem mais simples e na mesma linguagem dele. "Penso que a competência e o conhecimento prevalecem, e a mulher tem mais habilidade para abordar o produtor", garante ela.

Recentemente aposentada, Flávia não abre mão da sua atuação na diretoria da Sociedade Entomológica do Brasil (SEB), que reúne professores, pesquisadores, técnicos e pessoas interessadas no estudo da Entomologia e na sua aplicação em benefício da humanidade.

Maria do Carmo - Mato Grosso do Sul

Maria do Carmo, Engenheira Civil, Mato Grosso do Sul  - Divulgação/AGEHAB/MS  - Divulgação/AGEHAB/MS
Maria do Carmo, Engenheira Civil, Mato Grosso do Sul
Imagem: Divulgação/AGEHAB/MS

Nos últimos anos, a engenheira civil, Maria do Carmo Avesani Lopez, tem emprestado o seu conhecimento e sua experiência às agendas que tratam da política habitacional brasileira, em especial dos programas de ampliação do acesso à moradia e da regularização fundiária. Hoje, ela é uma das gestoras públicas mais respeitadas nessa área no País. Pela terceira vez, Maria do Carmo preside a Associação Brasileira de Cohabs e Agentes Públicos de Habitação e é a diretora-presidente da Agência de Habitação Popular do Mato Grosso do Sul (Agehab), onde já ocupou vários cargos públicos.

Antes de assumir a presidência da Agehab pela segunda vez em 2015, ela foi secretária de Estado do Mato Grosso do Sul, depois de trabalhar no Ministério das Cidades, em Brasília, onde foi diretora de Produção Habitacional. Mas foi na iniciativa privada que Maria do Carmo iniciou sua carreira profissional e se dedicou por anos ao setor de construção civil, chegando a ser engenheira residente em obras de vários edifícios no estado.

Com a serenidade e a experiência de quem tem uma trajetória publicamente reconhecida, ela lembra que foi estagiária de campo e começou a vida profissional no canteiro de obras. Formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em 1982, sua trajetória testemunha que nesses 39 anos de carreira profissional ela tem contribuído para a melhoria das políticas públicas nessa área.

Quando Maria do Carmo se formou, em toda a UFMS havia apenas sete mulheres no curso de Engenharia Civil, mas nem por isso ela se intimidou. Sua postura sempre foi a de buscar garantir o seu espaço ancorada em sua competência técnica: "nunca deixei que o fato de ser mulher me impedisse de assumir qualquer atividade. Se tecnicamente eu era competente, não poderia ser uma questão de gênero que iria me impedir, e acho que isso me abriu oportunidades", disse ela.

Para Maria do Carmo, a inserção da mulher na engenharia hoje já é uma realidade: "o canteiro de obras também é lugar de mulher". Ela acredita que a engenharia tem a ver com o perfil da mulher, que é meticulosa, observadora, detalhista e também mais perfeccionista.

No seu entendimento, ainda existem barreiras no mercado de trabalho e chama atenção para a necessidade de equiparação salarial: "as mulheres engenheiras têm que ganhar a mesma coisa que os homens engenheiros e eu penso que, em geral, isso tá mudando".

Daniela Argenta - Mato Grosso

Daniela Argenta, Engenheira Civil, Mato Grosso  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Daniela Argenta, Engenheira Civil, Mato Grosso
Imagem: Acervo pessoal

Em Cuiabá (MT), a engenheira civil Daniela Argenta está empenhada em ajudar a promover o empoderamento da mulher mato-grossense. E está fazendo isso há mais de um ano por meio do projeto SuperSis, que ensina as mulheres como fazer pequenos reparos em casa.

O objetivo, segundo ela, é mostrar para mulheres, principalmente fora da engenharia, que "elas podem muito mais do que imaginam", se forem mais autônomas e independentes, além de economizar um bom dinheiro ao fazer os pequenos reparos da casa. Com a pandemia, o Curso de Manutenção e Pequenos Reparos Residenciais, que era totalmente presencial e destinado apenas às mulheres, ganhou a sua versão 100% on-line, o que ampliou o acesso.

