UOL Notícias Cotidiano
 

11/11/2009 - 15h32

Sobrecarga de linhas paralelas a Itaipu pode ter causado blecaute, diz especialista

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O blecaute da noite de terça-feira (10) pode ser resultado da falta de capacidade de cabos de transmissão secundários compensarem a interrupção do fluxo na principal via de escoamento da energia da usina de Itaipu para o resto do país, avalia o engenheiro Roberto Schaeffer, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele afirma que o sistema elétrico brasileiro é feito para ser redundante e impedir incidentes como o que deixou 18 Estados no escuro ontem.

"Havia linhas de transmissão trazendo energia de Itaipu e quando há problema em uma é necessário achar um caminho alternativo. Aparentemente houve um problema para desviar essa energia de Itaipu para as linhas secundárias, que não devem ter aguentado a intensidade da carga e desligaram por seguranças por conta de sobrecarga", disse Schaeffer, especialista em energia elétrica, em entrevista ao UOL Notícias.

"É como o trânsito: há uma estrada principal e as vicinais. Se há um desastre na estrada principal, o tráfego vai para as outras. Mas nem sempre as outras são capazes de receber o fluxo e o engarrafamento acontece. Me parece que podem ter jogado carga demais nas estradas vicinais sem saberem se elas aguentariam uma operação que deve ser feita aos poucos, para garantir que não haja queda generalizada em um sistema integrado como é o nosso."

Para o especialista, "o sistema elétrico brasileiro é muito robusto e nele a energia pode passar por vários caminhos. "Ele é feito para isso. Mas houve algum problema de manobra que fez com que não soubessem administrar esses caminhos alternativos. E não é só uma questão de cair linha, porque isso acontece no Brasil todos os dias e a gente nem fica sabendo. Geralmente isso só afeta quem está diretamente ligado àquela linha e afeta por pouco tempo. Como neste caso está demorando para resolver ontem, é um sinal de que o problema foi grave", afirmou.

  • O governo atibui o apagão ao desligamento de três linhas de transmissão: duas que ligam Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e uma que liga Itaberá à subestação de Tijuco Preto (SP)

  • Fonte: Sigel e Itaipu Binacional


De acordo com lista divulgada na tarde desta quarta-feira pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) os Estados atingidos são: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo, e parcialmente os Estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Acre, Rondônia, Bahia, Sergipe, Paraíba, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Apesar de não entrar na lista oficial, o Distrito Federal também relatou falta de energia. O Paraguai, com quem o Brasil divide a administração de Itaipu, também teve corte de energia.

O governo fala em fatores climáticos que teriam afetado linhas de transmissão. Mas a informação sobre a origem do problema não é conclusiva.

Entenda a distribuição de energia no Brasil

  • Fonte: ONS

Efeito dominó
Em nota divulgada na madrugada desta quarta, a Itaipu Binacional afirmou que o apagão não teve origem na usina. Houve, segundo a empresa, uma pane no sistema elétrico interligado brasileiro. Schaeffer afirmou que o desligamento das linhas que carregavam energia de Itaipu se deve ao fato de que "quando sobrecarregada, uma linha usa uma espécie de disjuntor para evitar riscos à segurança e, consequentemente, sobrecarrega as outras".

Falha em subestações de transmissão pode ter causado apagão, diz associação

O diretor da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), César de Barros Pinto, disse hoje (11) à Agência Brasil que, "descartadas as hipóteses de queda de linha e de tempestade de raios ocorridas simultaneamente em diversas linhas de transmissão", a hipótese mais provável para o apagão que atingiu ontem (10) boa parte do país é a de falha de equipamentos das subestações de transmissão de energia.



"É daí que vem o efeito dominó quando há falha na geração de energia. No caso, imagine a carga da principal linha de transmissão não passando pelos caminhos alternativos. A primeira linha desliga e empurra para a segunda, que empurra para a outra. É como jogar milhares de carros em uma estrada de terra", comparou.

O Sistema Interligado Nacional (SIN) une as redes de todos os Estados prejudicados pelo apagão. Ele é feito para tornar a transmissão de energia mais limpa, barata e compartilhada. Acre e Rondônia, que até o mês passado utilizavam uma rede isolada movida a energia termoelétrica, também foram afetados pelo apagão de terça-feira, mas o custo da operação para ambos diminuiu por conta da inclusão no SIN.

Acre e Rondônia queimavam 1,2 milhão de óleo diesel por dia, gerando custo diário de R$ 2,4 milhões e anuais de R$ 864 milhões. Para que não houvesse desequilíbrio na cobrança, o custo mais alto para acreanos e rondonienses era rateado pelo resto do país. O professor da UFRJ afirmou que a rede interligada gera muitos benefícios para os Estados que a integram, apesar dos riscos de incidentes como o de terça-feira.

"Uma linha sofrer problemas é absolutamente esperável, não é surpresa. É um sistema confiável e que, como tudo na vida, não é infalível", comentou.

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