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Rio: guerra contra o tráfico

O Rio de Janeiro enfrenta uma série de ataques criminosos e realiza uma megaoperação para tentar conter a onda de violência no Estado

  • Imagem: Júlio César Guimarães/UOL
29/11/2010 - 10h57

Base do Exército no Alemão serve feijoada, carne seca e rapadura

Arthur Guimarães
Enviado especial do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Trabalhando fardados do pé à cabeça, subindo e descendo morros sob um sol escaldante e carregando capacetes e armas pesadas, os 1447 homens do Exército que atuam na pacificação do Complexo do Alemão também precisam descansar.


O relaxamento da tropas acontece em uma base de operações montada em uma fábrica desativada da Coca-Cola, na confluência da avenida Itaoca com a estrada de Itararé, na zona norte do Rio de Janeiro.

O local já foi usado pelas Forças Armadas em outra ação semelhante em 2008 e foi escolhido por ser amplo, térreo, além de abrigar construções abandonadas que são úteis na hora de amarrar as lonas e montar as barracas que formam os abrigos.

O abastecimento de água é feito por caminhões do Corpo de Bombeiros. “São quase 10 mil litros por dia”, explicou o tenente-coronel Cláudio Penkal, comandante do 20º Batalhão Logístico Paraquedista.

O terreno funciona como estacionamento para blindados, dormitório, banheiro e refeitório para os soldados. Em alguns “cômodos”, há mapas e cartazes estratégicos e até recortes de jornais recentes, mostrando o que a imprensa publica sobre a operação.

Apesar de não oferecer grandes luxos às tropas, ninguém pode reclamar da comida servida aos homens. Usada há cerca de quatro anos pelo Exército, as chamadas “rações alternativas de combate” são organizadas em cardápios diversos que incluem feijoada e carne seca com abóbora.

Ao contrário de versões desidratadas ou em formato de pílulas mastigáveis, a comida servida é pré-cozida, embalada de forma especial por uma empresa e disponibilizada em sacos que podem ser aquecidos em banho maria, usando um fogareiro descartável que vem dentro da própria embalagem.

Cada soldado recebe um kit alimentação diário, que inclui até quatro refeições. O café da manhã inclui café, torrada, geleia e uma barra de cereal. Como sobremesa, há até rapadura. “A comida foi escolhida para agradar os regionalismos. Então tem pratos brasileiros”, explicou o tenente-coronel Jorge Roberto dos Santos Souza. “No Haiti, as tropas de outros países imploravam para comer da nossa refeição.”


Os cerca de 1.500 pacotes servidos diariamente são feitos para serem práticos: com eles, não é necessário organizar grandes refeições nem desperdiçar água – no banho maria, a água pode ser utilizada por mais de uma pessoa “e até dá para fazer um cafezinho depois”.

“Cada um prepara a sua a hora que quiser. Lógico que ninguém vai comer no confronto, mas em um rápido intervalo é possível, pelo menos, colocar algo no estômago. Como ela está pronta, até o sol na mochila já deixa tudo morno. Dá pra comer andando”, ensinou Penkal, fazendo o gesto de se colocar o pacote na boca e virar, como se estivesse comendo o resto final de uma embalagem de salgadinhos.

Segundo ele, a base conta com cerca de 10 mil kits, o suficiente para alimentar os homens por mais uma semana. “Se precisar, mandam mais. Não temos hora para sair do Alemão.”

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