UOL Notícias Cotidiano
 

22/05/2009 - 19h00

Prisão de dono da Gol foi decretada por motivo de suborno, afirma promotor

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
O promotor de Justiça de Taguatinga (DF), Bernardo de Urbano Resende, afirmou nesta sexta-feira (22) que o pedido de prisão preventiva do dono da empresa aérea Gol, Nenê Constantino, foi motivado por suborno de testemunhas.

O empresário é acusado de ser mandante do assassinato de duas pessoas, por conta de uma disputa de terreno. Ele teve prisão preventiva decretada ontem (21/5) e está foragido. Segundo nota enviada na tarde desta sexta-feira, Constantino de Oliveira "encontra-se em tratamento médico e se apresentará á Justiça espontaneamente tão logo tenha condições de saúde para tal".
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    Constantino é acusado de ser o mandante do assassinato do líder comunitário Márcio Leonardo de Sousa Brito, executado com três tiros de revólver em outubro de 2001. Ele liderava um grupo de cerca de 100 pessoas que ocupava o terreno em volta da garagem da viação Planeta, pertencente ao empresário.



Segundo o promotor de Justiça, uma das testemunhas do caso teria ganhado uma casa para imputar o crime a outra pessoa, um homem conhecido como Padim, que já morreu. Essa testemunha é viúva de Padim. A casa, segundo o promotor, teria saído do patrimônio do empresário.

Esta não teria sido a única tentativa de suborno contra a mulher. "Quando viram que ela estava voltando atrás no depoimento ofereceram um emprego para o filho dela nas empresas de Constantino", disse o promotor.

Segundo o promotor, outras testemunhas, funcionárias das empresas de ônibus de Constantino e também da Gol, foram apresentadas pelo advogado do empresário para imputar o crime ao tal Padim. "Era essa a combinação", disse Resende.

Além de Nenê Constantino, outras três pessoas tiveram a prisão preventiva decretada. Uma delas é Victor Foresti, genro e sócio de Nenê e vice-presidente do Setransp, o Sindicado das Empresas de Transportes de Passageiros. João Alcides Miranda e Vanderlei Batista Silva, que trabalharam para Nenê, são os outros envolvidos.

O promotor também citou uma interceptação telefônica feita em sigilo e, portanto, não deu detalhes sobre o conteúdo das gravações. Mas afirmou que elas influenciaram no pedido de prisão. "É evidente que a prisão é feita com base em vários elementos. Tanto baseado na interceptação telefônica quanto na prova material."

As investigações tiveram início em 2001, quando ocupantes do terreno se recusaram a sair e teriam sido ameaçados. Foi criada uma associação, liderada por Márcio Brito, que foi assassinado. De acordo com as investigações, encerradas em abril deste ano, o empresário teria sido o mandante do crime. Pesa sobre ele também a acusação de mandar matar Tarcísio Ferreira, que teria trabalhado em uma de suas empresas.

Segundo o promotor, investigar o caso foi complexo por causa do medo e descrença das testemunhas. "As pessoas sempre disseram que não queriam falar nada porque sabem que um homem tão poderoso não iria para a cadeia. Quando começaram a dar a elas garantias de que haveria uma investigação séria e que seria possível fazer alguma coisa, elas começaram a contar as ameaças que eram feitas quando elas estavam lá", contou Resende, acrescentando que "todos têm muito medo".

A viúva de Padim teria recebido ameaças depois de falar sobre a casa, com pessoas buscando informações sobre seu itinerário de trabalho - ela é cobradora de ônibus em uma das empresas de transporte do dono da Gol. "É importante dizer que ela não teve como não voltar atrás, porque, além de outras provas que existiam, a pessoa que conviveu com o Padim nos últimos dias de vida, disse que no dia do crime ele estava dentro de casa.", disse o promotor.

O advogado do empresário entrou com um pedido de habeas corpus nesta sexta-feira no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de prisão domiciliar para Constantino, o coordenador de Centro de Informação do Ministério Público do DF, Wilton Queiroz de Lima disse que isso seria "temerário". "Nós entendemos que diante daquilo que ocorreu durante as investigações isso seria temerário na medida em que ele teria as mesmas condições para interferir na instrução criminal."

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