UOL Notícias Cotidiano
 

14/10/2008 - 12h30

Jovens representam 63% do total de desempregados, afirma estudo do Ipea

Do UOL Notícias
Em São Paulo
Atualizado às 14h19

As pessoas que têm entre 15 e 29 anos de idade representam apenas 26,4% da população, mas são 63% do total de desempregados do país. Estes números fazem parte de um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que utilizou números da Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, feita pelo IBGE) e foi divulgado nesta terça-feira (14).

O desemprego juvenil é 2,9 vezes maior do que o de adultos: entre os jovens o percentual de desempregados é 14% e entre os adultos esse número cai para 4,8%. Segundo Jorge Abraão, diretor de estudos sociais do Ipea, dois fatores contribuem para isso. "A rotatividade do jovem é maior, os custos para demiti-lo são baixos para a empresa. E ele é um ser mutante, que está experimentando e ainda não sabe bem o que fazer", afirma Abraão.

O estudo mostra que quanto maior a faixa etária, maior o percentual dos que deixam de estudar para trabalhar: 45,3% dos jovens entre 16 e 17 anos têm uma ocupação, número que sobe para 62,2% no grupo de 18 a 24 anos. Da mesma forma, o número dos que dividem estudo e trabalho é menor entre os mais velhos: 21,8% entre os de 15 a 17 anos e 16,2% no grupo de 18 a 24 anos.

Arte UOL 

Apesar dos jovens entre 18 e 24 anos estudarem 9,1 anos - um aumento de 2,3 anos em relação a 1997 -, a escolaridade começa a diminuir a partir dos 25 anos. Segundo o Ipea, "os jovens desta faixa etária estão conseguindo ingressar no ensino médio, mas logo o abandona, sendo premidos a escolher entre o estudo ou o trabalho".

Embora as mulheres estudem mais que os homens, elas ainda apresentam um menor nível de ocupação. A participação delas é principalmente maior nos ensinos médio (53,8% das mulheres contra 42,4% dos homens) e superior (14,8% delas e 11,2% deles).

Apesar dos baixos índices, a escolaridade dos jovens está acima da média nacional. O estudo afirma que isto se deve à política de universalização do ensino dos últimos anos, e ao acesso ao ensino superior através de programas do governo federal, como o Prouni (Programa Universidade para Todos).

Mas a zona rural segue longe da média urbana: o nível de escolaridade dos jovens é 30% inferior ao dos jovens da zona urbana. E 9% dos jovens do campo continuam analfabetos contra 2% dos jovens da cidade.

Da mesma forma, seguem as diferenças entre brancos e negros. Apesar de a desigualdade ter reduzido entre os dois grupos nos últimos dez anos, o analfabetismo entre os jovens negros ainda é quase duas vezes maior do que entre os brancos. Quanto à freqüência escolar, os negros continuam em desvantagem, mas em 2007 existiam três vezes mais negros no ensino médio do que em 1997.

O Ipea ressalta que a vulnerabilidade do jovem no mercado de trabalho continua, mas alguns aspectos já melhoraram entre 1992 e 2007, entre eles, o aumento do emprego formal. O número de jovens de 18 a 24 anos com carteira assinada subiu de 40,7% em 2006 para 43,9% no ano seguinte.

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