Formada pela Universidade Federal do Mato Grosso, Daniela é especialista em Infraestrutura Rodoviária. Além de dar as aulas presenciais do seu projeto, ela é consultora do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit/MT) em trabalhos voltados para Desapropriação e Faixa de Domínio.

Quanto à participação da mulher em sua profissão, ela considera que é crescente o número de mulheres ingressando nas mais diversas áreas da engenharia e credita o avanço às várias batalhas travadas pelas mulheres todos os dias. No entanto, ela defende a necessidade de ampliar o protagonismo das engenheiras e argumenta ser preciso "realizar um trabalho bem maior, principalmente dentro da engenharia".

Indicadores de qualidade de vida e a sustentabilidade pautam engenheiras no Sul do país

Michele Rigon Spier - Paraná

Michele Rigon Spier, Engenheira de Alimentos, Paraná - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Michele Rigon Spier, Engenheira de Alimentos, Paraná
Imagem: Acervo pessoal

O sonho de uma economia mais verde e criativa, com mais oferta de produtos sustentáveis, e cuja produção tenha baixo impacto ambiental e alto valor agregado é o que move todos os dias a professora e pesquisadora Michele Rigon Spier, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). E como ela mesma diz, tem uma verdadeira "paixão por desenvolver produtos e processos tecnológicos que o Brasil tanto precisa".

Graduada em Engenharia de Alimentos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e com mestrado e doutorado pela UFPR, Michele faz das suas pesquisas em Processos Biotecnológicos uma missão de vida. Sua determinação é a de contribuir para que o Brasil "seja menos dependente de tecnologias do exterior e que tenha maior autonomia e independência tecnológica".

Desde que se formou, há 18 anos, Michele atua intensamente no segmento de bioplásticos e na geração de biogás (gás natural de cozinha e gás veicular) a partir do lixo orgânico gerado. Inconformada com as 37 milhões de toneladas de lixo orgânico produzidas anualmente no País, ela esclarece que esse projeto visa resolver o grande problema dos lixões e aterros lotados, além de se constituir em solução para os problemas higiênico-sanitários que o País enfrenta e que se agravaram com a pandemia.

"Estamos ajudando a resolver e destinar esse imenso volume de lixo para gerarmos combustíveis renováveis" disse ela, ao argumentar que o País tem um imenso potencial de desenvolvimento de tecnologias e de aplicação de nossa biodiversidade e commodities para geração de produtos de elevado valor agregado.

Em seu esforço de transformar conhecimento em riqueza, Michele considera que o seu maior desafio é superar os obstáculos e "conectar diretamente ao mercado industrial, que necessita de soluções imediatas para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do País".

Michele lembra ainda que o País tem um déficit de engenheiros e acredita que esta seja uma grande oportunidade para as mulheres investirem na carreira de engenharia no Brasil. Para ela, "cada vez mais se reconhece a grande qualidade dos serviços prestados na engenharia pelas mulheres e esse aspecto tem reduzido o preconceito e os obstáculos que as mulheres engenheiras enfrentam".

Nanci Giugno - Rio Grande do Sul

Nanci Giugno, Engenheira Civil, Rio Grande do Sul  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Nanci Giugno, Engenheira Civil, Rio Grande do Sul
Imagem: Acervo pessoal

Nanci Begnini Giugno é uma profissional conhecida e respeitada na história da Engenharia Civil no Rio Grande do Sul (RS). Atualmente, ela é diretora de Qualificação Profissional do Sindicato dos Engenheiros no Rio Grande do Sul (Senge-RS), onde também coordena o Grupo "Mulheres na Engenharia", que visa ampliar e valorizar os espaços de participação das mulheres.

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em engenharia civil, Nanci começou a vencer as barreiras de gênero ainda durante a faculdade, quando convivia com mais de 100 colegas homens.

Hoje, ela avalia que começar a trabalhar como auxiliar técnica ainda no segundo ano do curso foi fundamental para a sua carreira profissional, porque pôde "conviver com engenheiros, participar de reuniões de trabalho e de palestras técnicas, ser desafiada em trabalhos de campo e na elaboração de relatórios, bem como a trabalhar em equipe".

