UOL Notícias Cotidiano
 

10/11/2009 - 16h44

Uniban vai aplicar ações educativas para aluna hostilizada e estudantes que a ofenderam

Talita Boros*
Do UOL Notícias
Em São Bernardo do Campo (SP)
Atualizado às 19h08

O vice-reitor da Uniban (Universidade Bandeirante), Ellis Brown, anunciou, em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (10) no campus da universidade em São Bernardo do Campo (SP), a revogação da expulsão de Geisy Arruda, 20, alegando que não cabe aplicar uma punição disciplinar à aluna, e sim adotar medidas "educativas" a todos os envolvidos no caso.

"Eu fui a vítima", diz Geisy Arruda


A jovem foi hostilizada no último dia 22 por dezenas de estudantes por usar um vestido curto. O Conselho Universitário havia decidido expulsar Geisy, sob a alegação que ela vestiu trajes inapropriados, se insinuou para os alunos e, portanto, foi quem provocou o tumulto na ocasião.

Segundo Brown, a universidade não errou ao expulsar a garota, já que ela teria descumprido as normas do regimento interno da instituição. No entanto, depois de pensar melhor, a Uniban, de acordo com o vice-reitor, resolveu tomar uma atitude reflexiva e lançar mão de medidas educativas para Geisy e os 10 alunos que seriam suspensos por hostilizar a estudante. Ninguém mais será punido disciplinarmente. O vice-reitor ressaltou que medidas educativas garantem resultados mais duradouros.

A primeira medida educativa será uma palestra com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), marcada para a próxima sexta-feira (13), às 19h. Outras atividades ainda serão agendadas. De acordo com o vice-reitor, comportamento em sociedade e decoro na universidade serão os temas abordados.

Brown não disse qual foi a norma da universidade que Geisy teria desrespeitado, mas afirmou que não foi por ter usado uma roupa supostamente inadequada, e sim pelo seu comportamento na ocasião.

"Existem centenas de meninas que usam minissaia na universidade. O que foi discutido não foi o tamanho do vestido e sim a postura da aluna", disse Brown. "O conselho se baseou nos depoimentos dos outros estudantes para tomar a decisão", completou.

Para a reitoria da Uniban, o caso de Geisy precisa ser tratado como um comportamento a ser revisto e reeducado dentro da própria universidade, que tem o dever de formar cidadãos completos.

Segurança e mudança de prédio
O vice-reitor disse ainda que Geisy terá todas as garantias de segurança para voltar às aulas. Brown garantiu que haverá atenção especial para a aluna, mas ressaltou que "não se pretende criar um ambiente de patrulhamento ostensivo".

A turma da estudante foi deslocada para um outro bloco para, segundo ele, criar um ambiente "mais descontraído e agradável" no retorno da estudante.

Em nota oficial divulgada no começo da noite desta terça-feira (10), os advogados de Geisy afirmam que estão notificando extrajudicialmente a instituição para garantir o retorno da aluna à universidade.

Geisy afirmou hoje que só volta a estudar na universidade se for acompanhada por, no mínimo, três seguranças. "Só volto se garantirem que terei seguranças. Estou com muito medo porque os alunos estão revoltadíssimos". Geisy diz que tem medo de passar pelo que passou novamente e de sofrer retaliações dos estudantes. De acordo com o vice-reitor, se necessário, Geisy terá o acompanhamento de seguranças disponibilizados pela universidade.

UNE e MEC se manifestam
A União Nacional dos Estudantes (UNE) divulgou nesta manhã uma nota comemorando a revogação da expulsão da aluna. De acordo com a UNE, foi graças à pressão de estudantes, movimentos sociais e sindicais, intelectuais, professores, imprensa nacional e internacional que a Uniban voltou atrás na decisão.

O MEC (Ministério da Educação) informou na tarde desta terça-feira que suspendeu o pedido de solicitação enviado ontem (9) à Uniban em decorrência da expulsão da aluna.

Segundo a assessoria, a revogação da decisão de expulsão por parte da faculdade fez com que o ministério considerasse o episódio "superado". Dessa forma, o documento encaminhado ontem para a universidade, via fax, deve ser arquivado.

Inquéritos
Antes da Uniban recuar em sua decisão, o Ministério Público Federal em São Paulo divulgou que instaurou um inquérito civil público para apurar as circunstâncias da sindicância que resultou na expulsão de Geisy.

Também a Polícia Civil abriu na tarde desta segunda-feira um inquérito para investigar as ofensas sofridas pela estudante do curso de turismo.

*Com informações da Agência Estado

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