UOL Notícias Cotidiano
 

29/05/2009 - 09h54

Criança de seis anos é a 6ª vítima da inundação no Piauí

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Atualizada às 18h40

  • André Leão/CCom PI - 29.mai.2009

    Com a destruição da ponte, que está a 5 km da cidade de Buriti dos Lopes e a 30 km de Parnaíba, toda a região litorânea do Piauí ficou isolada


A Polícia Militar do Piauí resgatou no início desta noite o corpo de Maria Andreina Pereira, de 6 anos, na comunidade de Franco, em Cocal (PI). Com a localização do corpo, sobe para 6 o total de óbitos confirmados após a inundação causada pelo rompimento da barragem Algodões 1. A criança era uma das pessoas que estavam na lista de desaparecidos oficialmente, que agora cai para 3.

Mais cedo, o Corpo de Bombeiros havia localizado o corpo de José Francisco Alves dos Santos, 36 anos, também em Cocal. Ele era morador da comunidade Angico Branco para onde o corpo será transportado. As últimas informações da Defesa Civil são que 2.953 pessoas foram atingidas pela enxurrada, sendo 2.000 desabrigados e 953 desalojados. Ao todo, 120 casas ficaram destruídas.

A enxurrada também provocou uma erosão nas cabeceiras da ponte sobre o Rio Pirangi, na rodovia BR-343. A água deixou ontem um rasgo de cerca de 50 metros nos dois lados da ponte. O local está a 5 quilômetros da cidade de Buriti dos Lopes e a 30 quilômetros de Parnaíba, deixando isolada toda a região litorânea do Piauí.

O acesso a Parnaíba e Luís Correia, no litoral do Estado, está sendo feito pela BR-222, que liga Piripiri a Tianguá (CE), de acordo com o chefe de Serviço de Engenharia da Superintendência Regional do Piauí, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Ismar Portela Santos.

Patrulheiros do posto da Polícia Rodoviária Federal na BR-343, em Piripiri, estão orientando os motoristas a fazerem um desvio pela BR-222 em direção a Tianguá (CE), segundo Ismar Santos. De Tianguá, os motoristas devem seguir por estrada estadual cearense até Cocal (PI) e de lá, a Parnaíba.

Ismar Santos disse ainda que uma equipe de engenheiros e técnicos do Dnit está na região da ponte que teve as cabeceiras destruídas. Ele explicou que o trecho só poderá ser reconstruído depois que as águas baixarem. A previsão é de que esse trabalho comece domingo (31).

Segundo o governo do Estado, apesar de deixar cerca de 100 famílias da zona rural de Buriti dos Lopes isoladas, não houve registro de mortos. As cidades de Cocal e Cocal dos Alves, que possuem, juntos, 31.500 habitantes e perto de 8.500 unidades consumidoras, estão sem energia elétrica e não há previsão de retorno do fornecimento, segundo a Companhia Energética do Piauí (Cepisa).

Ontem às 22h57, a Cepisa restabeleceu a energia para as cidades de Buriti dos Lopes, Caxingó e Caraúbas, quando houve a redução do nível das águas liberadas pela barragem de Algodões 1. O fornecimento havia sido suspenso preventivamente às 19h36 quando o volume das águas começou a oferecer riscos à rede de energia e às pessoas.

O motivo é que as obras de reconstituição dos postes, derrubados pela enxurrada, não podem ser iniciadas, porque em algumas regiões do município de Cocal ainda existe uma grande quantidade de água. Dezoito postes da linha principal de distribuição de energia elétrica foram derrubados pelas águas da Barragem Algodões I.

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Inquérito
A presidente da Empresa de Gestão de Recursos do Piauí (Emgerpi), Lucile Moura, informou que o governador Wellington Dias determinou a criação de um comitê técnico para avaliar o ocorrido na Barragem Algodões I, no município de Cocal. Segundo ela, foi determinado pelo governador que a Secretaria de Segurança instaure um inquérito para apurar as responsabilidades pelo desabamento.

A empresa responsável pela construção da barragem, a Getel, já foi notificada. De acordo com a Emgerpi (Empresa de Gestão de Recursos do Piauí), a barragem tinha 10 anos de funcionamento, mas a garantia prevista sem que ocorressem danos era de 15 anos.

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) afirmou nessa sexta-feira (29) que ter orientado as famílias de Cocal (PI) a voltarem à área de risco, inundada nesta quarta-feira após o rompimento da barragem Algodões 1, foi um "ato de extrema irresponsabilidade" do governo do Piauí.

"Essa é uma tragédia infelizmente anunciada. Aliás, há 15 dias (sic) as famílias retornaram à área de risco por orientação e determinação do próprio governo do Estado" afirmou Heráclito, que, assim como o governador do Piauí, comparou o desastre a um "tsunami".

O Ministério Público Federal (MPF) no Piauí anunciou na manhã de hoje a abertura de uma investigação para apurar as causas do rompimento da Barragem Algodões I, em Cocal, no interior do estado, que resultou em cinco mortes confirmadas e centenas de famílias desabrigadas. Há suspeitas de negligência na condução e manutenção da obra.

"Vamos apurar se essa tragédia foi em decorrência apenas do fenômeno da natureza, no caso a chuva, ou se houve fragilidade e inadequação na construção da obra. São questionamentos que só a perícia vai apontar. Temos que ter cautela. Vários órgãos serão notificados", afirmou o procurador-chefe do MPF no Piauí, Kelston Pinheiro Lages.

"Com certeza isso será checado. Essas pessoas foram orientadas para retornar às suas casas e precisamos saber com respaldo em quê [voltaram ao local]", acrescentou Lages.

A tragédia, considerada de gravidade inédita na história do Estado, deverá resultar em ações de responsabilidade civil e criminal. "Esses fatos têm desdobramentos no aspecto cível, de reparação de danos, e também no aspecto criminal, porque houve vítimas e crime de homicídio", ressaltou Lages.

O procurador lembrou ainda que o Piauí, por ser um dos Estados mais pobres do Brasil, recebe um grande volume de recursos federais que exige ampla fiscalização de sua aplicação. "A nossa preocupação é que esses recursos sejam aplicados de forma correta para que as obras sejam executadas da forma devida e adequada."

300 famílias isoladas
Mais dois helicópteros, um do Maranhão e outro do Ceará, devem seguir hoje para Cocal para auxiliar no deslocamento das 300 famílias que estão isoladas. No município, já existem dez abrigos provisórios funcionando em escolas e ginásios de esportes, e dois helicópteros do governo estadual estão sendo utilizados no transporte de alimentos e no resgate da população afetada.

A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, já disponibilizou cestas e alimentos, material de limpeza e colchões, cobertores, travesseiros e filtros. Desde ontem, técnicos da órgão estão no Piauí para ajudar nas ações de retirada da população das áreas de risco e no levantamento dos danos materiais e humanos causados pelo rompimento da barragem.

*Com informações do portal Governo do Piauí, da Agência Senado e Agência Brasil

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