A Fundação de Planejamento Metropolitano e Regional do Rio Grande do Sul (Metroplan) foi onde ela construiu grande parte da sua carreira. Começou como auxiliar técnica, engenheira, coordenadora de área e gerente até chegar a diretora técnica. Suas atividades se concentraram em programas, planos e projetos de infraestrutura urbana, saneamento e meio ambiente, desenvolvimento urbano e regional e uso e ocupação do solo.

Nanci sempre foi muito atuante e presente nas agendas dos setores públicos e privados ligados à engenharia do RS. Nesse sentido, aceitou o desafio de comandar o Departamento de Recursos Hídricos do Estado (DRH) e ser presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba em Porto Alegre.

Após anos de formada, voltou à UFRGS para fazer Mestrado em Planejamento Urbano e Regional. Como voluntária, exerceu por dois mandatos a presidência da seção gaúcha da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes).

Os anos de experiência na profissão respaldam sua avaliação de que pouco a pouco, mesmo enfrentando inúmeras dificuldades, as mulheres vêm conquistando espaços nas diversas áreas das engenharias. Ela defende a construção de "uma pauta com o olhar feminino sobre a participação das engenheiras a partir de sua capacidade intelectual, de sua competência e liderança, de suas conquistas tecnológicas e da inserção no mercado de trabalho".

Roberta Maas - Santa Catarina

Roberta Maas, Engenheira Sanitarista e Ambiental, Santa Catarina  - Divulgação/Casan - Divulgação/Casan
Roberta Maas, Engenheira Sanitarista e Ambiental, Santa Catarina
Imagem: Divulgação/Casan

Pela primeira vez, em 50 anos de história, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) tem em sua presidência uma mulher. Ela é a engenheira sanitarista e ambiental Roberta Maas dos Anjos, vinculada aos quadros de carreira da empresa, onde ingressou em 2004 como técnica em Saneamento e continuou depois de formada, ao ser aprovada em concurso para a área de engenharia da estatal. A Casan é uma das maiores empresas do estado e está presente em 195 municípios com 2.600 funcionários.

Além da graduação em Engenharia Sanitária e Ambiental na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela também cursou Engenharia Civil na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). Já o Mestrado em Gestão da Inovação foi pela Ecole Nat. Supérieure des Mines St-Etienne, da França.

O interesse pela área sanitária e ambiental veio lá de trás, ainda quando Roberta ia começar o segundo grau. Mesmo tendo estudado em escolas privadas no ensino fundamental, não lhe passavam despercebidos os movimentos de estudantes que vinham de municípios próximos a Florianópolis para estudar na Escola Técnica Federal de Santa Catarina (ETFSC), que ficava perto da sua casa. A curiosidade e a vontade de conhecer os cursos ali oferecidos levaram Roberta a procurar a escola. As informações sobre o Curso Técnico em Saneamento a deixaram "encantada", porque percebeu naquele momento que era uma área que as pessoas "podiam dar mais de si e ajudar outras pessoas", como ela mesma diz. Ali, Roberta compreendeu que levar saneamento era "levar água e saúde para as pessoas", lembrou.

Ao final do segundo grau, o estágio na Colônia de Férias do Sesc e as atividades de educação ambiental sobre tratamento de água, as trilhas ecológicas e oficinas de reciclagem a ajudaram a decidir pelo curso de Engenharia Sanitária e Ambiental. Ela conta que sabia que "era um curso difícil, que tinha muito de lógica e exatas, mas também oferecia a possibilidade de trabalhar com a engenharia de forma mais sensível com projetos práticos e que rapidamente têm um impacto positivo na qualidade de vida das pessoas".

Em sua trajetória profissional, Roberta acumula também uma forte atuação nas entidades de classe. No Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-SC), ela foi diretora financeira, coordenou a Câmara Especializada e ocupou a vice-presidência.

Para Roberta, "as mulheres hoje estão muito mais presentes nos cursos de engenharia e fazem o diferencial porque são mais sensíveis, mais organizadas, têm habilidades com gestão, além de dotar as instituições de um ambiente mais humano". E acrescenta: "a mulher assume e cumpre as suas responsabilidades e quando ela identifica seus valores, pode dar o seu melhor e, com isso, ter mais sucesso na caminhada".

