UOL Notícias Cotidiano
 

11/11/2009 - 13h36

Apagão mostra que sistema brasileiro é "vulnerável" e deixa país "refém de acidentes", diz especialista

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O apagão que atingiu 18 Estados do país na noite desta terça-feira mostra que o sistema de energia elétrica é "vulnerável" e precisa de investimentos tecnológicos, defende Adriano Pires, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

"Não importa se foi um raio ou se foi um erro na operação, a questão de fundo é que um país como o nosso não pode ficar refém de acidentes. Isso é muito sério", disse. "Os reservatórios estão cheios, não é um problema de falta de água, e as usinas estão gerando energia suficiente. Então estamos diante de uma problema elétrico".

  • O governo atribui o apagão ao desligamento de três linhas de transmissão: duas que ligam Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e uma que liga Itaberá à subestação de Tijuco Preto (SP)

  • Fonte: Sigel e Itaipu Binacional
O governo atribui as causas do apagão a um forte temporal na região Sul, que teria atingido três linhas de transmissão: duas delas ligam Ivaiporã, no centro do Paraná, a Itaberá, em São Paulo. A terceira liga Itaberá à subestação de Tijuco Preto, também em São Paulo.

De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) de Porto Alegre (RS), uma chuva moderada foi registrada na região do Paraná durante a tarde de ontem. O temporal durou das 15h às 17h e foi caracterizado por rajadas de até 82 km/h e descargas elétricas. "Mas nas nossas estações não houve um acúmulo muito grande de água e em média os ventos ficaram em torno de 70 a 80 km/h", explicou o meteorologista Flávio Varone. Segundo ele, esse tipo de chuva é comum nesta época do ano na região do Paraná e da Argentina.

Para especialista ouvido pelo UOL, a informação sobre a origem do problema ser climática não é conclusiva. "Apenas tufões, furacões, queda de avião, caminhão que atropela torre ou abalos extremamente graves e muito improváveis não são compreendidos no projeto das usinas, porque cobrir o sistema para todo tipo de evento seria muito caro. Mas raios não explicam de jeito nenhum o apagão. O sistema é projetado para permanecer estável para mudanças climáticas", disse Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), para quem a causa também pode estar relacionada a falta de manutenção.

Já para Adriano Pires, o problema de abastecimento está na falta de investimentos em linhas de transmissão, que deveria ser mais curtas. "Temos linhas muito longas, que exigem gestão e tecnologias mais modernas para serem administradas. Precisamos aprender a administrar isso", falou.

Além disso, afirmou ele, o sistema de segurança que deveria ter acionado a transmissão de energia por outra rede no momento da pane não funcionou. "Deveria existir esse sistema, mas parece que não existe", disse.

Pires acredita que há risco de novos blecautes, principalmente se o país tiver de enfrentar um verão de muito calor, porque a demanda por energia pode sobrecarregar o sistema.

"Vejo ministro falando que o sistema é seguro. É seguro para ele, mas não para as pessoas que ficam presas no elevador ou que estão nos hospitais", criticou o professor.

Entenda a distribuição de energia no Brasil

  • Fonte: ONS

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,78
    4,016
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h23

    -0,30
    93.627,80
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host