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18/05/2009 - 07h30

Maceió inaugura escola de PVC; custo é maior, mas projeto prevê garantia de 25 anos

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió
Atualizada às 13h19

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A partir desta segunda-feira (18), 150 crianças de Maceió (AL) começam a estudar na primeira escola construída em PVC do Brasil.

Construída em apenas três meses, o novo prédio do Centro de Educação Infantil Mestre Izaldino tem uma área de 1.200 m². Todas as vagas já estão preenchidas por crianças do bairro do Pontal da Barra, uma comunidade que fica entre o mar e a lagoa Mundaú e reúne pescadores e rendeiras.
O projeto faz parte de uma parceria da prefeitura com uma empresa do setor químico e pode resultar na implementação de uma série de obras com a nova tecnologia, como outras escolas e postos de saúde.

  • Divulgação: Prefeitura

    Interior de sala de aula onde os alunos do maternal vão estudar

  • Carlos Madeiro/UOL

    Corredor da escola, onde aulas terão início nesta segunda-feira

  • Carlos Madeiro/UOL

    Escola feita em PVC fica no Pontal da Barra, Maceió (AL)

A escola custou R$ 720 mil. Desse montante, a empresa arcou com os custos do terreno e do PVC, enquanto o município bancou a mão-de-obra e demais materiais consumidos no projeto, como portas, janelas e telhas.

Embora custe 20% a mais que uma obra de alvenaria comum, a rapidez na construção, a resistência do material e o "custo zero" de manutenção são apontados pela Prefeitura de Maceió como decisivos na adoção da nova tecnologia. "Embora pareça mais cara num primeiro momento, ela acaba trazendo uma grande economia para os cofres públicos em médio e longo prazo", afirma o secretário de Comunicação de Maceió, Marcelo Firmino.

Como o PVC é um bom isolante térmico, em princípio, as crianças não devem passar mais calor do que numa escola normal, segundo o CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia).

A Braskem, empresa responsável pelo fornecimento do PVC, afirma que o material utilizado na obra é preparado para conter a ação da maresia. "Essa área é de maresia intensa e forte corrosão, é preciso fazer intervenções constantes. Se fosse construída no método tradicional, com certeza essa escola apresentaria, em pouco tempo, problemas como umidade, fungos e mofo. Seria um risco para as crianças", afirma o assessor da Diretoria Industrial da Braskem, Jorge Bastos.

A tecnologia é feita com base em placas de PVC, preenchidas também por concreto e barras de aço, que garantem a estabilidade do prédio. "O PVC concreto é um material que possui baixo custo de manutenção, grande poder de durabilidade e muita resistência física", diz o diretor industrial da empresa, Marcelo Cerqueira. Se fosse construída em modelo de alvenaria, a escola demoraria entre seis e nove meses para ficar pronta.

Garantia de 25 anos
Segundo o secretário de Comunicação de Maceió, "o custo um pouco maior se justifica porque a garantia da escola é de 25 anos, inclusive sem perder o brilho". "Nesse período, nosso custo de manutenção será zero. Se fosse uma escola comum, nesse período a gente gastaria muito mais com reforma de telhas, pinturas e problemas estruturais, que sempre surgem e, além de serem caras, muitas vezes inviabilizam as aulas", complementa Marcelo Firmino.

A primeira escola construída em PVC servirá como referência para outras obras que deverão ser feitas na capital alagoana. "A partir dessa escola a prefeitura estuda que novas construções serão feitas, já que existem muitas vantagens nessa tecnologia", disse o secretário.

Risco é a luz do sol, diz CREA
Embora seja uma tecnologia nova em construções, a adoção do PVC no lugar de tijolos e cimento é segura e utilizada em alguns outros países. A explicação é do engenheiro civil Aloísio Ferreira, presidente do CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) de Alagoas. Ele afirma que, "se o projeto for bem feito, a escola pode durar a vida toda, como qualquer outra".

Para Ferreira, o PVC tem como maior problema a falta de resistência à luminosidade. "O produto utilizado em construções deve ser preparado para enfrentar a luz do sol. Mas, tirando isso, o PVC é altamente resistente e tem uma durabilidade imensa. Por ser uma tecnologia nova, pode ser até um pouco mais cara hoje. Mas quando tivermos escala industrial por aqui, deve ficar até mais barata que obras de alvenaria", assegura o presidente do CREA.

Sobre possíveis problemas de calor dentro da escola, Ferreira acredita que isso depende de como foi projetada a ventilação dentro do prédio. "Se o projeto tiver um bom planejamento, que reserve áreas para a entrada de ar, o material de produção não fará diferença. O PVC também é um isolante térmico e pode permitir uma temperatura agradável dentro da escola. Aí depende da forma como foi projetada. Têm casas vizinhas, onde uma é mais quente que a outra. O que muda é a ventilação projetada para o ambiente", afirma Aloísio Ferreira.

Meio ambiente
Para o ambientalista e superintendente da Secretária de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos Anivaldo Miranda, a produção e uso do PVC - desde de que siga as regras de segurança - não apresenta riscos ambientais. "É um material de largo uso no mundo inteiro. O risco do PVC está exclusivamente na produção, quando são manipulados produtos químicos como o cloro. Mas hoje o meio industrial segue normas de segurança rigorosas. Tanto que nas últimas décadas não tivemos nenhum acidente de grande porte aqui em Alagoas", diz.

Sobre o uso em construções civis, o ambientalista acredita que o uso do produto não trará qualquer problema de saúde aos alunos da escola. "As pessoas ficam receosas, mas precisam saber que o PVC já está dentro de nossas casas, nos canos que nos trazem água, por exemplo. Na construção civil, é uma tecnologia nova que precisa de análises de mercado, por conta de custos. Mas risco ambiental, eu não vejo", garante.

Comunidade aprova obra
As aulas no Centro de Educação Infantil Mestre Izaldino terão início nesta segunda-feira. Vivendo da pesca e artesanato, a comunidade ficou satisfeita com a entrega da escola pública. "A escola é muito bonita e espero que meu filho goste de lá e principalmente que não falte professor", afirma Ana Francisca da Silva, mãe de João Vitor, 7, que vai estudar na escola.

Já o pescador Antônio Pedro acredita que a escola ajudará a comunidade. "Deve ser muito bom estudar lá, porque é tudo novinho. Acho que foi bom para a gente", afirmou, enquanto retirava do pequeno barco os peixes pescados na tarde de sexta-feira.

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