Engenheiras do Nordeste focam a agenda do desenvolvimento e da inclusão social

Larissa Dantas - Rio Grande do Norte

Larissa Dantas, Engenheira Civil, Rio Grande do Norte  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Larissa Dantas, Engenheira Civil, Rio Grande do Norte
Imagem: Acervo pessoal

A engenheira civil Larissa Dantas Gentile é uma profissional respeitada no estado do Rio Grande do Norte, com atuação relevante no mercado da construção civil, em entidades de classe e, mais recentemente, ampliou suas atividades para o setor público. Desde o início do ano passado, é diretora-presidente da Companhia Potiguar de Distribuição de Gás (Potigás). Trata-se de uma empresa do ramo de petróleo e gás, que tem um papel estratégico no desenvolvimento da economia do estado do Rio Grande do Norte.

O olhar da mulher engenheira e a experiência de Larissa, bem como a sua determinação em se atualizar e de "estudar todos os dias", como costuma dizer, são um diferencial para o desempenho da Potigás no mercado. "O trabalho de gestão e de executiva me preenche muito e eu sou muito grata a essas oportunidades", disse ela.

Larissa fez a sua graduação em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e ainda em Direito, na Liga de Ensino do Rio Grande do Norte. Por muitos anos, ela se dedicou à empresa da família no setor da construção, chegando a ser vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN). Articulada e com trânsito nos mais diversos segmentos da engenharia potiguar, ela desempenhou atividades no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RN), onde atuou como conselheira. Atualmente, ela participa da organização de uma rede internacional de mulheres, cujo objetivo é discutir temas sobre infraestrutura.

A participação da mulher na engenharia é uma pauta que chama atenção de Larissa. Ela entende ser uma missão da sua geração apontar caminhos, incentivar e deixar um legado para as próximas engenheiras. Para Larissa, a oportunidade de assumir cargos de confiança, que possibilite ter o poder de tomar as decisões, também é fundamental para o empoderamento das mulheres e para inspirar as que ingressam na carreira, disse.

Kátia Simone - Maranhão

Kátia Simone, Engenheira Química, Maranhão  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Kátia Simone, Engenheira Química, Maranhão
Imagem: Acervo pessoal

O projeto "Sarminina Cientistas: Estimulando Meninas do Maranhão para as Carreiras de Exatas e Tecnologia" promete mudar, em bem pouco tempo, os atuais indicadores de interesses das meninas maranhenses pela engenharia e demais áreas tecnológicas. Seu principal objetivo é incentivar o ingresso de mulheres nos cursos de Química, Física, Computação, Matemática e Engenharias.

A iniciativa de um grupo interdisciplinar, liderado pela professora Kátia Simone Teixeira da Silva de la Salles, foi aprovada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no âmbito do Programa "Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação".

O projeto atua em duas frentes: uma a fim de promover o estímulo à curiosidade das meninas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio nas áreas de ciências exatas e tecnológica e outra para o desenvolvimento técnico das alunas de graduação, como complementação de sua formação. Além das atividades com as alunas de escolas públicas, também são realizadas atividades com a família para despertar e estimular a curiosidade para a área de C&T e ter o apoio para a escolha profissional.

Formada em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde também fez mestrado, a professora, que é do Departamento de Tecnologia Química da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), concluiu seu doutorado em Engenharia de Processos e Meio ambiente no Institut National Polytechnique de Toulouse, na França.

Na UFMA, a professora Kátia Simone, além da coordenação de cursos na sua área, já assumiu inúmeras tarefas de gestão na universidade, o que a permitiu conhecer a instituição por dentro e propor soluções como o "Sarminina Cientistas", que representa uma ação concreta, voltada para a superação dos baixos números de ingresso das meninas nas áreas de ciências e engenharia da universidade maranhense.

Para a professora, "a presença feminina na engenharia vem aumentando ao longo das últimas décadas. Os tempos mudaram e ganhamos espaço na engenharia, ocupando funções antes de maior disponibilidade apenas para o sexo masculino, o que demonstra a quebra de barreiras e a busca por cada vez mais igualdade". Ela acredita que, "para estimular o protagonismo das engenheiras em projetos estratégicos, precisamos dar mais visibilidade a projetos realizados por mulheres, além, obviamente, de políticas públicas de inserção da mulher nessa área predominantemente masculina".

