UOL Notícias Cotidiano
 

31/10/2008 - 16h46

Dado sobre desmatamento não é 'índice de inflação', adverte Inpe

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
A imprensa brasileira está divulgando os dados mensais sobre desmatamento da Amazônia como se fosse índice de inflação, disse Dalton Valeriano, coordenador do programa de monitoramento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

"E não é esse o caso. Numa escala um pouco maior, você ainda pode até pensar em comparar um ano com outro, mas a gente tem percebido que os dados têm variado de um ano para outro. Precisaria de uma temporada de uns dez anos pra ter uma base de comparação. No momento, a gente vê tudo como uma ferramenta para fiscalização", explicou o biólogo, depois de participar de um evento sobre meio ambiente realizado em Brasília (DF).

Brasil precisa estabelecer metas, diz Marina Silva

Para a senadora Marina Silva (PT-AC) as políticas de preservação ambiental não podem ter caráter imediatista. Garantir que as regras estabelecidas sejam cumpridas e novas ações sejam implantadas é dever também da sociedade, alertou a ex-ministra do Meio Ambiente, ao participar da Eco2008, nesta sexta-feira, em Brasília (DF).

Valeriano defende que os dados do monitoramento sejam divulgados em conjunto com outras informações, para dar uma visão mais completa da situação na Amazônia. "O quanto foi observado, o quanto foi verificado (pela fiscalização), o quanto era realmente desmatamento ilegal, quantos foram autuados e quanto dessa autuação resultou em punição", enumerou o coordenador, que espera que o novo formato de divulgação de informações passe a funcionar já no ano que vem.

Ele alerta para o afunilamento que ocorre desde o monitoramento até a punição aos desmatamentos ilegais. "A gente percebe que existe um decaimento muito grande. De centenas de ilícitos, o pessoal de fiscalização consegue verificar alguns. Alguns poucos viram autuação de fato; algumas autuações são aceitas pela Justiça e alguns desses processos viram punição. Só 0,5% do que foi autuado chega lá na ponta. Por isso a discussão tem que migrar de um ponto de vista quantitativo, de aumentou, diminuiu (o desmatamento) para uma discussão mais séria sobre a eficiência desse sistema fiscalizatório. Senão, a gente está só brincando".

Nuvens
Esta semana, o Inpe divulgou uma queda de 22,3% no desmatamento em setembro, em comparação com o mês de agosto. A área desmatada em setembro ficou em 587 km2. O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) considerou a queda expressiva, por ter sido verificada em um mês de estiagem, quando o número de queimadas costuma aumentar.

A última divulgação mensal deverá ocorrer em novembro, com dados relativos ao mês de outubro. A partir daí, as informações serão reunidas trimestralmente. Isso vai ocorrer por causa da dificuldade de observar a região, por causa do aumento de nuvens no período de chuvas.

"A gente vai entrar em uma fase baixíssima de observação até maio do ano que vem, por conta disso. E temos observado que as ações de desmatamento estão se deslocando para o período chuvoso, quando sabem que não estaremos observando", disse o coordenador nesta sexta-feira ao público que acompanhou a Eco2008, em Brasília.

Por conta da dificuldade em visualizar a região, é provável que haja uma queda nos índices, que não corresponderia à realidade. "Não se pode perceber isso como uma redução ou então, quando chegar o período em que começa a abrir (o tempo), ver isso como um aumento do desmatamento", alertou.

Para melhorar a captação de imagens, o Brasil planeja contar com satélites mais modernos. O projeto do Amazon 1, com resolução de 40 metros, é uma das grandes apostas do país. Atualmente, segundo o coordenador, trabalha-se com uma resolução de 250 metros, que impede a verificação de áreas menores de desmatamento. "Vemos apenas quando o fato já está instalado e assim fica muito mais difícil tomar uma atitude de prevenção".

Outro plano do Inpe é montar uma central em Belém (PA), que ficaria responsável pelo monitoramento da Amazônia. O instituto está instalado em São José dos Campos (SP). "Aos poucos, os programas todos vão ser transferidos para lá. E talvez o Inpe comece a desenvolver operações em outros biomas, como o cerrado", antecipou Valeriano.

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