UOL Notícias Cotidiano
 

11/11/2009 - 11h00

Para especialista, causa do apagão não é climática: "só se fosse um furacão"

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A tempestade que atingiu o oeste e o centro-norte do Paraná na tarde da terça-feira não pode ser usada como justificava para o apagão que deixou grande parte do país sem luz na noite de ontem. A opinião é do especialista em setor energético Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo ele, as usinas hidrelétricas brasileiras, como a de Itaipu, são projetadas para enfrentar qualquer evento climático rotineiro e até de grande porte, como chuvas intensas, rajadas de vento e raios.

Medo e transtornos
na escuridão

  • Situação do trânsito ficou crítica nas cidades afetadas pelo apagão ontem à noite


"Apenas tufões, furacões, queda de avião, caminhão que atropela torre ou abalos extremamente graves e muito improváveis não são compreendidos no projeto das usinas, porque cobrir o sistema para todo tipo de evento seria muito caro. Mas raios não explicam de jeito nenhum o apagão. O sistema é projetado para permanecer estável para mudanças climáticas", diz. "Pode ter sido um evento desta natureza ou falta de manutenção", cogita.

O governo atribui as causas do apagão a um forte temporal na região Sul, que teria atingido linhas de transmissão e levado ao desligamento de Itaipu e à interrupção de algumas linhas de Furnas. A usina de Itaipu informa que ainda não tem informações sobre o que teria provocado o blecaute.

De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) de Porto Alegre (RS), uma chuva moderada foi registrada na região do Paraná durante a tarde de ontem. O temporal durou das 15h às 17h e foi caracterizado por rajadas de até 82 km/h e descargas elétricas. "Mas nas nossas estações não houve um acúmulo muito grande de água e em média os ventos ficaram em torno de 70 a 80 km/h", explicou o meteorologista Flávio Varone. Segundo ele, esse tipo de chuva é comum nesta época do ano na região do Paraná e da Argentina.
  • O governo atibui o apagão ao desligamento de três linhas de transmissão: duas que ligam Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e uma que liga Itaberá à subestação de Tijuco Preto (SP)

  • Fonte: Sigel e Itaipu Binacional
O professor Sauer afirma que o fato de o Paraguai também ter ficado sem luz leva a crer que realmente houve um problema no sistema de transmissão de Itaipu ou na própria usina. "O evento aconteceu por volta de 23h, quando o consumo de energia não é elevado. A capacidade de geração no país é o dobro da carga máxima. Isso é sinal de que havia folga na geração, o que leva a acreditar que a origem do problema pode estar na transmissão", diz.

No entanto, para ele, as consequências e a duração do apagão são injustificáveis. "Itaipu pode ter perdido carga ou pode ter parado de transmitir, mas o sistema é interligado e coordenado. Há uma rede que conecta as usinas brasileiras e que pulsa simultaneamente com todas as usinas sincronizadas. O sistema é projetado para compensar um ou dois problemas com o acionamento da geração reserva em outras usinas. Nesse caso, temos um problema a ser investigado", diz.

O especialista ressalta ainda que a tarifa paga pela energia elétrica no Brasil é alta, comparada aos sistemas de outros países, porque as usinas possuem um padrão de confiabilidade "elevadíssimo".

O último apagão de grande porte aconteceu em 11 de março de 1999, quando 70% do território brasileiro e parte do Paraguai ficaram no escuro. O problema teria sido na subestação de energia elétrica da Cesp (Cia Energética de São Paulo), em Bauru, no interior de São Paulo. Na época, o governo disse que o apagão foi causado pela queda de um raio na subestação. Desde 2005 o Brasil não tinha blecautes.

  • Ricardo Nogueira/Folha Imagem

    Apagão em vários Estados do país deixaram cidades no escuro, como Santos, no litoral paulista

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