Jéssica Lima - Alagoas

Jéssica Lima, Engenheira Civil, Alagoas  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Jéssica Lima, Engenheira Civil, Alagoas
Imagem: Acervo pessoal

A engenheira civil e professora Jéssica Helena de Lima faz das suas pesquisas e da sala de aula na Universidade Federal da Alagoas (UFAL) um espaço para discutir soluções para a ampliação e a garantia dos direitos das mulheres, especialmente no transporte público e demais equipamentos de mobilidade urbana.

Com mestrado e doutorado em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal de Pernambuco, onde também fez a graduação em Engenharia de Produção, ela tem investido tempo, energia e conhecimento para influenciar as pessoas, sobretudo as mulheres em pautas como transporte e inclusão social e transporte e gênero. Para tanto, alimenta diariamente seus canais nas redes sociais com informações sobre o assunto sempre de maneira mais pedagógica e divertida. A finalidade é promover a divulgação científica sobre esses temas. No caso do seu podcast semanal, ela conversa com especialistas no tema, busca aprofundar as discussões sobre as políticas públicas no setor e envolver, inclusive, os homens.

Jéssica também está preocupada em ajudar a tornar mais iguais os espaços da mulher no ambiente dos cursos de Engenharia. Ela recorda que conviveu com situações de machismo e hoje faz tudo para evitar esse tipo de manifestação no espaço acadêmico.

As iniciativas da professora Jéssica foram reforçadas recentemente com a aprovação pelo CNPq do seu projeto "Mulheres na Engenharia", que visa fomentar o interesse da mulher pela engenharia. "Acho que já conseguimos conquistar um espaço, mas precisamos continuar lutando pra conquistar um espaço de maior igualdade", avalia.

Jéssica considera que a presença da mulher em todas as engenharias tem crescido, chegando até mesmo a ter a maioria feminina na classe em alguns cursos. No entanto, ela alerta que "ainda temos uma longa batalha pela frente". Ela acredita ainda "que, para ampliar e estimular o protagonismo das mulheres, precisamos inicialmente de políticas afirmativas que reservem um certo percentual dos cargos de liderança às mulheres".

Célia Regina - Paraíba

Célia Regina Diniz, Engenheira Química, Paraíba  - Codecom/UEPB - Codecom/UEPB
Célia Regina Diniz, Engenheira Química, Paraíba
Imagem: Codecom/UEPB

Trabalhar com a agenda da qualidade da água foi uma decisão que a engenheira Célia Regina Diniz tomou ainda durante o estágio supervisionado que fez na Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa). Após a graduação em Engenharia Química na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a paixão pelo tema da água a levou a fazer o mestrado na UFPB em Engenharia Civil, na área de Engenharia Sanitária e Ambiental. No doutorado, feito na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), também no estado paraibano, a certeza do caminho a ser seguido norteou a sua escolha pela pesquisa em Recursos Naturais, na área de saneamento.

As pesquisas da engenheira Célia Regina têm uma importância estratégica para o estado ao tratar de questões de amplo interesse social, sobretudo porque têm um impacto direto na qualidade de vida das pessoas. Ao estudar temas como a qualidade da água, água de reúso e esgoto e resíduos sólidos e resíduos dos serviços de saúde, ela ajuda a engenharia a cumprir sua função social, na medida em que transforma seu conhecimento em benefício para a população.

Desde o final do ano passado, a engenheira Célia Regina é reitora da Universidade Estadual da Paraíba, onde também é professora e já ocupou vários cargos de direção e gestão. Ela analisa que o seu papel como mulher engenheira docente é no sentido de "refletir sobre as questões ambientais com os alunos, orientando os participantes dos projetos de pesquisa e extensão e juntamente com a comunidade, para que todas essas pessoas sejam capazes de se perceber integrante, independente e agente transformador do ambiente".

Célia ressalta ainda que as engenheiras, assim como as demais trabalhadoras brasileiras, recebem muito menos que os homens, independente de estarem no mesmo cargo ou possuírem a mesma qualificação profissional. Então, "há a necessidade de adoção de medidas afirmativas, que garantam a participação efetiva da mulher e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão, a fim de que seja promovido o desenvolvimento de uma sociedade justa e inclusiva", defende.

