UOL Notícias Cotidiano
 

07/11/2008 - 08h00

Javali figura no ranking das 100 maiores espécies invasoras do mundo

Marcus Vinicius Gomes
Especial para o UOL Notícias
Em Curitiba (PR)
Biológa com doutorado em espécies invasoras pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), a pesquisadora Simone Camargo Umbria é a encarregada de identificar o número de javalis que vivem no Parque Estadual de Vila Velha, no interior do Paraná. Há meses, ela vem identificando através de "armadilhas fotográficas" a população de animais no local e mapeando os seus hábitos.

  • Divulgação/Simone Camargo Umbria
  • Divulgação/Simone Camargo Umbria

    Acima, um javali; abaixo, um cateto, espécie nativa; ambos foram "capturados" por armadilha fotográfica da pesquisadora Simone Camargo Umbria

Simone diz que o javali é uma das 100 maiores espécies invasoras do mundo e que sua remoção pode durar décadas. "Nas Ilhas Galápagos foram precisos 30 anos para extinguir o javali", afirma. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

UOL - Quantos javalis vivem no Parque Vila Velha?
Simone Umbria -
Não dá para fazer uma estimativa. Há muitos, mas só vamos poder saber examinando as "armadilhas fotográficas".

O que são essas armadilhas?
Umbria -
São máquinas fotográficas que disparam, através de sensores, quando o animal se aproxima a uma distância determinada.

Qual é o perigo do javali?
Umbria -
A devastação do meio ambiente. Eles concorrem com outros animais da fauna brasileira - como catetos e queixadas (porcos selvagens) - invadem plantações, fuçam a terra, arrancam raízes e são onívoros, comem de tudo. Além disso, são agressivos e podem atacar outros animais e até pessoas, no caso de se sentirem acuados.

Paraná vai capturar e
abater javalis invasores

Cerca de 200 javalis que vivem no Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, na Região Sul do Paraná, devem ser capturados e abatidos por técnicos do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) nos próximos meses

UOL - Quantos javalis vivem no Parque Vila Velha?
Como eles vivem?
Umbria -
Em pequenos bandos. São muito ariscos, vivem em tocas e gostam de lugares úmidos, o que há de sobra no parque.

O presidente do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), Victor Hugo Burko, diz que eles serão abatidos e sua carne doada a instituições de caridade.
Umbria -
Não creio nisso. Claro que os animais mortos serão examinados pela vigilância sanitária, mas é preciso alertar que eles são focos de leptospirose e de febre aftosa, portanto creio que as carcaças serão incineradas.

Como o javali chegou ao Paraná?
Umbria -
Havia criações do javali de origem européia - caso desse animal - na Argentina e no Uruguai, na década de 40. Depois eles foram trazidos para o Brasil, através do Rio Grande do Sul e chegaram ao Paraná na década de 80, onde foram soltos e tornaram-se selvagens.

O abate é permitido?
Umbria -
É lei federal. No Rio Grande do Sul é permitida a caça do animal com o uso de cães adestrados.

O mesmo procedimento pode ser adotado no Paraná?
Umbria -
Espero que não. Há, na região de Ponta Grossa, muitos caçadores que, se liberados para abater o animal, podem se sentir à vontade para caçar outros animais, como já ocorre, mas de forma ilegal.

Quanto tempo será necessário para extinguir o animal da região?
Umbria -
Muito tempo. Só o teste da armadilha deve levar pelo menos três meses. O cercado com alimentos com que se pretende atraí-lo pode ser inútil, já que há fartura de comida no parque e em fazendas da região. Nas Ilhas de Galápagos foi preciso três décadas para eliminá-los utilizando carcaça de cabra envenenada. Aqui tentaremos formas mais brandas para abatê-los.

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