UOL Notícias Cotidiano
 

18/11/2009 - 21h51

Quadrilha do ex-deputado Wallace Souza agia como milícia em Manaus, diz deputado

Especial para o UOL Notícias
Em Manaus
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) disse nesta quarta-feira (18), em Manaus, que no Amazonas existem milícias armadas semelhantes às encontradas no Rio de Janeiro. A declaração foi feita durante a visita da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência Urbana à capital amazonense que tomou o depoimento de membros da Força Tarefa que investiga o crime organizado no Estado e o envolvimento do ex-deputado estadual Wallace Souza com uma quadrilha que traficava drogas e assassinava os traficantes rivais.

O ex-deputado Wallace, que está preso, é acusado de encomendar a morte de rivais para depois mostrá-los em seu programa de TV. Investiga-se a morte de pelo menos seis testemunhas ligadas ao ex-parlamentar assassinadas pouco depois de prestarem depoimento à justiça amazonense.

Para Pimenta, as provas colhidas pela Força Tarefa, composta por promotores e policiais civis do Amazonas, mostram que a quadrilha supostamente comandada por Wallace Souza atuava como uma milícia. "Eles tem contabilidade, representação política, espaço na mídia. Funcionam de uma forma muito similar às milícias encontradas no Rio de Janeiro", disse o deputado.

A princípio, esperava-se que a CPI da Violência Urbana fosse tomar o depoimento de Wallace Souza, que atualmente está internado para tratamento médico em um hospital particular. Por conta de seu estado de saúde, o depoimento foi adiado para a primeira quinzena de dezembro, em Brasília. Antes de ser transferido, Wallace estava preso em uma cela do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Para a deputada federal Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), vice-presidente da CPI, os depoimentos dos membros da Força Tarefa deixaram claro que o grupo supostamente comandado por Wallace era "extremamente organizado". "Há indícios de uma penetração muito forte dentro da Polícia Militar, do Ministério Público e uma influência muito grande na mídia, por meio do programa Canal Livre", afirma a parlamentar.

Grazziotin se mostrou preocupada com a segurança dos promotores de Justiça e dos delegados da Polícia Civil que investigam a quadrilha de Wallace Souza. "Me preocupo com isso porque, há alguns dias, um vizinho de um delegado foi vítima de um sequestro por engano. Os bandidos queriam levar o delegado e acabaram levando a pessoa errada", disse a deputada.

Procurado pelo UOL Notícias, o secretário de Segurança Pública do Estado do Amazonas, Francisco Sá Cavalcante, classificou como exagerada a comparação da quadrilha desbaratada pela Força Tarefa em Manaus e as milícias que controlam parte dos morros cariocas. "Eu acho que foi uma comparação muito forte. É desproporcional, mas, de qualquer forma, pelo menos podemos dizer que a nossa milícia foi desmantelada. A espinha dorsal dessa quadrilha está presa. No Rio, ao contrário, esse problema vai continuar ocorrendo", disse o secretário.

Apesar de Sá Cavalcante qualificar a quadrilha supostamente comandada pelo deputado Wallace Souza como "assunto encerrado", a Força Tarefa amazonense ainda se debruça na investigação da morte de pelo menos seis testemunhas ligadas ao ex-parlamentar.

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