Lucia Barbosa - Ceará

Lucia Barbosa, Engenheira Mecânica, Ceará  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Lucia Barbosa, Engenheira Mecânica, Ceará
Imagem: Acervo pessoal

A professora Lucia Maria Barbosa Oliveira é engenheira mecânica formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Especialista em Tecnologia Educacional pela Universidade de Fortaleza (Unifor) e Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Sua trajetória é reconhecida como a de uma profissional que se dedica a ensinar Engenharia.

Trabalhar com os cursos de Engenharia é para ela uma missão de vida: "hoje sou uma professora engenheira e meu tempo é dedicado a ensinar na engenharia e coordenar cursos de Engenharia, especialmente nas áreas de Mecânica, Produção e de Controle e Automação".

Atualmente, Lucia Barbosa é coordenadora do curso de Engenharia Mecânica e de Produção da Universidade de Fortaleza, onde tem o desafio diário de acompanhar os novos fluxogramas dos cursos de Engenharia, as novas metodologias de ensino, entre outras tarefas pedagógicas como professora engenheira que é. Logo depois da graduação, foi trabalhar na Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial (Nutec), onde executou tarefas da sua área de formação, respondeu pelo cargo de diretora da Divisão de Mecânica e Materiais e foi assessora da Presidência. Na ocasião, teve a oportunidade de deixar um legado nos laboratórios onde atuou e "fazer a diferença", diz ela.

Quanto à participação da mulher na engenharia, ela disse que já pode sentir uma presença maior de mulheres e isso se deve também ao fato de que surgiram várias novas modalidades de engenharia, às quais o perfil da mulher se adapta, bem como Engenharia de Produção e Engenharia Ambiental. Lúcia destaca ainda que nas outras áreas o número de mulheres também aumentou, porque "as mulheres que optam por cursar Engenharia são geralmente empoderadas, fortes e não desistem com facilidade". Trabalhando com jovens estudantes de Engenharia, vejo com prazer e orgulho que o mercado está mais aberto às engenheiras. Ela acrescentou ainda que, "no mundo acadêmico, as meninas são muito respeitadas pelos meninos, mesmo porque, geralmente, são boas alunas".

Maria Urbana - Sergipe

Maria Urbana, Engenheira Agrônoma, Sergipe  - Divulgação/Embrapa/SE - Divulgação/Embrapa/SE
Maria Urbana, Engenheira Agrônoma, Sergipe
Imagem: Divulgação/Embrapa/SE

A engenheira agrônoma Maria Urbana Nunes tem sua história de vida ligada à terra desde os tempos de criança no interior de Minas Gerais, quando passava os fins de semana e as férias escolares na fazenda, ajudando os pais a cuidarem das hortaliças. Já naquela época, ela conheceu o sistema de produção orgânica e, até hoje, dedica sua experiência e seu conhecimento ao desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável.

Maria Urbana fez sua graduação e o mestrado na Universidade Federal de Lavras e o doutorado pela Universidade Federal de Viçosa, ambas em Minas Gerais. Há 40 anos, é pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tendo entrado na empresa na unidade do Acre em 1980. Desde 1992, atua na Embrapa Tabuleiros Costeiros em Aracaju, capital de Sergipe.

O foco do trabalho da agrônoma Maria Urbana sempre foram projetos cuja finalidade é gerar tecnologias para uso direto dos agricultores. Atualmente, seu desafio é desenvolver tecnologias para a destinação correta da casca de coco. Nesse sentido, ela lidera o projeto "Desenvolvimento de tecnologias para o aproveitamento da casca de coco seco e verde na geração de insumos para a agricultura sustentável", que conta com a participação de uma equipe multidisciplinar de profissionais do Brasil inteiro.

Para Maria Urbana, "a atuação da mulher como engenheira agrônoma vem se tornando cada vez mais evidente, apesar de ainda existirem muitos preconceitos e muita masculinidade na profissão". Ela considera, no entanto, "que a participação efetiva da engenheira agrônoma, como orientadora, no processo decisório do sistema de produção no campo e na administração da propriedade tem aumentado de maneira significativa".

