UOL Notícias Cotidiano
 

11/11/2009 - 17h00

Apagão não preocupa indústria, diz professor da UFRJ

Haroldo Ceravolo Sereza
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Para o professor Ronaldo Goulart Bicalho, do Instituto de Economia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o apagão da noite desta de terça-feira (10) não é preocupante para a indústria.

Entenda a distribuição de energia no Brasil

  • Fonte: ONS

"Não houve ninguém que apontasse uma crise na distribuição, ninguém levantou a lebre no último ano", diz ele, doutor em economia da indústria e da tecnologia. "Na véspera do racionamento de 2001, a indústria estava comprando geradores. Fazer isso agora seria jogar dinheiro fora."

Fazendo a ressalva de que ainda é preciso esperar a posição do Operador Nacional do Sistema elétrico (ONS) para explicar exatamente o que aconteceu, Bicalho comparou o setor a um carro: "Quando há racionamento, o carro parou porque faltou gasolina. Aí é grave. Quando quebra uma peça, é preciso ver que peça quebrou. Agora, se começa a quebrar muita peça, você tem um problema."

Isso, na opinião dele, ainda não ocorreu. Para o professor, um apagão a cada dez anos não chega a ser um problema para a economia. "O tempo de recuperação foi relativamente pequeno. Em três horas, já estava voltando no Rio."

O sistema elétrico brasileiro, diz, trabalha com uma taxa de risco de racionamento de 5%. Isso significa que se espera que, uma vez a cada 20 anos, possa haver falta de energia.

Bicalho diz que, no setor elétrico, "você passa o tempo todo lutando contra o apagão".

Especificidade
Para Bicalho, depois do racionamento de 2001, "o que se observou no sistema elétrico foi um aumento na coordenação". Ele também diz que não se tornou público, pelo menos, nenhuma "batida de cabeça" no setor, que indicasse uma crise.

Isso não significa, no entanto, que os problemas estão resolvidos. "Nosso sistema tem uma peculiaridade. Como ele é fortemente baseado em hidrelétricas, temos de transmitir energia para longas distâncias", explica.

Isso e a interligação do sistema, que permite otimizar a produção, compensando eventuais faltas de água em reservatórios de diferentes regiões, baixam o custo da energia no país. "Sistemas pequeninhos são mais caros."

A gestão do sistema elétrico, que já é complexa, deve ficar mais complicada daqui para a frente. "Com as hidrelétricas do rio Madeira, novos linhões entrarão em operação. Além disto, estamos entrando com mais térmicas, baseados em diferentes combustíveis (como gás, óleo, bagaço de cana), eólicas, interligando a região Norte. O sistema está cada vez maior", completa.

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