UOL Notícias Cotidiano
 

16/11/2009 - 07h01

Para especialista, baile funk não é questão da polícia, é do Estado

Rosanne D'Agostino
Enviada Especial do UOL Notícias
No Rio de Janeiro
Para o sociólogo e pesquisador de segurança pública, Ignacio Cano, mesmo com arestas a serem corrigidas, já que se trata de um modelo experimental (apenas cinco de mais de 1.000 favelas estão ocupadas), a UPP (Unidade de Policiamento Pacificadora) é a saída para acabar com o tráfico e a criminalidade nas favelas do Rio de Janeiro. "É um passo efetivo em contraponto com a política de confrontamento, que resulta a cada dia em mais mortes", afirma.

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Entre os pontos positivos, segundo o especialista, está o vínculo maior entre policial e comunidade. "Os policiais são recém saídos da academia, para evitar a corrupção, e têm vontade de interagir. Fizemos pesquisas que indicam que os moradores aprovam e dizem: 'Agora conhecemos os policiais'". Para Cano, no entanto, ainda é preciso uma reforma geral da polícia, para acabar com todo e qualquer foco de corrupção.

Já sobre as restrições a manifestações culturais, como o baile funk, ele acredita que não se trata de um problema específico da UPP, mas sim, de uma política do Estado que dá esse poder à polícia. "Baile funk virar questão de polícia é errado. Isso, porém, é um problema do Estado, que trata todos como se fossem criminosos. Em outras comunidades sem a ocupação, ocorre o mesmo tipo de proibição", diz.

Por isso, o pesquisador ressalva: "Não significa que seja um modelo sem arestas. É preciso aprender a respeitar o espírito comunitário, não reprimir as manifestações culturais da comunidade. Mas se a polícia permanecer na favela, essa experiência já nos mostra que é possível melhorar muito", conclui.

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