Para ampliar e estimular o protagonismo das engenheiras agrônomas em projetos estratégicos para o País, ela defende ser necessária a maior valorização da mulher na profissão, e argumenta que as mulheres têm características e habilidades, como perspicácia e sensibilidade, grande proatividade, competência e disposição para buscar novos conhecimentos, além de serem mais comunicativas e persuasivas no que fazem.

Elisabeth Marinho - Pernambuco

Elisabeth Marinho, Engenheira Civil, Pernambuco  - Divulgação/Fisenge - Divulgação/Fisenge
Elisabeth Marinho, Engenheira Civil, Pernambuco
Imagem: Divulgação/Fisenge

Maria Elisabeth Marinho é uma profissional histórica na engenharia de Recife (PE), para onde se mudou ainda muito jovem para trabalhar na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) numa época em que a estatal estava em plena expansão e contratando engenheiros de diversas áreas.

Entre os amigos, ela é desde sempre a Beta Marinho, primeira mulher a se formar em Engenharia Civil na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e foi a única da turma durante os cinco anos, até terminar a graduação em 1962.

Sem conseguir emprego na profissão no estado paraibano e com o apoio da família, ela resolveu se mudar para Recife. Naquele momento, o sonho de servir ao País e ajudar no desenvolvimento do Nordeste e no combate à seca era o que movia a jovem engenheira civil.

Já em terras pernambucanas, ela fez o curso de Hidrologia das Secas e se preparava para trabalhar na Sudene. Beta conta que o envolvimento emocional e o desejo de ajudar o Nordeste eram tanto que às vezes, em momentos de abstração, ela se sentia "parte dos rios, dos córregos e da própria chuva que ia cair e molhar o chão". Todo esse encantamento a levou para o Departamento de Hidrologia, onde trabalhou até ir para a França, com uma bolsa das Nações Unidas, para se especializar ainda mais nesse tema.

Depois de quase um ano em Paris e em outras cidades francesas, ela resolveu que estava na hora de voltar e por em prática tudo que aprendeu com os franceses. Ao chegar, no início da década de 1970, veio a surpresa. A Sudene passava por uma ampla reforma e as suas atribuições foram modificadas para ser assessora técnica em área de gestão dos projetos da empresa. Nessa função, ela ficou por anos, quando resolveu se especializar na área de Engenharia de Transportes, e foi nela que ficou na Sudene até se aposentar. Uma parceria entre a Escola Politécnica de Pernambuco (Poli) e a Sudene a permitiu dar aulas nessa disciplina em cursos temporários.

Em todos esses anos, a vida de Beta Marinho foi cercada de muitas atividades profissionais, de luta pela democracia, e ainda de uma forte atuação em seus órgãos de classe. A aposentadoria trouxe mais tempo para ela se dedicar às funções de conselheira do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PE), ao Sindicato dos Engenheiros (Senge-PE) e à primeira Comissão de Mulheres do Confea.

Hoje, do alto dos seus 84 anos, ela ensina que é preciso trabalhar com as jovens do ensino fundamental para estimular a formação de novas engenheiras. Como fez a vida toda, criticou o machismo na sociedade e defendeu salários iguais entre homens e mulheres.

Inquieta, Beta tem se dedicado aos estudos da Física Quântica e tem uma visão otimista em relação ao futuro. Ela acredita em uma "consciência cósmica e que as transformações da humanidade nos trarão dias melhores".

Renata Barbosa - Piauí

Renata Barbosa, Engenheira de Materiais, Piauí - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Renata Barbosa, Engenheira de Materiais, Piauí
Imagem: Acervo pessoal

A professora Renata Barbosa, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), está atenta ao que o seu curso pode fazer para ajudar a combater o coronavírus, especialmente no Hospital Universitário da UFPI, que atende gente do estado inteiro. No ano passado, no auge da crise por Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o curso de Engenharia de Materiais, o qual ela coordena, mobilizou todos os recursos possíveis dentro e fora da universidade para produzir máscaras de proteção especial, do tipo "face shield", que seriam destinadas aos profissionais da linha de frente da pandemia no Hospital da Universidade.

Deu certo! "Para procurarmos atender à elevada demanda por esse tipo de EPI, o Laboratório de Polímeros e Materiais Conjugados (Lapcon) da UFPI, que ela coordena, buscou parceira externa. Assim, os pesquisadores conseguiram de uma empresa piauiense uma doação de 4 mil suportes fabricados pela tecnologia da injeção de termoplásticos, o que possibilitou a montagem dos protetores faciais pela nossa equipe", explicou a professora Renata Barbosa. A iniciativa, segundo ela, contou um amplo apoio de outros órgãos públicos, de empresas e da sociedade civil.

Formada em Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, onde também fez o mestrado e o doutorado, Renata é uma profissional reservada, mas que tem a mão na massa quando o assunto é tirar do papel o ensino das disciplinas da sua área. Antes mesmo da pós-graduação, ela trabalhou em uma indústria de desenvolvimento de produtos para aplicações, principalmente para a indústria automotiva do Polo Petroquímico de Camaçari (BA). Deixou a empresa para assumir seu cargo de professora na UFPI, onde também faz pesquisas nas áreas de Materiais Compósitos, Nanocompósitos Poliméricos, Polímeros Biodegradáveis e Filmes para Embalagens, ou seja, em temas estratégicos para o desenvolvimento de produtos e processos mais sustentáveis.

Ela defende a necessidade de ampliar a presença da mulher na engenharia: "é preciso mais debates nos meios governamentais e políticos, educacionais e industriais no sentido de esclarecer as questões culturais e de gênero e, com isso, ir diminuindo o preconceito e o distanciamento ainda existente".

Maria Higina - Bahia

Maria Higina do Nascimento, Engenheira Agrônoma, Bahia  - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Maria Higina do Nascimento, Engenheira Agrônoma, Bahia
Imagem: Acervo pessoal

A engenheira agrônoma Maria Higina do Nascimento tem uma trajetória de luta em defesa da agronomia, em especial, da mulher agrônoma. Sua determinação e compromisso com a classe fazem dela hoje uma referência no País, sobretudo quando o assunto é a organização dos profissionais e os sistemas de produção agroecológicos.

Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ela fez mestrado pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) em Solos e Qualidade de Ecossistemas, com ênfase em pesquisas agroecológicas. Higina, como é carinhosamente chamada pelos seus pares, deixou sua marca em vários projetos que participou na capital Salvador e no interior, como ser humano e profissional dos quadros da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A., ligada ao governo do estado.

Suas convicções e sua competência foram um grande diferencial na vida de homens e mulheres, em especial, de comunidades quilombolas e de agricultores familiares onde desenvolveu atividades de assistência técnica, extensão rural e levou, além de conhecimento, muita empatia e solidariedade.

Ela conta que em seu trabalho não se preocupava só com a produção agrícola. Seu olhar era também para os aspectos sociais das famílias. Questões como a renda das mulheres e a saúde dos filhos não lhe eram indiferentes.

Por conta dessa atenção com as pessoas, Higina identificou no seu trabalho de campo "que algumas pessoas das comunidades quilombolas apresentavam problemas comportamentais e que o mesmo ocorria com membros de sua família". Ela foi à luta, montou seus experimentos e fez da descoberta a sua dissertação de mestrado ao mostrar a relação do lítio com algumas verduras e hortaliças, bem como os benefícios de uma dieta alimentar com uso do lítio em determinados casos.

Entre os profissionais da engenharia, Higina é conhecida como uma mulher batalhadora, de fibra e coragem, conforme já demonstrou nos cargos de conselheira federal do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), de conselheira estadual do Conselho Estadual de Engenharia e Agronomia (Crea-BA) ou ainda como diretora da Associação de Agrônomos da Bahia.

Para Higina, a mulher ainda é minoria na engenharia, e, apesar de a agronomia ser uma profissão criada por mulheres, "ela foi apropriada pelos homens". Ela acredita que as mulheres se entregam de corpo e alma ao trabalho e que a sua sensibilidade e dedicação são diferenciais. Mas alertou que é preciso fazer um trabalho forte com as meninas desde o ensino fundamental para orientá-las e encorajá-las quando têm vocação para as engenharias.

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